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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/11/2020

28 de Novembro de 2020

Sepultar ou cremar? E o que fazer com os restos mortais?

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28 de Novembro de 2020

Sepultar ou cremar? E o que fazer com os restos mortais?

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31/10/2020 00:31
Por: Redação

Sepultar ou cremar? E o que fazer com os restos mortais? 0

No ensejo das celebrações da Comemoração dos Fiéis Defuntos neste início de novembro, penso ser oportuno tratar de um assunto que não raras vezes é objeto de dúvidas e debates entre católicos. Após a morte, que destino deve-se dar aos cadáveres dos fiéis defuntos? Ora, entre nós católicos é tradicional o costume de enterrar os mortos. Contudo, tem se tornado cada vez mais popular no Brasil a cremação. E muitos são aqueles entre nós que manifestam ainda em vida o desejo de seus corpos serem cremados após a morte. Entretanto, é preciso dizer muito claramente que esta prática não faz parte da nossa tradição católica. Mais ainda: trata-se de prática oriunda do paganismo, tanto na Antiguidade quanto nos nossos dias.

Na Antiguidade, entre os pagãos gregos e romanos era comum tanto a inumação (sepultamento) quanto a cremação dos corpos. Evidentemente, eles não concebiam a ressurreição da carne, mas acreditavam em uma espécie de vida após a morte. Outrossim, ainda hoje são muito comuns as diárias cremações a céu aberto ocorridas na Índia, país de maioria hindu, onde os corpos são cremados a céu aberto e as cinzas jogadas no rio Ganges, considerado pelos hindus como um rio sagrado; acreditam eles que após ser queimado o corpo, a alma vai diretamente ao Nirvana até que reencarne em outro corpo humano ou animal. Já os judeus tradicionalmente sempre enterraram os seus defuntos, salvo casos excepcionais, tais como guerras ou epidemias, quando, então, os corpos eram, por razões óbvias, cremados (cf. 1Sm 31,12s; Am 6,9s).

A Igreja desde sua origem praticou exclusivamente a inumação, ou enterro dos cadáveres. Até mesmo em tempos de perseguição, os primeiros cristãos arriscavam suas vidas para recolher os corpos de seus mártires, com o objetivo de sepultá-los digna e piedosamente. E depois de sepultados, os cristãos sempre tiveram o costume de visitar e cuidar dos sepulcros, onde os restos mortais dos fiéis defuntos aguardam a ressurreição no Dia do Senhor, além de oferecer sufrágios pelas almas dos falecidos através de orações, penitências, peregrinações e, principalmente, celebrações de missas.

Ora, a cremação por si mesma em nada contradiz a fé católica. Exatamente por isso a Igreja não se opõe à incineração dos cadáveres, quando esta muitas vezes se faz necessária, como em casos de epidemias, ou da própria pandemia que estamos vivenciando, guerras, tragédias com grande número de mortos ou limitado espaço para novas sepulturas em uma cidade. Assim diz o Catecismo da Igreja Católica: Os corpos dos fiéis defuntos devem ser tratados com respeito e caridade, na fé e na esperança da ressurreição. O enterro dos mortos é uma obra de misericórdia corporal que honra os filhos de Deus, templos do Espírito Santo. (...) A Igreja permite a cremação, se esta não manifestar uma posição contrária à fé na ressurreição dos corpos (cf.: CIC 2300-2301). Porém, a Igreja julga que este não deve ser o destino normalmente imposto aos defuntos. Pois o corpo humano, criado por Deus e por Ele mesmo dignificado na encarnação e ressurreição do Senhor, não deve ser tratado como lixo que é incinerado.

A Igreja nos ensina a tratar com respeito os cadáveres, conscientizando os fiéis a respeito da dignidade única de que goza o corpo humano, por ser ele animado por uma alma espiritual, por ser ele elevado por Cristo à dignidade de templo do Espírito Santo, por ser ele, uma vez banhado nas águas batismais, feito habitação de Deus. Ademais, o corpo do cristão é constantemente nesta vida posto em contato com o corpo de Cristo na eucaristia. Com efeito, este corpo humano que recebeu no batismo a semente da vida eterna e é periodicamente nutrido pela eucaristia, pão da vida eterna, há de ser no último dia, o Dia do Senhor, penetrado pela glória de Deus, ressuscitando transfigurado. É por isso que a Igreja recomenta insistentemente que se conserve o costume de sepultar os corpos dos defuntos, mas não proíbe a cremação, desde que esta não seja motivada por razões pagãs contrárias à fé na ressurreição no último dia.

Porém, uma vez cremado o corpo do defunto, as suas cinzas devem ser conservadas em vista da ressurreição no último dia, assim como os ossos dos corpos sepultados devem também ser conservados em vista deste dia glorioso. Assim, exclui-se a prática, que tem se tornado comum, de se desfazer das cinzas dos fiéis defuntos despejando-as no mar, num rio, num bosque etc. Tanto as cinzas quanto os ossos devem ser conservados em cinzários, ossuários ou sepulcros de cemitérios e igrejas. Pois, ao contrário do que muitos pensam, no dia da ressurreição dos mortos, estes não receberão um novo corpo glorioso, mas os corpos que tiveram nesta vida mortal serão ressuscitados, transfigurados, glorificados. Por isso, seus restos mortais devem ser sempre digna e piedosamente conservados.

Entretanto, enquanto este grande dia não chega, ao qual os cristãos devem aguardar com forte e alegre expectativa, cabe-nos rezar pelos fiéis falecidos, principalmente oferecendo missas em sufrágio pelas almas, a fim de que sejam admitidas na glória celestial, gozando das bem-aventuranças perenes que o Senhor reserva para os seus amigos na feliz eternidade.
 
Padre Valtemario S. Frazão Jr.



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