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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/06/2021

24 de Junho de 2021

A Igreja como instituição e seus modelos

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A Igreja como instituição e seus modelos

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21/02/2021 00:00
Por: Redação

A Igreja como instituição e seus modelos 0

Avery Dulles em sua obra intitulada "A Igreja e seus modelos" propõe uma série de modelos de Igreja que seria conveniente utilizar para explicar e explorar algo do mistério da Igreja. Segundo ele, os modelos serviriam para sintetizar e lançar nova luz sobre o mistério. O autor já na introdução da referida obra aponta para o fato de que quando uma imagem de Igreja é utilizada de maneira reflexiva e critica para aprofundar uma visão teórica da realidade, então esta imagem se converte no que se chama hoje um modelo. Dulles apresenta cinco modelos de Igreja, porém aqui nos deteremos muito brevemente no comentário do primeiro deles: a igreja como instituição, ou seja, como uma estrutura que continua o ministério de Cristo, mas não num sentido meramente sociológico. Na segunda edição propunha um novo modelo: a comunidade dos discípulos comprometida no culto e na missão.

            O modelo de Igreja como instituição, segundo Dulles, foi o modelo dominante desde fins da Idade Média até meados do século XX. Este modelo coloca uma forte ênfase na visibilidade da Igreja. Tal ênfase tende a uma visão de igreja como “sociedade perfeita”, no sentido de que não está subordinada a nenhuma outra e nada precisa para ser institucionalmente completa. Forte foco é dado ao governo da Igreja e a sua estrutura.
            Contudo, Dulles faz uma clara distinção entre institucionalismo e reconhecimento da necessidade da instituição para a perpetuação da Igreja. Ele mesmo admite que a Igreja de Cristo não poderia cumprir a sua missão sem alguns elementos de organização. Não poderia unir homens de muitas e diferentes nações numa bem coesa comunidade de convicção, compromisso e esperança, e não poderia servir eficientemente às necessidades da Humanidade se não dispusesse de funcionários (ou seja, pessoas que desempenham funções) capazes e modos de agir convenientemente aprovados.

            Ao longo de sua história, desde seus primórdios, o cristianismo sempre teve um lado institucional: ministros reconhecidos, fórmulas confessionais aceitas e formas prescritas de culto público. Até aí está tudo muito bem e sem problemas. Todavia, o problema está onde se confunde instituição com institucionalismo, papado com papismo, lei com legalismo ou dogma com dogmatismo. Pois, segundo o texto proposto, por institucionalismo entende-se um sistema em que o elemento institucional recebe tratamento preferencial. De modo que o institucionalismo constitui uma deformação da verdadeira natureza da Igreja, deformação que atingiu desastrosamente a Igreja em certos períodos da sua história e permanece em todas as épocas como verdadeiro perigo para a Igreja institucional.

O institucionalismo surge no seio da Igreja a partir de fins da Idade Média e na Contrarreforma, quando os teólogos e canonistas em resposta aos ataques ao papado e à hierarquia acentuaram as características que os opositores negavam. Porém, no período patrístico e em boa parte da Idade Média a teologia católica estava relativamente livre do institucionalismo.

Na eclesiologia institucionalista as funções e os poderes da Igreja são divididos em três múnus: ensinar, santificar e governar. Esta divisão de poderes leva a distinções entre a Igreja docente e a Igreja discente, a Igreja santificadora e a Igreja santificada, a Igreja governante e a Igreja governada. Em cada caso a Igreja como instituição está com a iniciativa de quem age; de quem ensina, santifica e manda, identificando em cada caso a própria Igreja como o corpo governante ou a hierarquia.

Há que se considerar ainda nesse tipo de eclesiologia a concepção histórica de autoridade, em que a Igreja não é concebida como sociedade democrática e representativa, e sim como uma sociedade em que a plenitude do poder se concentra nas mãos de uma classe governante que se perpetua.

Assim, como não poderia ser diferente, esta eclesiologia está defasada das exigências hodiernas. Numa era de diálogo, ecumenismo e interesse pelas religiões mundiais, as tendências monipolísticas desse modelo não podem encontrar espaço. Numa época em todas as grandes instituições são olhadas com desconfiança, torna-se muito difícil atrair as pessoas a uma religião que se dá como fundamentalmente institucional.
Porém, apesar de toda essa ênfase sobre o institucional na teologia católica, sobretudo a partir da Reforma, raramente o modelo institucional da Igreja foi defendido em toda a sua pureza. O próprio esquema do Concílio Vaticano I e as encíclicas de João XXIII e Pio XII, em que muito se insiste na Igreja como “sociedade perfeita ou santa”, nunca identificaram a Igreja exclusivamente com os seus elementos institucionais. Equilibraram a concepção institucional com concepções mais espirituais e orgânicas, tais como as da comunhão da graça ou do corpo de Cristo. Assim, segundo Dulles, para uma compreensão mais plena do institucionalismo moderado é mister inspirar-se nos aspectos comunitários e místicos da Igreja.   

Padre Valtemario S. Frazão Jr.
 
 


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