Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/10/2019

14 de Outubro de 2019

Celebrando a Caridade

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18/04/2016 15:15 - Atualizado em 19/04/2016 10:46
Por: Cardeal Dom Orani João Tempesta

Celebrando a Caridade 0

Celebrando a Caridade / Arqrio
“Provai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que se refugia junto dele” (Sl 33,9). Assim queremos dar graças pela libertação recebida e pela Caritas Arquidiocesana no Rio de Janeiro, que atuou e atua sempre buscando a proteção e promoção social dos direitos de refugiados e refugiadas e aqueles que pediram refúgio nesses 40 anos. Este acolher se baseia na solidariedade e no respeito aos direitos humanos, é um real garantir da vida digna e proteção aos marginalizados de nossa sociedade, daquela que deve ser de verdade uma cidade maravilhosa!

Embora seja um importante trabalho social, ele é realizado por causa do Evangelho de Jesus Cristo, que nos impele a olhar o outro como nosso irmão e acolhê-lo fraternalmente.

O mundo hoje, porém, infelizmente oferece muita tristeza, sofrimentos, drogas, prostituição, pornografias, divisões, violências, desempregos, falta de dignidade humana, uma vida de depressão, enfim, uma vida que nos leva a descer a montanha-russa de nossa caminhada nesse mundo. Enquanto o amor de Deus não for experimentado em nossos corações, enquanto o mundo não for regido pelo Amor e continuar deixando ser guiado por conflitos e guerras é assim que será. Sempre teremos os problemas das consequências das violências, ganâncias, conquistas de poder, guerras, incompreensões, fanatismos.

A Caritas é um organismo internacional de caridade da Igreja Católica. E tem sua presença em nossas Dioceses. Aqui no Rio de Janeiro desempenhou uma importante missão com os perseguidos políticos e com os refugiados. Devido a esse mundo complexo, o acolhimento da Caritas é um gesto concreto de amor, e amor misericordioso!

Nos conturbados idos de 70, regime militar e de torturas, bem como de perseguições, a Caritas Carioca teve iniciativa na promoção da igualdade e justiça sociais. E com o tempo vieram outros parceiros, como ACNUR[1] e CONARE[2], que culmina na lei 9474/97[3]. Daí o acolher se torna proteger, proporcionar o atendimento emergencial das necessidades básicas e a integração local, inserindo os refugiados na vida de nossa sociedade.

Por isso, nosso olhar é de gratidão à figura de nosso amado predecessor, o Cardeal Eugênio de Araújo Sales, que num trabalho obstinado, silencioso e eficaz, ajudou a resgatar várias pessoas que estavam perseguidas e que encontraram em nossa Arquidiocese acolhida e refúgio. Eu mesmo tive ocasião de dizer por ocasião da morte do singular Cardeal Sales: “Articulou uma ação com a Caritas e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, onde, de início, abrigou estes refugiados no Palácio São Joaquim (Palácio Episcopal), porém, mais tarde usou de apartamentos para proteger todos estes refugiados. Para a maioria, conseguiu asilo político em países europeus. Enquanto lutava pelo asilo político, era ele que corria atrás da sustentação e manutenção de todos. Para conseguir o asilo político enfrentou muitas dificuldades e embates com as autoridades da época, nem sempre visibilizadas ou noticiadas pela comunicação. Mas sua autoridade dobrava a encruzilhada da História naquele momento. Sua leveza fazia com que portas se abrissem, mesmo que as dobradiças estivessem se mostrando “enferrujadas”. O marechal Castelo Branco chegou a defini-lo como o bispo mais perigoso do Brasil"[4].

 O número de pedidos aceitos pela Caritas se multiplicou por nove desde 2010, que de 500 foi para 4.500 refugiados; hoje o total chega a quase 8.500. E este é um direito humano, ou seja, o de ser acolhido com dignidade e fraternalmente. Por isso a solidariedade é fundamental na acolhida aos refugiados. Hoje encontramos acolhidos refugiados vindos do Haiti, Síria, Turquia, Angola, grupos da América Latina (Bolívia, Colômbia), República Democrática do Congo, Afeganistão, Nigéria, Gana, Somália e Ucrânia. Muitos fogem da fome, da pobreza, de situações de violência e das contínuas e sangrentas guerras, buscando proteção e assistência que abrange direitos, concedidos aos solicitantes de refúgio e aos refugiados, referentes à saúde, alimentação e moradia.

A Caritas tem desenvolvido um trabalho sério e sempre com ajudas vindas de muitos lugares, que se tornam providenciais e necessárias para dar este acolhimento aos refugiados de forma mais humana, pois há muitas dificuldades, e entre elas está a língua, a cultura, o país como um todo diferente do de origem. É preciso que se sintam mais acolhidos e, verdadeiramente, mais humanos neste país que os acolhe, e a Caritas, em parcerias, desempenha concretamente este gesto de solidariedade e verdadeira misericórdia.

Este Jubileu de Esmeralda da Caritas/RJ é momento de impulso e garra para trabalharmos com mais afinco aos desafios que nos são colocados cada dia mais. Somos cidadãos do mundo, e, por isso mesmo, acolhemos o outro que vem até nós, muitas vezes sofrido, machucado, desfigurado, como o Cristo na cruz, e aí nasce a missão da Caritas. Missão de acolhida, fraternidade, reinserção. Missão impossível? Não, com a graça de Deus que tudo pode e tudo transforma. Além disso, o acolhimento e o cuidado dos outros é ainda um lugar e um caminho para despertar e descobrir em muitos católicos as diferentes vocações que podem exercer como Igreja. Deus chama-nos também através das necessidades da Igreja e do mundo. 
O Papa Francisco disse sobre a importância da Caritas, quando ressaltou que “a Caritas é uma realidade da Igreja em muitas partes do mundo e realiza um serviço em nome de Cristo. E não se trata de organizações isoladas em cada lugar; não existe uma ‘Caritas grande’ e uma ‘Caritas pequena’, mas sim uma única organização, que tem como centro o espírito de comunhão”. Continua o Papa Francisco que “Todas (as Caritas) são iguais”.
Peçamos ao Senhor a graça de entender a verdadeira dimensão da Caritas, a graça de não cair no engano de acreditar que um centralismo bem organizado seja o caminho, a graça de entender que a Caritas está sempre nas periferias em cada Igreja particular, e a graça de acreditar que o centro da Caritas é somente ajuda, serviço e experiência de comunhão, mas não é a cabeça de todos”. O Papa Francisco ressaltou, neste seu pronunciamento em 12 de maio de 2015, que a raiz da acolhida da Caritas está em Cristo e nos irmãos, por isso sublinhou uma recordação da realidade dos cristãos perseguidos, privados também do alimento da alma: “Pensando na mesa da Eucaristia, não podemos esquecer aqueles nossos irmãos cristãos que foram privados com violência, seja do alimento para o corpo seja daquele para a alma: foram expulsos de suas casas e de suas igrejas, às vezes destruídas”. “Renovo o apelo a não esquecer estas pessoas e estas intoleráveis injustiças”.

Agradecendo a tantos que trabalham nesta obra de caridade arquidiocesana que é a Caritas, particularmente em todos os que colaboram com os seus projetos, elevo a Deus a minha gratidão e a minha prece, e desejo que esta obra e missão da Caritas do Rio de Janeiro tenha olhos de acolhimento e hospitalidade, como a hospitalidade generosa de Abraão que nos é descrita com traços de significado místico simbólico. Configura-se como uma liturgia do acolhimento, uma festa de alegria do encontro à mesa. Oferece o melhor que tem, dá-lhe o lugar central; dá-lhe o tempo que é necessário e não a pressa. Tem tempo para Deus. O gesto de Abraão indica que a experiência espiritual da fé exige uma tomada de consciência da presença de Deus no nosso cotidiano. Querendo que Deus pare em sua casa, Abraão deseja que Deus se torne familiar. A vida de fé traz em si o desejo de não deixar que Deus passe ao lado, de acolhê-Lo “em casa”. Deus quer ser acolhido, e quando O acolhemos, Ele torna fecunda a nossa vida, abre-nos um futuro novo, desperta em nós o sentido do outro e da missão. Assim seja abençoado e frutífero este trabalho da Caritas, que celebra, festeja os seus 40 anos.

A minha bênção a cada um que torna esta missão momento de alegria do encontro para transfigurar os rostos, às vezes, desfigurados, no rosto do ressuscitado, da esperança viva e de um novo transbordar de vida!

 
            Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
 
 

[1] Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados  - A Agência da ONU para refugiados fornece abrigo, água potável, saneamento e assistência médica vital a milhares de pessoas pelo mundo.

[2] Comitê Nacional para Refugiados.

[3] Refugiado é aquele que foge de seu país de origem por temor de perseguição, fundado em motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social e/ou opinião política.

[4]http://domeugeniosales.webnode.com.br/news/um-homem-de-deus-por-dom-orani-tempesta/ ).

 
Foto: Carlos Moioli 

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