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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/06/2021

22 de Junho de 2021

O justo José: pai na obediência

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O justo José: pai na obediência

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19/04/2021 12:51
Por: Redação

O justo José: pai na obediência 0

É comum encontrar imagens de São José junto à inscrição: "Ide a José e fazei o que ele vos disser" (Gn 41, 55). É no mínimo curioso começar este texto com tal citação, uma vez que nas Sagradas Escrituras não exista uma fala sequer atribuída a São José. A sentença, porém, originalmente referida a José do Egito, foi bem cedo aplicada ao Patrono da Igreja. É preciso revelar um pouco da riqueza escondida nesta aparente contradição.

O corpo, se sabe, exprime uma linguagem e, por isso, é capaz de estabelecer uma comunicação através dos seus inúmeros sinais. O Evangelista Mateus diz que “ao despertar do sono, agiu (José) conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara” (Mt 1, 24). Logo, esse “agir” é uma espécie de fala, uma resposta ao chamado de Deus, como que o “fiat” de São José 1. A sua virtuosa prontidão foi uma maneira muito eloquente de dizer “eu creio”, uma vez que a fé se manifesta nas obras (cf. Tg 2,18). No coração do pai adotivo de Jesus existe um verdadeiro fervor na realização da Vontade de Deus. Seguindo esse raciocínio, pode-se entender que José, sem o uso das palavras, tem muito a dizer a todos por meio de sua conduta piedosa e de sua missão no seio da Sagrada Família.

Também vale salientar que foi o Espírito Santo, por meio das Sagradas Escrituras, que testemunhou que José era um “homem justo” (Mt 1,19). Este acento, portanto, não deve passar despercebido diante dos olhos dos fiéis, pois nada nos textos sagrados é supérfluo. Por isso, São João Crisóstomo diz:

É de notar que se chama aqui de justo aquele que em tudo é virtuoso. Há, com efeito, uma certa justiça em sentido especial, que é não ter cobiça, e outra virtude em sentido universal; e é nesse sentido que, principalmente, a Escritura emprega a palavra ‘justiça’ Pois do mesmo modo que o sol, antes de exibir seus raios, já ilumina a Terra, assim também Cristo, antes de nascer, fez com que aparecessem no mundo muitos sinais de perfeita virtude. 2

É interessante perceber que a justiça de Jesus é a causa da justiça de José em um ponto muito específico, a saber: a obediência. José é sobretudo justo porque não deu um passo sequer no momento de sua angústia, pois não convêm ao homem justo agir por impulso.

Certamente, e sem qualquer exagero, aqui se poderia aproximar a oração do Horto com a angústia vivida por São José: dois corações que esperavam do Pai Celeste a resolução de suas dores. Eis uma iluminação do papa Francisco acerca da justíssima obediência de José e de Jesus:

Ao longo da vida oculta em Nazaré, na escola de José, Ele aprendeu a fazer a fazer a vontade do Pai. A vontade torna-se o seu alimento diário (Jo 4, 34). Mesmo no momento mais difícil de sua vida, vivido no Getsêmani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e não a sua, fazendo-se “obediente até a morte (...) de cruz” (Fl 2, 8). Por isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus “aprendeu o que significa a obediência, por aquilo que ele sofreu” (Hb 5, 8).3

Ainda que Jesus seja causa da justiça e santidade de São José, humanamente falando, o Cristo aprende com o seu pai o modo de se viver a obediência a Deus mediante os sofrimentos da vida. O arquétipo de coração resoluto e apressado em fazer a Vontade do Pai, Jesus o viu espelhado na vida do seu pai terreno.

A virtude da obediência, por definição, consiste na “virtude moral sobrenatural, que nos inclina a submeter nossa vontade à dos superiores legítimos, enquanto representantes de Deus” 4. José foi legítimo pai de Jesus, conforme a afirmação do papa São João Paulo II:

O filho de Maria é também filho de José, em virtude do vínculo matrimonial que os une: Por motivo daquele matrimônio fiel, ambos mereceram ser chamados pais de Cristo, não apenas a Mãe, mas também aquele que era seu pai, do mesmo modo que era cônjuge da Mãe, uma e outra coisa por meio da mente e não da carne.5

Neste sentido, segue-se que o Cristo aprendeu a ser obediente a Deus sendo obediente a seu pai terreno6. Aliás, vale apena esclarecer que a obediência prestada por Jesus a São José era “uma espécie de culto que se traduz em testemunhos de reverência interiores e exteriores” 7. Quanta honra! Pois que nenhum anjo, profeta ou apóstolo teve a graça de receber do Senhor tamanha reverência!

Por fim, vale ressaltar que se no início a obediência de José se manifestava na sua submissão a Deus, agora, num grau muito mais elevado, pode-se observar que tal virtude se expressa na sua cooperação com o Mistério da Encarnação. Sim! Ele teve de ser muito mais obediente para acolher o projeto de Deus em sua vida a fim de aceitar a missão de pai do Verbo Encarnado e, assim, cooperar para que as Escrituras se cumprissem na história. Por isso, pode-se piedosamente exclamar que a Obediência (que é Cristo Jesus) se fez carne, também, por meio dos “sim” que constantemente o esposo de Maria deu a Deus.

Este ilustríssimo patriarca cooperou nos principais acontecimentos da vida do Divino Infante: o recenseamento e o nascimento em Belém; a circuncisão e a imposição do nome; a apresentação no templo, a fuga para o Egito e a ida para Nazaré; e a perda e o encontro de Jesus em Jerusalém.

Sem dúvidas, em todos estes momentos, o que movia o coração do justo José era a fé: causa da salvação dos homens (cf. Hb 10, 38). Que este coração obedientíssimo, cheio de fé e de justiça, interceda por toda a Igreja militante, a fim de que os cristãos, herança de Jesus Cristo, possam um dia também exclamar: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (2 Tim 4, 7)! Amém.

Padre Renan Pereira da Silva
Vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Campo Grande

 

Referências:
 
1 FRANCISCO. Carta Apostólica Patris Corde, n.3.
2 SÃO JOÃO CRISÓSTOMO, Homiliae in Matthaeum, hom. 4 apud TOMÁS DE AQUINO, Catena Aurea: Evangelho de São Mateus, p. 78-79
3 FRANCISCO. Carta Apostólica Patris Corde, n.3.
4 TANQUEREY, ADOLPHE. Compêndio de Teologia Ascética e Mística, n. 925, p.383.
5 JOÃO PAULO II, PP, Redemptoris Custos, n.7
6 “Em sua função de chefe de família, José ensinou Jesus a ser submisso aos pais (Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (Ex 20, 12)”, FRANCISCO. Carta Apostólica Patris Corde, n.3.
7 LÉPICIER, A., São José, esposo da Santíssima Virgem Maria, p.139.

 

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