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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/12/2021

06 de Dezembro de 2021

Simão Pedro, João Maria Vianney e o padre

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Simão Pedro, João Maria Vianney e o padre

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02/08/2021 15:18
Por: Redação

Simão Pedro, João Maria Vianney e o padre 0

Em Jo 21, 15-19, após a ressurreição, o Senhor entregou a Pedro a responsabilidade de apascentar suas ovelhas. Não que os outros discípulos não tivessem esta mesma missão de pastoreio em nome do Senhor. Mas, quando Jesus se dirige a Pedro, o Príncipe dos Apóstolos e o primeiro a figurar nas listas nominais dos apóstolos nos evangelhos, quer o Senhor insistir na unidade da Igreja, de modo que se dirige a Pedro, de preferência aos demais, porque entre os apóstolos, Pedro é o primeiro. Porém, antes de fazê-lo, Jesus o questiona a respeito do seu amor: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?” E somente após o “sim” de Pedro (“Sim, Senhor, tu sabes que te amo”), o Senhor lhe confia a missão de apascentar seu rebanho: “apascenta as minhas ovelhas”. Isto nos leva a crer, não somente pela letra evangélica, mas pela própria experiência de pastores que temos, que é preciso verdadeiro amor pelo Senhor para apascentar as Suas ovelhas. E não apenas amor, o que já é muito! Mas, amá-Lo mais que os demais, mais que as próprias ovelhas O amam. E amá-Lo mais que tudo, de forma intensa, radical, constante; amor que tudo vence, inclusive nossos desânimos, nossas fraquezas humanas, as tentações e provações que sobre nós se abatem. Amar como Ele nos ama, ou seja, até a cruz. Um amor assim crucificado que não faz nenhuma reserva de si; com intensidade, que mesmo em meio às quedas, deve se elevar rumo à perfeição. Entretanto, não uma perfeição estática, conforme nossos critérios humanos, mas perfeição dinâmica que nos faz descobrir os tesouros do amor do Senhor, sempre incompatíveis com nossa indignidade, porém, a nos acolher e a nos envolver cheio de misericórdia a fim de nos dignificar. Assim, fica muito claro para nós que Deus escolhe os fracos para confundir os poderosos. Escolheu a Simão Pedro, fraco como aos demais igualmente fracos, e a nós, discípulos da última hora, também fracos. Assim é o Senhor: Senhor dos fracos, dos doentes, dos pecadores, dos últimos.

Pedro responde ao Senhor uma vez, uma segunda vez e uma terceira vez. Santo Agostinho diz que a profissão de amor de Pedro vence por três vezes, já que vencido foi por sua presunção também por três vezes. E assim, o Senhor confiou-lhe suas ovelhas uma, duas e três vezes.

As palavras dirigidas a Pedro naquele tempo continuam a ecoar no coração de todos os discípulos ao longo destes 20 séculos. E aqueles que, assim como Pedro, amam o Senhor mais que os demais, recebem a missão de apascentar Suas ovelhas. Assim aconteceu com São João Maria Vianney, patrono dos sacerdotes, cuja memória celebra-se a cada 4 de agosto; assim também acontece conosco sacerdotes da atualidade, que também tudo relativizamos diante do convite de seguimento a Jesus, amando-O mais que tudo e mais que os demais.

Pastorear ou apascentar ovelhas é capacidade que deve ser por nós compreendida como dom que vem de Deus. Sabemos que São João Maria Vianney, nosso patrono, não era um sacerdote brilhante, do ponto de vista intelectual, mas era um homem de Deus em quem se verifica este maravilhoso dom na mais alta intensidade. Apesar de não ter o brilhantismo da ciência humana, possuía uma porção especial da ciência divina, por isso, sabia ser necessária a colaboração humana com o dom divino, de tal modo que não somente gastava muito tempo com o pastoreio das ovelhas, mas também gastava muito tempo com a oração, a ascese e o estudo. De fato, a dedicação pessoal corrobora a ação divina. Por isso, Deus mesmo cuida de suscitar entre nós exemplos luminosos de padres comuns como nós, que nos antecederam na missão. É deste modo que os padres, sobretudo os párocos, têm para si São João Maria Vianney, o Pároco ou Cura de Ars, como modelo e inspiração.

Apascentar pode acarretar tristezas, e até angústias, como aconteceu com Pedro – “Pedro entristeceu-se porque (o Senhor) lhe perguntou pela terceira vez: Tu me amas?” –, como aconteceu com João Maria Vianney e também como muitas vezes acontece conosco padres. Porque Jesus de diversas vezes e de muitos modos também questiona o nosso amor, ainda que tenha a certeza dele – “Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo”. Entretanto, Ele questiona o nosso amor, e não somente três vezes, exatamente para nele e na missão nos confirmar também não somente três vezes, mas a todo instante. Pois, se três foram os vacilos de Pedro, muito mais numerosos são os nossos, que também nos entristecem. Certa história conta que Pedro tinha dois profundos sulcos, um sob cada olho; sulcos feitos por suas lágrimas, que corriam cada vez que ouvia o galo cantar, o que recordava sua tríplice negação. Mas as tristezas, que em última análise são sempre fruto da natureza decaída, jamais poderão ofuscar o brilho das alegrias incontáveis da missão. A alegria da alma redimida, da eucaristia celebrada, do doente confortado ou mesmo recuperado, do acolhimento de novos discípulos no seio da igreja, da família iniciada e abençoada, enfim... Atos salvíficos de Cristo, que somente o padre pode atualizar e continuar no tempo. É por isso, e por muito mais, que São João Maria Vianney afirma: “se não fosse o padre, a morte e a Paixão de Nosso Senhor de nada serviriam”. Pois o sacerdócio foi a forma através da qual quis o Senhor permanecer entre nós a continuar e a aplicar os efeitos do Seu Mistério Pascal (Paixão, Morte e Ressurreição).

Dentre todos os mistérios de que dispunha São João Maria Vianney para viver com entusiasmo o seu ministério presbiteral, o mais fundamental ou mesmo primordial era a Eucaristia. Ele costumava ensinar ao povo que este sacramento era essencial à busca da santidade no seguimento de Cristo, e mais ainda para o padre no espírito de doação. Pois “o sacerdote é o amor do Coração de Jesus”, dizia ele.

Dentre tantos santos sacerdotes que a Igreja apresenta, o Santo Cura d’Ars é inspiração e modelo que mais deve marcar a vida e o jeito de ser padre do sacerdote diocesano que se dedica ao apostolado na paróquia. Em São Pedro Apóstolo, em São João Maria Vianney e também em nós, servos inúteis, e em tantos que nos precederam, quis Deus resplandecer de modo muito especial sua bondade e misericórdia, que superam todas as limitações humanas, como disse Cristo a São Paulo: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que se revela totalmente a minha força” (2 Cor 12,9).

Amemos e imitemos a fé, a vida, os testemunhos, os trabalhos e as pregações de Simão Pedro, de João Maria Vianney e de todos os pastores constituídos pelo Senhor como sentinelas do Seu povo a anunciar dia e noite o Seu Santíssimo nome. E rezemos para que nunca faltem aos nossos padres a fidelidade e o entusiasmo necessários para cumprirem tão sublime missão confiada pelo próprio Senhor através da Sua Igreja.

Padre Valtemario S. Frazão Jr.

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