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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2020

20 de Outubro de 2020

Irmãos, por causa do Evangelho!

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28/09/2020 23:54
Por: Redação

Irmãos, por causa do Evangelho! 0

Caríssimos irmãos, dando sequência ao nosso estudo dos livros proféticos, conheceremos, hoje, a obra do profeta Abdias, de quem nos chegaram muito poucos dados até o momento, e que, no entanto, nos ajuda muito a compreender a dimensão universal do Evangelho que abraçamos pela fé.

Chamado também de Obadias (Obadyah), segundo uma tradição judaica tardia cujo significado delimita a sua missão de vida, servo ou adorador do Senhor, Abdias, associado por muitos estudiosos ao mordomo de palácio do rei Acab (1Rs 18,3-16), é um dos profetas menores da Sagrada Escritura. Com uma obra de apenas 21 versículos, o menor livro do A.T., Abdias é autor de uma mensagem base, datada inicialmente do século do 587 a.C., ano da queda de Jerusalém, sobre a qual foram sendo feitas muitas alterações e ampliações ao longo de mais dois séculos, até que se chegasse à redação final no século IV a.C., mais precisamente até a conquista de Edom pelos Nabateus, em 312 a.C. Com o original hebraico ainda bem conservado, o texto fala sobre o castigo divino que sobrevirá sobre os inimigos do povo eleito (edomitas), sendo situado exatamente após o livro de Amós, que menciona a Edom no final da obra.

A estrutura literária da obra tem três partes. Na primeira, Oráculo contra Edom (vv. 1-7), fala-se do juízo divino e da ruína de Edom. Na segunda, elenca-se uma série de denúncias contra os edomitas (vv. 8-14), declarando-se que o  principal pecado deles foi o de não ter prestado socorro a seus irmãos, os filhos de Jacó, que viviam em Judá e estavam sendo vitimados pela fúria dos babilônios. Nesse sentido, os edomitas são acusados não apenas de omissão, mas de terem se alegrado pela desgraça ocorrida em Judá, tendo-se aproveitado da ocasião para zombar de seus irmãos, saqueá-los e invadir o território deles, ocupando assim o sul e o leste de Judá, situação que se estendeu até o início da época persa. Na terceira parte do livro, anuncia-se formalmente o Dia do Senhor (vv. 15-21) sobre todas as nações da Terra, com o respectivo triunfo do povo escolhido, a restauração definitiva de Israel e o anúncio do Reinado de Deus.

A história de desavenças entre israelitas e edomitas remonta aos tempos da travessia pelo deserto em direção à terra prometida, tendo-se originado a partir do episódio do roubo da bênção de Esaú por Jacó (Gn 27), dando-se assim origem a uma relação marcada pela inveja, pelo rancor e a rivalidade, sem que contudo nunca lhes faltasse a mão providente do Senhor. Como sabemos pelos relatos da Escritura, os edomitas são os descendentes de Esaú, o irmão de Jacó, e recebem esse nome porque o termo Edom é aplicado a Esaú. A palavra Edom vem de um termo hebraico que faz referência à cor vermelha. Além disso, há também a possibilidade de que o nome fizesse referência à cor ruiva de Esaú e à coloração da própria região ocupada pelos edomitas, formada por montanhas de arenito vermelho, território situado ao sul da Palestina e da Transjordânia. Assim, o reino de Edom fazia fronteiras com o deserto da Judeia e o Mar Morto, a Península do Sinai, o deserto sírio e o Golfo de Ácaba – Monte Seir. Tendo-se estabelecido nessa localidade, os edomitas se miscigenaram com os habitantes originários do lugar, formando assim um povo dominante na região e, consequentemente, inimigo do povo eleito.

Tendo-se organizado previamente em tribos e instaurado uma monarquia própria muito antes do povo eleito (Gn 36,15-40; 1Cro 1,43-54), os edomitas sobreviveram da extração do cobre, do comércio e da taxação das caravanas comerciais que cruzavam o seu território. Segundo o livro dos Números (20,17), quando os israelitas estavam a caminho da terra prometida, em determinado ponto de sua viagem se depararam com o território dos edomitas. Na ocasião, Moisés pediu permissão para que o povo de Israel pudesse atravessar o território de Edom pacificamente, comprometendo-se a não defraudá-lo, pagando até mesmo pela água que seria consumida pelos animais. Mesmo assim, o rei de Edom negou o acesso ao povo de Israel (Nm 20,18), razão pela qual os israelitas tiveram de fazer um longo desvio pelo deserto para evitar o território, e o Senhor proibiu ao seu povo de abominar aos filhos de Edom (Dt 23,7-8). Tempos depois, quando Josué fez a distribuição do território entre as tribos de Israel, a terra dos edomitas não foi invadida (Js 15,1-21). Tempos depois, no reinado de Davi, os edomitas foram subjugados por Israel (2 Sm 8,13-14), sendo muitos deles mortos durante esse processo de conquista. Os filhos de Edom, no entanto, novamente conquistaram sua independência depois da morte do rei Salomão e a divisão dos reinos. No tempo do rei Josafá (870-848 a.C.), eles se reuniram com os amonitas e os moabitas numa ofensiva contra Judá, mas acabaram lutando uns contra os outros (2Cro 20,1-23). No tempo dos assírios (s. VII a.C.), Edom tornou-se vassalo, sendo obrigado a pagar-lhes tributos. Assim, por esse breve resumo da história, podemos ver como a rivalidade com Israel permaneceu latente, sendo os edomitas inclusive mencionados no Salmo 137 (136),7 como um povo que comemorou a queda de Jerusalém diante do exército do rei Nabucodonosor. Dada toda essa trajetória de rivalidades com o povo escolhido, alguns profetas, dentre eles Abdias, de modo mais incisivo, anunciaram o julgamento divino contra Edom (cf. Jr 49,7-22; Ez 25,12; Am 9,12; Ab 10,10-18), e a história mostrou que o território de Edom foi sendo tomado pelos árabes e também pelos nabateus. Após as conquistas da dinastia dos asmoneus, alguns edomitas desalojados se estabeleceram mais ao sul da Palestina, tendo-se misturado aos hebreus e sido submetidos à circuncisão.

O livro de Abdias guarda uma relação bem discreta com o N.T., no qual se cita discretamente a sua última frase no livro do Apocalipse: “(...) subirão, vitoriosos, o monte Sião para julgarem a montanha de Esaú; e ao Senhor pertencerá a realeza”, cfr. Ab 1,21; Ap 11,15 – “(...) o império de nosso Senhor e de seu Cristo estabeleceu-se sobre o mundo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos”. Santo Agostinho, em A Cidade de Deus 18,31, nos fala que Esaú [Edom] são os pagãos necessitados da salvação, e que a pregação do Evangelho é capaz de convertê-los de inimigos em irmãos”. Eis aqui a verdadeira chave de leitura para entender a mensagem do livro de Abdias! A história de israelitas e edomitas nos mostra, nos seus detalhes, o quanto a mão poderosa e providente do Senhor nunca deixou de agir nessa relação tão conflitante e difícil, a fim de conduzir todos os homens à salvação por meio da sua obra redentora. De fato, o Senhor nosso Deus, sempre fiel à sua Aliança com Israel, quer salvar a todos por meio do Seu povo escolhido e a história da revelação nos mostra que assim foi feito, quando Israel era livrado de seus “inimigos”, e quando padecia em outras ocasiões, temporariamente, sob as mãos dos mesmos. Nosso Deus que abomina o pecado, renovou sobre o Novo Israel, a Igreja, em Jesus Cristo, o seu compromisso de amor por meio de uma Aliança nova e definitiva, capaz de nos fazer superar todas as divisões, conflitos e injustiças do passado.
Caros irmãos, não obstante a todos os nossos conflitos, tribulações e dificuldades do passado, precisamos recordar que hoje vivemos pela graça daqu’Ele que nos resgatou do pecado, ofertando o seu próprio sangue para nos salvar, derrubando assim todos os muros da inimizade (cfr. Ef 2,14-15). Por Ele e por seu Evangelho devemos nos esforçar para romper todas a barreiras do ódio, da indiferença e do rancor, buscando superar tudo por meio da graça do perdão e da reconciliação. Que o Espírito Santo nesta semana encontre nossos corações mais abertos e disponíveis para essa graça.

Padre Igor Antônio Calgaro
Vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha, em Botafogo
Pensedireito.info




 
 
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