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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 15/05/2021

15 de Maio de 2021

Amar com o amor

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15 de Maio de 2021

Amar com o amor

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28/02/2021 00:00
Por: Redação

Amar com o amor 0

Conta-se que um dia, frei Leão, atento a tudo o que acontecia na vida do Irmão Francisco, o viu a chorar, e, ainda que com certa dificuldade, conseguiu ouvir entre soluços as célebres palavras: “O amor não é amado”, “o amor não é amado”. Com muito respeito, Leão perguntou: “Por que choras, frei Francisco?” Francisco não respondeu, apenas continuou a dizer: “o amor não é amado”, “o amor não é amado”…

Tentando consolá-lo, Leão interrompeu o choro de Francisco e lhe disse: “Mas frei, não te parece que já fizeste o bastante por Jesus deixando tudo por Ele, o teu pai e a tua mãe, os teus amigos e um futuro de glória?” E Francisco respondeu: “não, não é o bastante”.

Leão continuou: “não te parece que já fizeste o bastante despindo-te de tuas vestes diante de todos, pedindo esmola pela estradas de tua própria cidade, abraçando leprosos, sendo considerado um louco?”. “Não, não é o bastante”, respondeu de novo Francisco.

Frei Leão insistiu: “Irmão Francisco, não te parece suficiente sofrer como estás sofrendo por causa dos Estigmas, da enfermidade nos olhos e de tantas outras coisas?” E, mais uma vez, Francisco, desta vez com voz forte, gritou: “não, não é o bastante, não é o bastante! escreva e guarde em teu coração, frei Leão, Deus é o ‘nunca é o bastante’...”

A Quaresma é uma ocasião bastante oportuna para se pensar sobre o amor. Momento de direcionarmos o nosso olhar inteiramente para o próprio amor, capaz de se doar incondicionalmente, sem buscar recompensas, de forma desinteressada. Dias favoráveis para aprendermos a amar.

O amor verdadeiro é escolha forjada na dor. É e sempre será sinônimo de sacrifício, de entrega de si mesmo até as ultimas consequências. Foi o que Jesus nos ensinou quando por amor tomou nossos pecados e nos fez dignos de salvação. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.” (João 13:1)

Com efeito, Adélia Prado em entrevista a uma revista, em outubro de 2010, afirmou que a experiência amorosa exige sacrifício e o amor é sua própria recompensa. Não se pode amar de verdade com o objetivo de ser recompensado. “Não resisto em citar Drummond falando da poesia coisa parecida: “Poesia, o perfume que exalas é tua justificação”. Não há amor fácil, mas todo amor é maravilha, saúde, “remédio contra a loucura”, coisa que Guimarães Rosa ensinou. É a experiência humana mais exigente. Não é contrato, troca de favores, investimento, é entrega e compromisso. Do sacrifício de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor. Não se trata de anulação, subserviência de quem ama, trata-se da morte do ego, tarefa a ser feita até o último suspiro.”

Na quarta estação da Via-Sacra, quando Jesus encontra sua Mãe, podemos refletir com profundidade sobre esse amor-sacrifício, a partir da experiência de Maria. A dor profunda de uma mãe apaixonada por seu único Filho, que escolhe entregar sua vida não apenas por ela, mas por toda a eternidade.

No entanto, seu coração ferido pelo sofrimento de Jesus não a impediu de consolá-Lo da forma que podia durante todo o caminho do calvário.
Certamente, o olhar amoroso de Maria o alentou à medida que carregava sua cruz, que diretamente nos convida a deixar-nos contagiar por este amor.
A Cruz de Cristo nos ensina a olhar para quem sofre, quem tem necessidade de ajuda e espera uma palavra, um conforto, um gesto, com empatia e amor. Ela nos impulsiona, como disse o Papa Francisco, “a sair de nós mesmos para ir ao encontro destas pessoas e lhes estender a mão”.

Neste sentido, a melhor forma de viver esta Quaresma e encontrar a paz é perto do Sacratíssimo Coração de Jesus e ao Puríssimo Coração de Maria, de onde jorram perdão, acolhimento e misericórdia. Corações que nos ensinam que o amor que Deus tem por nós não pode ser contido, ele deve transbordar e dar frutos, apesar de todas as dificuldades e aflições que possamos viver.

Hoje, como alargamento cultural, eu indico um livro muito interessante para se pensar sobre a importância de se ter um coração dilatado para o amor.
“Coração não toma sol”, de Bartolomeu Campos de Queirós, reedição da FTD. A obra ganhou o Premio 1ª Bienal do livro de Belo Horizonte, em 1986, e o Prêmio Orígenes Lessa – FNLIJ, em 1987.

No livro, Queirós nos conta a história de um coração que, por viver entre as sólidas paredes de um castelo, jamais tomava sol. Ele tinha por tarefa “guardar na memória tudo aquilo que o castelo encontrava, pensava e sonhava”. Surgiam assuntos do Leste, do Oeste, e o coração guardava tudo sem saber por que vinham. “Tantos enredos ele escutava do Norte, com intrigas que vinham do Sul, que era preciso serenidade para costurar uma emoção e outra”. Que linda essa imagem, não?!

E continuou: “havia penas pousando tão secretamente no coração que mesmo o coração não percebia...” Segundo Henriqueta Lisboa, durante a leitura, “o leitor é conduzido a um estado de espírito que será para a criança um toque de alvorecer e para o adulto, uma aura de serena meditação”.
Com seu texto poético, o autor nos apresenta um singelo conto de fadas, cheio de encantamento, e nos convida a refletir, sentir, silenciar e, sobretudo, amar, mesmo conscientes de que nunca será o bastante.
Paz e bem!
 
Dinair Fonte



 
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