Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/11/2020

28 de Novembro de 2020

Diácono Luiz Cezar Bahia celebra 25 anos de ordenação sempre com a mesma alegria em servir a Deus e aos irmãos

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28 de Novembro de 2020

Diácono Luiz Cezar Bahia celebra 25 anos de ordenação sempre com a mesma alegria em servir a Deus e aos irmãos

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31/10/2020 00:00
Por: Redação

Diácono Luiz Cezar Bahia celebra 25 anos de ordenação sempre com a mesma alegria em servir a Deus e aos irmãos 0

Evangelizar é a missão mais importante e urgente da Igreja de Cristo. Neste contexto, se faz necessário, cada vez mais, a presença do diácono permanente na comunidade paroquial. Ele é chamado a servir ao Senhor no altar, sendo um reflexo do amor de Cristo em meio à família, no ambiente profissional, na sociedade.

A missão de anunciar o Evangelho na Arquidiocese do Rio de Janeiro também é feita por 270 homens que têm a coragem de entregar a vida a Deus e renunciar a si mesmo. Dentre esses homens, encontra-se o diácono permanente Luiz Cezar Bahia que, no dia 4 de novembro, completará 25 anos de ordenação diaconal.

“Neste período, já celebrei mais de três mil batizados e assisti mais de 500 matrimônios, inclusive o da minha filha Fernanda”, disse o diácono.
O chamado

Mesmo com a certeza de ter escolhido a melhor parte, ao dizer “sim” ao chamado feito pelo Senhor, o diaconato permanente sequer era uma hipótese para ele. “Minha esposa e eu sempre participamos das missas, mas nunca tivemos um comprometimento com a Igreja. Em 1984, fomos convidados para participar da Aliança de Casais com Cristo, na Paróquia de São Roque, em Vila Valqueire, onde se deu nosso engajamento na comunidade. Como eu era militar da Força Aérea Brasileira, comecei a auxiliar o capelão na caminhada com os soldados”, contou.

Assim, tal como Deus fez com Samuel, ao chamá-lo por três vezes, o mesmo aconteceu com o diácono. “Certo dia, o chefe dos capelães perguntou se eu não gostaria de ser diácono. E respondi que nunca havia pensado nisso. Pouco tempo depois, iniciei meus estudos na Escola Mater Ecclesie, e a irmã Lúcia Imaculada, da Congregação de Nossa Senhora de Belém, me fez a mesma pergunta. Mesmo sem resposta, a ideia foi amadurecendo dentro de mim. Pela terceira vez, tive outro chamado: o chefe da assistência religiosa, o arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil, Dom Geraldo do Espírito Santo Ávila, me questionou e pediu para que eu me tornasse o primeiro diácono do Ordinariado militar”, recordou.

Ao ouvir o chamado de Deus e orientado pelo profeta Eli, Samuel respondeu: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta”, da mesma forma, o então militar respondeu: “Eis-me aqui”. “Eu não dei muita importância quando me questionaram sobre essa possibilidade, porque isso não se passava na minha cabeça. Mas, depois, passei a levar a sério e fui conversar com padre Stefan Kajfasz, que era meu pároco, um grande amigo e confessor. Ele me orientou e disse que também tinha a intenção de me preparar para o diaconato”, lembrou.

A preparação para o diaconato permanente aconteceu na Arquidiocese do Rio de Janeiro. Como naquela época ainda não havia escola diaconal, foi preciso um telefonema de Dom Geraldo para o então arcebispo do Rio, Dom Eugenio de Araujo Sales, solicitando a permissão para que o militar recebesse a formação necessária para a ordenação diaconal. “Inicialmente, eu seria ordenado por Dom Geraldo, mas recebi a bênção através da imposição das mãos de Dom Eugenio, na celebração de seus 75 de vida, no dia 4 de novembro de 1995, após cinco anos de formação. Sempre tive obediência a Deus, a Dom Eugenio  e aos seus ministros, uma marca do meu ministério. Dom Eugenio, que foi uma pessoa muita querida, cheguei a presidir o Ofício das Leituras nas suas exéquias”, explicou.

Família, Igreja doméstica
Antes de tornar-se diácono, é de extrema importância que a família do candidato esteja de acordo, uma vez que a missão não será apenas dele, mas de todos os membros. E não foi diferente com o diácono Cezar Bahia. “Quando fui conversar com padre Stefan sobre o diaconato, ele me disse que, antes de qualquer coisa, queria conversar com minha esposa, Giselda. Segundo ele, ela teria autoridade para impedir a candidatura. Nesse dia, ela disse algo muito importante: ‘Quem sou eu para dizer não a Deus?’. Assim, estamos juntos, há 25 anos em família: Giselda (esposa), Bruno (filho), Fernanda (filha), Rodrigo (genro) e Mariana (neta), nessa caminhada diaconal”, comentou.

A missão
Após a ordenação, diácono Cezar Bahia foi designado para a Paróquia Nossa Senhora do Amparo e Santa Maria Goretti, em Cascadura, onde foi batizado. “Eu atuava na paróquia ao lado do então pároco, padre Antônio Carpinteiro. Foi uma bênção servir ao lado dele, aprendi muito e éramos parceiros na missão. Nessa época, o jornal "Testemunho de Fé" ainda era preparado na paróquia. Mesmo servindo na comunidade, às vezes, eu ajudava Dom Eugenio nas missas como diácono assistente”, relatou.

Aos poucos, o diácono foi adentrando em mares mais profundos, seguindo sempre o chamado do Senhor. “Eu estava perto de me aposentar na FAB, quando o monsenhor Helio Pacheco me ligou, em 2002, um tempo após Dom Eusébio Oscar Scheid assumir como novo arcebispo. Ele me disse que o arcebispo precisava de um diácono permanente e, como éramos da mesma turma e ele conhecia minha caminhada, acabou me indicando, o que foi prontamente aceito por Dom Eusébio”, comentou.

Desde então, diácono Cezar Bahia passou a atuar na Cúria Metropolitana. Embora não tivesse um salário, assumiu a missão tal como um funcionário, inclusive, obedecendo aos horários de entrada e saída. Entretanto, cinco meses depois, houve a criação da Comissão Arquidiocesana de Pastoral que, para Dom Eusébio, deveria ser composta por um sacerdote, um diácono, uma religiosa e uma leiga. “Dessa forma, compuseram a comissão o então padre Joel Portella Amado; eu representei os diáconos, irmã Gabriela e Helena Rios, além da Alice, que permaneceu como secretária. Muitos trabalhos foram realizados a partir dessa comissão, inclusive o 10º Plano Pastoral de Conjunto”, salientou.

Num determinado momento, o então secretário de Dom Eusébio, padre Cláudio dos Santos, adoeceu. “Eu estava de férias quando Dom Eusébio me ligou e perguntou se eu poderia substituir padre Cláudio por 30 dias. Pedi para que conversasse com minha esposa. Após os 30 dias de substituição, ele me pediu mais 30 dias. Novamente pedi: converse com a Giselda. Após esse período, ele me disse que o padre Cláudio não voltaria, mas que ele gostaria que eu permanecesse. Pedi para que falasse com a Giselda novamente”, contou, entre risos.

Nesta época, quando Dom Eusébio pediu para deixar tudo para ficar exclusivamente com ele, ele foi coordenador dos diáconos por sete meses.

Diácono Cézar Bahia atuou como secretário do arcebispo durante quatro anos e só deixou o cargo porque precisou se afastar, uma vez que descobriu que sofria de Síndrome de Meniére, que compromete o equilíbrio. “Fiquei afastado durante um ano. Ao retornar, o então vigário episcopal do Vicariato Oeste, monsenhor Luis Arthur Marques de Barros Falcão, perguntou se eu poderia assumir a administração da Paróquia Maria Mãe da Igreja e São Judas Tadeu, em Padre Miguel, uma vez que a congregação religiosa que administrava estava entregando a paróquia o sacerdote era vigário dominical e não tinha condições de assumir. Durante 30 meses, estive à frente da comunidade de forma administrativa. Foi quando a síndrome se manifestou novamente. Mas, a essa altura, a comunidade já recebia um pároco, padre Cláudio Manoel Luiz de Santana, o qual permanece até os dias de hoje”, relatou.

Mesmo orientado pelos médicos a abandonar todas as atividades, ele encontrou uma saída para continuar servindo e exercendo a missão para a qual foi chamado. “Pensei em procurar o pároco da minha paróquia de residência, São Roque, que era religioso palotino. Conversei com padre Tadeu, que era o pároco, e ele aceitou que eu exercesse o ministério na comunidade. Depois de 15 anos de ordenado, finalmente, havia chegado à minha paróquia de origem, onde permaneço e sirvo até hoje”, exclamou.

Alegria em servir
Ao longo desses 25 anos de serviço e missão, muitos são os acontecimentos, as lembranças e recordações. “São 25 anos, mas parece que foi ontem que fui ordenado, porque as coisas de Deus são sempre atuais. Claro que encontramos dificuldades, mas as graças também são derramadas. Deus nos chama, nos dá a missão, mas também nos concede condições para exercê-las. Todos os anos, no dia de minha ordenação, busco renovar meu compromisso e levo isso muito a sério. O que fez a diferença em minha vida é a devoção em Nossa Senhora Aparecida. O Santuário Nacional, em Aparecida (SP), tornou-se a segunda casa de minha família, porque, na casa da mãe, podemos encontrar o Filho”, ressaltou.

Além das experiências de vida e de fé, diácono Cézar Bahia também teve a oportunidade de sempre mais aprofundar a fé. Um exemplo foi a participação dele durante a quinta edição da Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, realizada em 2007, em Aparecida. “Eu tenho uma foto com o Papa Bento XVI por conta deste dia. Na ocasião, Dom Orani João Tempesta, na época arcebispo de Belém, e o então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, hoje Papa Francisco, fizeram parte de meu grupo de estudos”, disse.

O diácono também encontrou-se com São João Paulo II por cinco vezes. “Trabalhei na visita do primeiro Papa ao Brasil. Recebi do Papa um cravo e uma rosa e dei para Giselda de presente. Guardamos, com o tempo elas foram secando. Estão guardados em dois recipientes. São relíquias que temos de João Paulo II, hoje santo. Eu estive com um santo e com vários homens santos de nossa arquidiocese, que me ajudaram na caminhada”, argumentou.

O único lamento é não poder celebrar a data da ordenação ao lado dos irmãos de turma. “Quando formos ordenados, além de mim, havia mais três diáconos: Francisco de Assis Maciel, José Pedro de Medeiros e José Macedo Filho, os quais faleceram. Rezo pedindo a intercessão deles. Tenho certeza de que, junto a Deus, eles intercedem por mim”, rogou.

Por fim, o diácono Cézar Bahia ressaltou que o “Eis-me aqui” proferido há 25 anos continua o mesmo, sempre com a alegria em servir a Deus e aos irmãos. “Quando comecei, éramos poucos. Conhecíamos uns aos outros pelo nome e todos sabiam quais eram os candidatos. Minha turma foi a sexta a ser ordenada. Quando fui ordenado, éramos 20. Hoje, somos 270. Meu lema era "Eis-me aqui" e continua sendo o mesmo até hoje, sempre com a alegria em servir ao outro. Quando você diz sim ao próximo, você diz o mesmo a Deus: é o Cristo Servidor”, encerrou.

Carlos Moioli



 
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