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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 25/11/2020

25 de Novembro de 2020

Rosário: sinal de esperança na história da Igreja

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25 de Novembro de 2020

Rosário: sinal de esperança na história da Igreja

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13/10/2020 11:47
Por: Redação

Rosário: sinal de esperança na história da Igreja 0

Na audiência geral do dia 30 de setembro, o Santo Padre, o Papa Francisco, ao dirigir-se aos peregrinos poloneses, recordou o mês de outubro, dedicado em toda a Igreja ao Rosário, como um tempo propício para que a oração mariana seja vínculo de unidade para as famílias: “Sejam fiéis ao costume de rezar o Rosário nas suas comunidades e, sobretudo, nas famílias. Meditando cada dia os mistérios da vida de Maria à luz da obra salvífica do seu Filho, faça com que ela participe das alegrias de vocês, das suas preocupações e dos momentos de felicidade.” Sem dúvida uma das devoções mais divulgadas em meio ao fiéis católicos, ainda hoje, a Oração do Rosário deve ser em meio aos homens sinal de esperança diante das vicissitudes do caminhar da Igreja.

A história do Rosário está tradicionalmente atrelada à ordem dominicana. Segundo venerável tradição em 1214, a Virgem Santíssima teria aparecido a São Domingos, naquele momento angustiado pela intensa luta na conversão dos hereges cátaros no sul da França, e teria lhe recordado a Oração do Rosário como poderosa oração na conquista dos corações mais endurecidos. Chamado também na época de “saltério angélico”, por ser composto de 150 Ave-Marias, numa clara referência aos 150 salmos do saltério bíblico, a Oração do Rosário logo alcançou grande divulgação e popularidade, graças ao intenso trabalho missionário dos frades dominicanos.

À medida que a devoção foi se desenvolvendo, foi também se enriquecendo com meditações que a ligavam aos mistérios da vida de Cristo e de sua Mãe, fazendo do Rosário uma forma de meditação bíblica. Vão se formando, assim, os três conjuntos de mistérios – gozosos, dolorosos, gloriosos – divididos cada um em cinco mistérios. Dessa forma, vai se popularizando também o costume de rezar cada um desses conjuntos de mistérios ao longo da semana, ou seja, um terço do Rosário rezado por dia, fazendo com que a própria oração seja conhecida como “terço”.

A Oração do Rosário terá como seu grande incentivador, no século XVI, um Papa dominicano, São Pio V. Em 1569, pela Bula Consueverunt Romani Pontifices, o Papa exorta todo o povo cristão a ter na Oração do Rosário a grande arma diante das dificuldades pela qual passava a Igreja. Assim se expressará o Santo Pontífice: “Graças ao Rosário e à sua difusão no mundo, os fiéis excitados pela meditação, abraçados pelas suas orações, se tornaram outros homens. Dissiparam-se as trevas da heresia, e a fé católica brilha com novo esplendor” Essa certeza do Papa na eficácia da oração mariana se manifesta principalmente três anos depois. Diante da invasão dos otomanos na Europa, São Pio V conclama todos a pedirem a intercessão da Virgem pela vitória dos cristãos através da Oração do Rosário. E, de fato, a 7 de outubro de 1571 os cristãos vencem os otomanos na batalha naval de Lepanto. Atribuindo a vitória à incessante Oração do Rosário pelos fiéis, São Pio V institui o dia 7 de outubro como a Festa de Nossa Senhora das Vitórias, posteriormente chamada de Festa de Nossa Senhora do Rosário.

No século XIX, será o Papa Leão XIII o grande apóstolo do Rosário, escrevendo pelo menos 26 documentos pontifícios sobre o saltério da Virgem. Pela Encíclica Supremi Apostolatus Officio, de 1883, Leão XIII institui o mês de outubro como um mês dedicado ao Rosário, na esperança de que “os fiéis se hão de colocar com sempre mais ardente entusiasmo sob a proteção e assistência de Maria, e continuarão a amar com crescente fervor a prática do Rosário, que nossos pais costumavam considerar não só como um poderoso auxílio nas calamidades, mas também como um distintivo honorifico da piedade cristã”.

Em 2002, será a vez de São João Paulo II de, pela carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, exortar os fiéis a procurarem sempre no Rosário a intercessão da Virgem, na “confiança de que a sua materna intercessão tudo pode no coração do Filho.” Por esse belíssimo documento, que bem pode-se dizer um tratado do Rosário, o Santo Padre instituiu mais um conjunto de mistérios, os mistérios luminosos: “Para que o Rosário possa considerar-se mais plenamente ‘compêndio do Evangelho’, é conveniente que, depois de recordar a encarnação e a vida oculta de Cristo (mistérios da alegria), e antes de se deter nos sofrimentos da paixão (mistérios da dor), e no triunfo da ressurreição (mistérios da glória), a meditação se concentre também sobre alguns momentos particularmente significativos da vida pública (mistérios da luz). Esta inserção de novos mistérios, sem prejudicar nenhum aspecto essencial do esquema tradicional desta oração, visa fazê-la viver com renovado interesse na espiritualidade cristã, como verdadeira introdução na profundidade do Coração de Cristo, abismo de alegria e de luz, de dor e de glória”.

Percorrer o caminho da Oração do Rosário, ao longo da história da Igreja, é perceber a ação amorosa de Deus que, dando a Virgem Santíssima como mãe protetora da Igreja, envia sempre o Seu auxílio diante das dificuldades. Seja nas dificuldades com as heresias na Idade Média, nas batalhas do século XVI ou nos desafios do mundo globalizado do século XXI, o Rosário da Virgem Santíssima se insere como um sinal claro e eficaz da esperança cristã, como que envolvendo a barca da Igreja de proteção e refúgio diante do mar revolto desse mundo. São João Paulo II, ao fim da carta Rosarium Virginis Mariae, a todos exorta: “Que este meu apelo não fique ignorado!” Ele como que ecoa aquelas palavras ouvidas pelos Pastorinhos de Fátima da boca da própria Virgem: “Rezai o terço todos os dias”. Sim, que a cada dia possamos oferecer a Virgem Santíssima nossa coroa de rosas, confiando em seu materno amor, confiantes de que não deixará de apresentar nossas humildes súplicas ao Rei da eterna glória. Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!
 
Eduardo Douglas Santana Silva
Seminarista da etapa formativa discipulado III - 3 º ano de filosofia
 


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