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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/04/2021

13 de Abril de 2021

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18/03/2021 00:00 - Atualizado em 23/03/2021 15:22
Por: Redação

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A solenidade litúrgica da Anunciação (25 de março) é uma ocasião muito importante para todos nós católicos. É quando celebramos o encontro entre a Santíssima Virgem Maria e o anjo Gabriel, que lhe anunciara que ela haveria de conceber e dar à luz um filho, a quem deveria chamar de Jesus. Isto ocorreu em meio a um diálogo, que foi estabelecido entre a Virgem e o anjo do Senhor. A partir daí podemos também estabelecer um paralelo com o encontro e o diálogo que ocorreu entre a Virgem Mãe de Deus e Santa Bernadete Soubirous, exatamente no dia 25 de março de 1858, quando se deu a 16ª aparição de Nossa Senhora de Lourdes a Santa Bernadete na Gruta de Massabielle.

Bernadete relata que acordou no meio da madrugada do dia 25 de março daquele ano com um forte desejo de se dirigir à gruta. Ela dizia: “preciso ir já”. Contudo, fizeram-na esperar. Mas ela partiu assim mesmo ainda no meio da noite. Ao chegar à gruta encontrou a aparição. E por três vezes Bernadete repetiu delicadamente o pedido que preparou, para atender à orientação do pároco: “Senhorita, queira ter a vontade de dizer-me quem é, por favor?”. Naquele momento, o nervosismo e a ansiedade fizeram Bernadete trocar a palavra “bondade” por “vontade”. A pergunta foi repetida por três vezes sem resposta alguma. A aparição apenas lhe sorria. Até que na quarta vez Bernadete foi interrompida pela aparição, que ergueu os olhos ao céu, abriu os braços, juntou-os novamente na altura do peito e lhe disse no dialeto local: “Que soy era Immaculada Counceptiou" ('Sou a Imaculada Conceição'). Bernadete foi-se embora da gruta repetindo estas palavras ao longo de todo o caminho, sem fôlego e sem nada entender o que tais dizeres significavam.

Quando chegou diante do pároco, o padre Peyramale, a vidente apenas repetiu as palavras ditas pela Virgem: “Que soy era Immaculada Counceptiou. E o sacerdote, impactado, não soube o que dizer. Um misto de sentimentos apoderou-se dele. Bernadete era uma adolescente analfabeta e sem catequese consistente, que sequer conhecia o mistério da Santíssima Trindade, o que dirá o mistério da Imaculada Conceição de Maria. Peyramale sabia que ela não tinha ciência da profundidade e do alcance de tais palavras. Elas correspondiam ao terceiro dogma mariano proclamado quatro anos antes, em 1854, pelo Papa Pio IX. Num primeiro momento, Peyramale pensou que a menina falava de si mesma, pois lhe disse: “Pequena presunçosa! Você é a Imaculada Conceição?”. Mas a vidente esclareceu que apenas repetia as palavras da aparição e ainda acrescentou: “Ela continua querendo a capela”. O pároco despediu a menina. A sua razão lutava contra o coração. Ele acreditou, mas duvidava: “A Virgem é imaculada, mas não é sua própria concepção!”.

Em Lourdes, os intelectuais ficam estupefatos, pois aí a Virgem Mãe de Deus se identifica com a sua própria concepção imaculada. René Laurentin, um dos maiores mariólogos de nosso tempo e principal especialista nas aparições de Lourdes, dirá na biografia de Santa Bernadete que com tais palavras a Virgem se identifica com a pura graça original de Deus, que nela tudo é graça e transparência humana da vida divina. Ela é verdadeiramente o ícone do Espírito Santo, por quem foi desposada na anunciação e que a precedera e anunciara pela rajada de vento da primeira aparição em 11 de fevereiro daquele ano.

            ImmaculadaCounceptiou é o mesmo que concebida sem pecado. Foi somente a partir daí que Bernadete teve a certeza de que aquela aparição na gruta era realmente a Virgem Santíssima. A partir daí ela passou a entender tudo, até mesmo porque na primeira aparição teve a inspiração de rezar o terço com o coração radiante de alegria e porque naquele momento a aparição não mexia os lábios durante a Ave Maria, haja vista que não há sentido algum a Virgem Maria rezar para si mesma.

            Interessante recordarmos que não obstante os pontos em comum que há entre as aparições de La Salete (1946), Lourdes (1958) e Fátima (1917), foi somente em Lourdes que Maria se apresentou como a Imaculada Conceição, ao passo que em La Salete ela apenas se identificou indiretamente ao falar de seu Filho, e em Fátima ela se apresentou como a Senhora do Rosário. Com efeito, diante da identificação ocorrida em Lourdes, os mais eruditos teólogos ficam desorientados, como o pároco de Bernadete, a quem diz-se que ela mais temia. Como uma menina de 14 anos, paupérrima, analfabeta e sem catequese poderia ter tamanha intuição teológica da mais alta sofisticação em uma aldeia nos Pirineus franceses? Só há uma explicação: não se trata de intuição teológica, mas de revelação, ainda que particular, da própria Santíssima Mãe de Deus, que parece querer confirmar pessoalmente o dogma de sua Imaculada Conceição definido por Pio IX quatro anos antes em Roma, em 1854.

            É desconcertante para as mentes mais sofisticadas terem de admitir que depois de tantas discussões e debates acalorados ao longo de séculos a respeito da Imaculada Conceição de Maria, depois de tantas defesas e disputas teológicas envolvendo os principais padres e grandes doutores da Igreja, foi exatamente de uma menina pobre, doente e analfabeta que nos veio esta confirmação dos céus. Porém, não há nada de estranho nisto quando recordamos as palavras de Jesus no Evangelho: “Dou-te graças, ó Pai, por teres escondido isso dos sábios e dos eruditos e tê-lo revelado aos pequeninos” (Lc 10, 21). E ainda São Paulo: “Deus escolheu o que há de mais fraco neste mundo” (1Cor 1, 27). As revelações de Lourdes confundem os sábios, colocam os pobres no centro das atenções e revelam a sua santidade oculta. Ora, é evidente que aqui não se trata de exaltar Bernadete só pelo fato de ser pobre, até mesmo porque esta não foi uma condição fruto de escolha. Mas, dentre tantas outras meninas, Bernadete foi escolhida por Maria porque, mesmo em toda a sua miséria, ela rezava profundamente, nunca se queixou dos seus sofrimentos, mas conduziu sua vida unicamente orientada pelo desejo de fazer a vontade de Deus.

Padre Valtemario S. Frazão Jr.

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