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13 de Abril de 2021

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17/03/2021 00:00 - Atualizado em 23/03/2021 15:12
Por: Redação

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Vivemos imersos num tempo no qual as pessoas parecem viver correndo. Tudo precisa ser feito hoje, ao mesmo tempo, agora, “pra ontem”. É como se as pessoas não soubessem “transitar” pela própria existência, entendem o presente apenas como um instante estendido, ignoram o passado e têm medo do futuro.

Essa forma atual de viver tem modificado não só a rotina das famílias, mas principalmente o modo como elas vivem e se relacionam. E as crianças são as mais afetadas, desenvolvem muitas dificuldades, por não saberem lidar com este “moderno” modo de viver de seus pais.

Tudo é muito rápido! Está literalmente a um clique ou a um simples comando de voz. E os pequenos percebem mesmo isso, pois recebem influência direta dos pais superconectados, sempre correndo, fazendo tudo com pressa, sem tempo para uma brincadeira, uma conversa, uma troca de olhares, ou até mesmo para o ócio.

Sem dúvida, a pandemia vem nos lembrar da importância que o tempo tem em nossas vidas e dos benefícios de uma boa conexão com a internet. Se não fossem as redes sociais das paróquias, o trabalho incansável dos agentes da Pascom para nos levar as missas transmitidas, sabe Deus o que estaria sendo de nós.

No entanto, é importante que os pais tomem consciência que os resultados de tudo isto para a infância podem ser bem trágicos, caso não fiquem atentos. Pode afetar tanto a personalidade como também a capacidade de aprendizado da criança.

Assim, vale investir em algumas ações em casa para ajudar a criança a compreender melhor o tempo, circunstâncias e limites. Estimular o estudo de algo que ela goste, por exemplo, a dedicação ao  aprendizado de um instrumento de música. Incentivar o estudo de uma língua, praticar uma atividade física, ler a Bíblia em família, cultivar plantas. Tudo isso pode ajudar os pequenos a entenderem que nem tudo é imediato.

Em Eclesiastes 3:1, Deus nos ensina: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: (2) há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; (3) tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir; (4) tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria…”

Com efeito, o primeiro aprendizado de alguém que se converteu verdadeiramente é que tempo é presente, graça de Deus, e que as coisas não funcionam à nossa maneira, mas sim de acordo com a vontade do Pai.

Neste contexto, um experimento pedagógico, que faz parte das antigas atividades de ciências bastante frequentes na grade curricular, é o plantio de feijão no algodão. Há diversos ensinamentos nessa atividade simples de ser realizada.

Brincando de plantar as crianças vão entender que calma, tempo e persistência são fundamentais para adquirir novas habilidades. E principalmente, que não temos o controle de tudo, há coisas que não dependem de nós. Podemos regar, adubar, colocar no sol, tirar do sol, mas uma semente cresce e se desenvolve no tempo certo, de Deus, não no tempo que a gente acha que é todo nosso.

Uma indicação interessante para falar sobre o tempo e os afetos com os pequenos é a leitura de um livro lançado em 2005 pela Brinque-Book, editora especializada em livros infantis e juvenis: "Chuva de manga", do autor James Rumford.

Formado em literatura francesa na Universidade da Califórnia, na década de 70, Rumford escreveu e ilustrou mais de dez livros infantis. Dentre eles, um muito recomendado pela FNLIJ, chamado "O presente de aniversário do Marajá". Uma fábula que conta as aventuras de um grupo de nove animais, buscando encontrar o presente perfeito.

O conto "Chuva de manga" se passa no país conhecido como o ‘coração morto da África’: o Chade, ”onde o tempo é quente e seco”. Localizado no centro-norte africano, o país não tem acesso ao mar, possui clima predominantemente desértico e em suas regiões raramente chove. A população sobrevive, sobretudo, da agricultura e pecuária de subsistência.

No Chade, bem no início do ano, chove pouco, mas o suficiente para fazer com que belas mangueiras floresçam. Os locais chamam essa chuva de “Chuva de manga”, porque alguns meses depois, no forte calor de abril e maio, as mangueiras amadurecem e as frutas ficam prontas para consumo.
É sobre essa “chuva” que nos fala James Rumford. Com muita sensibilidade, o autor californiano descreve através do menino Tomás, personagem principal da história, a rotina do povo que vive nas secas terras africanas à espera do céu.

Texto e ilustração se completam nesse título de cores vivas e imagens marcantes que transportam o leitor para uma pequena aldeia. O livro nos convida a imaginar o calor da África, os sons, o ritmo do Chade.

“Chuva de manga” é instigante e envolvente, pois nele Rumford faz um paralelo entre o florescer da mangueira e o florescer da imaginação de Tomás.
O garoto tem a ideia de confeccionar seu próprio carrinho de lata, quando, após o cair da chuva, ele avista uma tampinha de garrafa na terra, debaixo da mangueira; “minutos depois, o céu clareia e a chuva acaba. (...) A raiz de uma ideia começa a florescer e ele tem um plano”.

Até o menino realizar seu propósito, ele precisa esperar um longo tempo, já que não possui todo material para fazer o que deseja. Ele recolhe tudo o que precisa: latas, arames, pensando em cada detalhe.

Finalmente, a mangueira floresce, as flores da mangueira "caem, descobrindo as pequenas frutas verdes”. Até que as mangas crescem; e o que antes era verde, torna-se amarelo-ouro. Tomás, então, pede a ajuda do pai para concretizar aquilo que esperou tanto tempo.

Para além de toda a minha pequena análise, quem pegar esse título certamente conhecerá a história de um menino, uma leve chuva, uma mangueira florida e o poder da imaginação. Paciência, determinação e tempo também compõem a história.

Através de Tomás, saboreamos gotas frescas de chuva no rosto, passeamos pelo deserto da África, sentindo a areia nos pés, e nos deliciamos com o sabor de mangas bem madurinhas, retiradas diretamente do pé.
 
Dinair Fonte



 
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