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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/11/2020

28 de Novembro de 2020

A morte e ressurreição de Cristo, sinal de que Deus quer salvar a todos

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28 de Novembro de 2020

A morte e ressurreição de Cristo, sinal de que Deus quer salvar a todos

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31/10/2020 00:16
Por: Redação

A morte e ressurreição de Cristo, sinal de que Deus quer salvar a todos 0

Caros irmãos, fechando o ciclo de profetas bíblicos que atuaram na época persa, apresentamos na edição desta semana o profeta Jonas e toda a importância de sua obra para falar da universalidade da salvação em Cristo Jesus, mediante sua morte e ressurreição.

Sobre a pessoa do profeta não sabemos praticamente nada, a não ser que foi alguém que conhecia a onipresença e a misericórdia divinas, e que recebeu a missão de pregá-las às nações. Diante disso, fez-se inicialmente uma leitura alegórica da história de Jonas, figura do povo de Israel, que recusou a missão recebida pelo Senhor, por custar a crer que a misericórdia divina pudesse alcançar os pagãos. Assim, só depois de ter sido engolido pela baleia, ou seja, após ter sido arrastado para o desterro em Babilônia, Jonas (o povo eleito) teria aprendido a lição e começado a agir de acordo com a sua missão de profeta (povo da Aliança,  chamado a levar a salvação a toda a Terra).

Ele foi identificado com o profeta Jonas de Amati, mencionado em 2Rs 14,25-27, que conseguiu a conversão da cidade de Nínive no século VIII a.C. Posteriormente, descobriu-se que o Jonas, autor do livro profético, é, na verdade, uma pessoa situada em um momento bem posterior da história de Israel. Assim, o Jonas autor do livro é um profeta da época persa (século VI-IV a.C.), momento em que Israel já estava de volta à Jerusalém, após o desterro. Alguém que se revoltou contra Deus e que sentia medo diante dos perigos de seu tempo. Era muito teimoso e fechado em suas posições, com um olhar muito restrito a respeito da vida. Por outro lado, o profeta Jonas de Amati, mencionado no Segundo Livro dos Reis, viveu no reinado de Jeroboão II (782-753 a.C.). Foi um profeta de costumes antigos que pregou a misericórdia de Deus com Israel e o restabelecimento das fronteiras do povo. Desse modo, o nome e a mensagem de penitência dirigida à Nínive foram os únicos pontos em comum entre os dois profetas, fatores que levaram à sua posterior identificação.

O livro do profeta Jonas é, na verdade, uma narrativa sapiencial, no estilo das antigas novelas hebraicas, tal como Judite, Ester e Rute, escrita com uma intenção muito precisa: mostrar o domínio de Deus sobre todas as nações, não apenas sobre o povo de Israel. No entanto, foi considerado tradicionalmente como um livro profético, pelo teor de sua mensagem, uma vez que o seu ensinamento moral coincide com os demais livros proféticos. A mensagem do livro, muito semelhante a Esdras e Joel, é, no fundo, uma resposta à mentalidade fechada de alguns judeus do século V a.C., que negava que os pagãos poderiam ser salvos. Assim, o livro do profeta Jonas é uma reação a esse modo de pensar, no qual se mostra a grandeza de Deus e a retidão de muitos pagãos, condições que tornaram possível a conversão dos habitantes de Nínive.

O livro, que era lido costumeiramente no Grande Dia do Perdão e da Expiação Judaica (Yom Kippur), mostra que Deus vai restaurar o seu povo, porque Israel tem uma missão universal a cumprir. Dessa forma, a obra é um belo exemplo de como podem ser combinadas a visão exclusivista judaica antiga com uma abordagem mais universalista. Não contendo nenhum oráculo propriamente dito, o trecho do livro que mais se aproxima ao de uma profecia é o citado no versículo quarto do capítulo terceiro: “Dentro de 40 dias Nínive será destruída!” (Jn 3,4). Composto na época persa, o livro, desde sempre, passou a fazer parte do códice dos 12 profetas menores, por falar constantemente de penitência e reconciliação, temas semelhantes à mensagem central dos demais profetas de Israel.

O relato tem três episódios entrelaçados. O primeiro narra a missão recebida por Jonas de pregar a conversão à Nínive, a cidade tida como pagã por excelência. Além disso, falada fuga do profeta para um lugar de ouro e riqueza (Tarsis), bem longe da presença do Senhor. O relato mostra ainda a recusa dos marinheiros pagãos, que temiam a Deus, a hora de lançar Jonas ao mar (Jn 1,15-16). Esse episódio termina com o salmo de confiança que Jonas entoa quando está no interior da baleia e é, em seguida, devolvido na praia. No segundo, mostra-se como Deus novamente dá a Jonas a ordem de pregar a conversão à Nínive (Jn 2), o modo como o profeta executa essa tarefa e como a cidade faz penitência e consegue que o castigo previsto seja suspenso (Jn 3,5-6). No último episódio vemos a irritação de Jonas com o perdão divino à Nínive e a nova lição que o Senhor lhe dá, a respeito do alcance da misericórdia divina. A mamoneira que era a sua alegria fica seca e se perde, situação que deixa Jonas muito triste (Jn 4). Assim, Deus lhe dá um grande ensinamento, mostrando-lhe que se alguém é capaz de compadecer-se por um arbusto, muito maior é a capacidade divina de compadecer-se por uma cidade tão numerosa. Dessa forma, Deus, que poderia condenar a todas as nações, tal como anunciaram os antigos oráculos, também mostra que pode ter misericórdia e perdoá-las. Assim, o relato do profeta deixa em evidência quão precária é a visão redutiva e particularista de alguns judeus da época, que negavam que os pagãos poderiam ser salvos. Na visão desses homens, os pagãos deveriam converter-se para o modo de vida do povo escolhido, ou seja, assumir a lei e todas as consequências próprias do estilo de vida de Israel. Por essa razão, o livro é tão importante para a época, pois mostra a visão de alguém de grande sabedoria e abertura, alguém da época da reforma de Esdras-Neemias, momento no qual a comunidade ainda tinha uma forte tendência a fechar-se em si mesma, esquecendo-se de ser testemunha do Senhor diante do mundo, ao qual deveria levar a bênção de Abraão.

Jonas, desse modo, é figura bíblica de Nosso Senhor, ao fazer referência com sua vida à penitência e à sepultura (morte) e ressurreição, tal como vemos nos evangelhos de São Mateus e São Lucas (Mt 12,39-41; Lc 11, 29-32), onde o próprio Jesus o menciona.
 
"Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas: do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra" Mt 12,39-40.
 
A Tradição da Igreja viu também em Jonas um discreto paralelismo com a figura do Filho pródigo, uma vez que em ambos relatos fica evidente a misericórdia divina, a conversão daquele que se tinha extraviado e a incompreensão daquele que queria para si a exclusividade da eleição divina.
Amados irmãos, peçamos ao Espírito do Senhor que nos faça ver com olhos espirituais todas as intervenções de Deus em nossa vida, a fim de podermos servi-lo com mais amor e decisão. Que nossas pequenas obras, inspiradas pelo Senhor, alcancem os corações daqueles irmãos mais incrédulos e que tudo o que vivermos seja para a honra e glória do Nome de Nosso Senhor, sempre!



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