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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/03/2021

05 de Março de 2021

Cristo é a nossa Paz

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11/02/2021 11:33
Por: Cardeal Orani Jõao Tempesta

Cristo é a nossa Paz 0

Há quase 60 anos que a Igreja no Brasil, durante o Tempo da Quaresma, realiza a Campanha da Fraternidade. Como tempo de conversão e preparação para a Páscoa, a vida deve sempre mais ser examinada para se viver melhor como cristão. Daí a penitência, jejum, abstinência, esmola, confissões, orações e outras atividades quaresmais, além das participações nos sacramentos e devoções que já temos costume durante o ano. A Campanha da Fraternidade é uma ocasião de examinar a nossa vida diante de situações sociais que nos impulsionam à conversão. Por isso, cada ano se escolhe um tema e um lema determinado para nos ajudar a pensar um pouco em nossas ações diárias, seja conosco mesmos, seja com quem convivemos ao nosso redor e com o nosso planeta. Os temas da CF sempre são abrangentes, pois supõem um diálogo com a sociedade. Os assuntos das CFs questionam também a sociedade em diversas formas. Por isso sempre são questões sociais em geral.

O tema e o lema da Campanha da Fraternidade, além de serem mais aprofundados no período quaresmal, orientam também os outros temas e lemas durante o ano todo. A Campanha da Fraternidade quer nos ajudar a viver melhor a Quaresma, chamando-nos à conversão, e por isso é ligada estreitamente à identidade católica, devido ao tempo em que ela é inserida, porém o tema sempre é mais abrangente e chama a todos a sérias reflexões, por isso pode atingir a todos. A Quaresma é sempre um convite à conversão, à mudança de vida, e a Campanha da Fraternidade é um incentivo para essa mudança.

A Campanha da Fraternidade que acontece no Brasil é similar a outras campanhas quaresmais que ocorrem pelo mundo afora, em outros países e até mais antigas que a nossa. Ela tem o aval do Papa Francisco, que sempre dirige à Igreja no Brasil uma palavra que incentiva a vivência do tema da Campanha, como sempre fizeram os Papas anteriores. A Campanha da Fraternidade tem consonância com aquilo que pede o Concílio Ecumênico Vaticano II, tendo uma séria reflexão sobre a missão da Igreja no mundo de hoje com suas alegrias e esperanças.

A Campanha da Fraternidade realizada anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi idealizada, inicialmente em 1961, por três padres responsáveis pela “Cáritas” no Brasil, sob a inspiração do Eminentíssimo Senhor Cardeal Eugenio de Araujo Sales, de saudosa memória, nosso predecessor na Sé Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, e, na época, administrador apostólico de Natal, RN. Eles idealizaram uma Campanha a fim de levantar fundos para ajudar os pobres. E com esse objetivo continua até hoje: partilhando o que se recebe com os programas sociais que são examinados para serem contemplados com ajuda. Os iniciadores deram a essa ideia o nome de Campanha da Fraternidade, que foi realizada pela primeira vez na Quaresma de 1962, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. Em 1964, a Campanha da Fraternidade atingiu todo o Brasil e, desde então, começou a ser em nível nacional.

O primeiro tema da Campanha da Fraternidade em nível nacional foi: “Igreja em Renovação”, tema que coincidia com o atual momento da Igreja, que celebrava o Concílio Vaticano II. A Igreja vivia uma grande transformação por dentro e por fora, pois a Igreja era chamada a se renovar perante o mundo e inovar sua maneira de anunciar o Evangelho. Desde então, a Campanha da Fraternidade foi se solidificando ano a ano, com temas que ajudam a refletir o nosso agir no mundo, perante Deus e com o nosso próximo. Os temas e lemas das CFs foram tomando várias formas no decorrer dos anos de acordo com a evolução da caminhada eclesial.

O próprio nome Campanha da Fraternidade deveria nos ajudar a refletir como estamos tratando o nosso semelhante e ser um incentivo para mudar a atitude com o nosso próximo. E cuidando bem do meio em que vivo, eu não penso somente em mim, mas no meu próximo igualmente.

Sempre esperamos que a Campanha da Fraternidade sirva para ajudar na conversão, e que ela seja um norte para nos conscientizarmos daquilo que precisamos cuidar mais, para que nunca nos falte. Como por exemplo quando tivemos a Campanha da Fraternidade sobre a água, nos alertando para cuidar desse bem tão precioso para todos nós e que ao economizar o uso da água, ao tornar o seu uso mais consciente, não faltará jamais para ninguém. Da mesma forma quando tivemos a Campanha da Fraternidade sobre a Amazônia, nos alertando para o cuidado com a floresta, um patrimônio nacional, um dos pulmões do mundo. Isso para citar apenas duas ocasiões, mas cada ano tem apelos específicos e importantes.

A Quaresma é um tempo de conversão e de mudança de vida, por isso a Campanha da Fraternidade é posta com o intuito de conscientizar a todos, não somente os católicos, e a cada cinco anos é pensada de modo ecumênico. É preciso também se conscientizar de que Campanha da Fraternidade dura os 40 dias da Quaresma, mas a temática posta para a nossa reflexão e vida deve permear todos os dias daquele ano e de nossa vida. Quantas reflexões da CF ficaram até hoje em nossos comportamentos!

A Campanha da Fraternidade deste ano tem como tema: “Fraternidade e diálogo: Compromisso de amor” e como lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”. Este lema tem como base a Carta de São Paulo aos Efésios 2,14. A atual Campanha da Fraternidade é ecumênica, ou seja, foi pensada sob a responsabilidade de um grupo de igrejas cristãs por concessão da CNBB. É a quinta que acontece dessa forma. Todo cristão deve estar aberto à fraternidade e ao diálogo.

Vivemos em um mundo marcado pela intolerância, no qual as pessoas semeiam ódio em seu coração, falta a paciência para com o outro e, por vezes, o mandamento do amor instaurado por Jesus é esquecido. As pessoas doentes, os pobres, os idosos, os marginalizados são esquecidos pela sociedade e descartados. Cabe aos cristãos ser sinal de uma nova atitude, e acolher em seu meio todos os pobres, doentes e marginalizados.

A pandemia da Covid-19 tem-nos dado também uma grande lição e, de certa forma, nos ajuda a refletir que temos que tratar o outro de modo melhor. Se quisermos construir uma sociedade mais justa e fraterna, devemos começar mudando a nossa própria atitude. E essa mudança de atitude deve começar primeiramente entre nós, terminando as intolerâncias e sabendo aceitar a diversidade de situações e opiniões. E fazer com que as relações diárias se pautem pelo diálogo e pelo amor recíproco que vem de Jesus.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica desse ano de 2021 quer mostrar que através do diálogo amoroso e do testemunho da unidade na diversidade, inspirados no amor de Cristo, convidemos as comunidades de fé e as pessoas de boa vontade para pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para a superação das polarizações e da violência que marcam o mundo hodierno.

Esta Campanha quer nos alertar ainda que o diálogo é o caminho para construirmos relações mais fraternas. O Papa Francisco apontou também no discurso durante o encontro com o corpo diplomático sediado na Santa Sé, que a “fraternidade” é uma necessidade de nosso tempo enquanto semeamos “esperança”. Nós como profetas no mundo de hoje devemos denunciar os diferentes tipos de violências praticadas e legitimadas indevidamente até mesmo em Nome de Jesus. Ou seja, pelo Nome de Jesus devemos nos unir e nunca, jamais dividir.

Vivenciemos com alegria a Campanha da Fraternidade desse ano de 2021, participemos de sua abertura na Quarta-feira de Cinzas e cheguemos com generosidade no Domingo de Ramos, encerrando o tempo da Campanha com a Coleta da Solidariedade. Porém, tenhamos consciência de que o assunto será aprofundado durante o ano em vários outros temas e lemas dos tempos (semanas ou meses) temáticos. Que possamos ser sempre sinal de ressurreição para as pessoas. São muitas comunidades e organizações que puderam ser ajudadas durante esses anos com a coleta anual, fruto das penitências quaresmais dos católicos. As dioceses, que ficam com uma parte dessa coleta, tem também oportunidade de um coordenado trabalho social mais localizado em sua região. A visão nacional ou regional da situação social ajuda com que essa ajuda seja para situações graves que chegam ao conhecimento dos coordenadores da Campanha.

Segue abaixo a oração para a Campanha da Fraternidade deste ano, para nos ajudar em nossa espiritualidade:

“Deus da vida, da justiça e do amor, Nós Te bendizemos pelo dom da fraternidade e por concederes a graça de vivermos a comunhão na diversidade. Através desta Campanha da Fraternidade Ecumênica, ajuda-nos a testemunhar a beleza do diálogo como compromisso de amor, criando pontes que unem em vez de muros que separam e geram indiferença e ódio. Torna-nos pessoas sensíveis e disponíveis para servir a toda a Humanidade, em especial, aos mais pobres e fragilizados, a fim de que possamos testemunhar o Teu amor redentor e partilhar suas dores e angústias, suas alegrias e esperanças, caminhando pelas veredas da amorosidade. Por Jesus Cristo, nossa paz, no Espírito Santo, sopro restaurador da vida. Amém”.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


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