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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/04/2021

13 de Abril de 2021

Sexta-feira Santa: ‘No meio de tantas dores, o Senhor caminha conosco’

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Sexta-feira Santa: ‘No meio de tantas dores, o Senhor caminha conosco’

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02/04/2021 22:01
Por: Carlos Moioli

Sexta-feira Santa: ‘No meio de tantas dores, o Senhor caminha conosco’ 0

Em profundo silêncio e respeito, o Cardeal Orani João Tempesta presidiu a Solene Ação Litúrgica da Sexta-Feira da Paixão do Senhor, na Catedral de São Sebastião, no Centro, no dia 2 de abril. Logo no início, Dom Orani prostrou-se diante do altar, que simboliza o próprio Cristo, local onde o Cordeiro de Deus é imolado, mistério atualizado em cada missa.

Dia de jejum e abstinência, essa é a principal celebração do dia, iniciada às 15h, horário em que Jesus deu a vida, no Calvário, pela redenção da humanidade, composta de três partes: Liturgia da Palavra, com a narrativa da Paixão, adoração da cruz e comunhão eucarística. É o único dia do ano em que não há missa nem consagração das hóstias.

Na Oração Universal, quando se reza pelos que não creem e Deus e em Cristo, pelos Judeus, pelos poderes públicos, dentre outras necessidades da Igreja, foi acrescentada intenção das pessoas que sofrem por causa da pandemia, conforme decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Por causa das exigências sanitárias, impostas diante do avanço da pandemia da Covid-19, não houve o tradicional beijo no momento da Adoração da Cruz, nem a procissão do Senhor Morto. Após a Ação Litúrgica, houve o Sermão das Sete Palavras na Cruz, feito pelos cônegos Cláudio dos Santos, Leandro Câmara e Jorge Andre Pimentel Gouvêa.

Deus nos criou bons, nos criou para o bem
Após a Liturgia da Palavra, Dom Orani enfatizou que “no silêncio deste dia, paramos para contemplar o mistério da paixão de Cristo, da entrega de sua própria vida para que todos nós a tivéssemos em plenitude. Sabemos que Deus amou o mundo e enviou Seu próprio Filho para que, assim, tivéssemos vida. A Liturgia de hoje, contemplativa, silenciosa, nos faz refletir sobre esse mistério. Jesus é entregue aos algozes pelo próprio discípulo, levado de um lugar ao outro, julgado, morto e sepultado”, explicou.

Dom Orani ainda destacou que “o mais belo dentre os homens, Jesus Cristo, tornou-se a ignomínia. Nele, viu-se um rosto deformado pelos flagelos. Ele carregava sobre si mesmo as nossas dores e pecados. Somos chamados a olhar para este espelho: a beleza da criação e a deformidade que os pecados nos causam, os quais Jesus assumiu ao levar a cruz pelas ruas e vielas de Jerusalém, quando caiu, quando foi açoitado e flagelado”, comentou.

Dom Orani evidenciou que “somos chamados a contemplar a beleza enquanto filhos amados e queridos de Deus. Quando o Senhor terminou a obra da criação, viu que tudo era bom. Ele nos criou bons, nos criou para o bem. Mas, a partir de nossa liberdade, o que temos feito com essa beleza? Olhando para a nossa própria vida e para nossa sociedade, com tantas violências, guerras e mazelas, o que fizemos com a bondade que Deus colocou em nossas vidas? Não obedecemos ao Senhor e, com isso, vimos uma sociedade destrutiva, maldosa, com situações que nos fazem virar o rosto. Quando nos escandalizamos com as mazelas deste mundo, precisamos perceber que elas são um pouco de nosso espelho”, exclamou.
Segundo o arcebispo, a beleza perdida pode ser recuperada através da redenção dos pecados. “Temos um Sumo Sacerdote que entrou nos céus e partilhou a nossa vida. Ele não tinha pecado, mas assumiu os nossos, para que, através dele, pudéssemos mergulhar no Senhor e recuperar a beleza perdida, tornando-nos homens e mulheres renovados. Assim, aqueles que fazem essa experiência, são chamados a serem seus arautos, anunciando que outro mundo e sociedade são possíveis, deixando passar o que é velho no homem e para que tudo se faça novo. Essa é a Páscoa que celebramos. Se bela foi a criação, muito mais ainda é a redenção, que refaz a nossa vida e, consequentemente, a vida do mundo e da sociedade”, completou.

De acordo com Dom Orani, a solidão vivenciada por Jesus, durante a crucificação, também é a mesma solidão que muitas famílias e fiéis enfrentam nesse período de pandemia. “Jesus experimentou a solidão. Foi abandonado pelos discípulos e entregue aos algozes por um deles. Isso nos lembra o momento em que vivemos: tempos de muita solidão, de pessoas que estão sozinhas em seus leitos, sem contato com os familiares. A solidão de não podermos nos aproximar uns dos outros. Vimos quantas famílias se quer puderam se despedir de seus entes queridos, não houve tempo para celebrar o luto, tudo é feito rapidamente e sem a presença dos familiares”, ressaltou.

Para o arcebispo, embora sejam tempos difíceis e dolorosos, o Senhor jamais se afastou de Seu povo. “O Senhor está conosco, dando-nos sentido para que cada um possa levar sua cruz, no meio da solidão. Sintam-se próximos do Senhor, que está presente a cada instante, e que no meio de tantas dores caminha conosco. Ele leva a cruz e nos convida a segui-Lo”, encerrou.

Carlos Moioli

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