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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2020

20 de Outubro de 2020

O Cristo Redentor e a civilização do amor

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O Cristo Redentor e a civilização do amor

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28/09/2020 23:22
Por: Redação

O Cristo Redentor e a civilização do amor 0

Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele (1Jo 4,16). O termo ‘civilização do amor’ foi utilizado pelo Papa Paulo VI no domingo de Pentecostes de 1970. Naquela ocasião, o Santo Padre explicava que o derramamento do Espírito Santo inaugurou a civilização da paz e do amor no mundo, marcando também o nascimento formal da Igreja como Corpo Místico de Cristo. Um dos sinais visíveis daquele acontecimento foi o milagre da diversidade de línguas. Estavam presentes partos, medos, elamitas, romanos, judeus, cretenses e árabes. Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? (At 2, 9). A explicação é que ao ruído daquele vento impetuoso, que desceu sobre as pessoas como línguas de fogo, todos ficaram cheios do Espírito Santo, como que embriagados de vinho doce (At 2,13). O termo ‘civilização’ supõe a superação de uma realidade desorganizada de conflito para uma sociedade onde reina a paz, a harmonia e a concórdia, como frutos do Espírito. Quando o sopro divino começou a pairar sobre o mundo, a terra estava sem forma e vazia (Gn 1,2|), mas o Espírito Santo agiu transformando o caos em cosmos, fazendo brilhar a ordem e a beleza. O Santuário Cristo Redentor é um modelo concreto desta realidade, onde podemos sentir o sopro de Jesus ressuscitado (cf. Jo 20,22), fazendo com que pessoas de povos diferentes convivam na paz e na harmonia, contemplando a beleza do mundo.

O hino Veni Creator exprime em símbolos aspectos da beleza do Espírito Santo: o vento, a água, o fogo, o óleo, o vinho. O nome hebraico do Espírito Santo é Ruah, que significa ao mesmo tempo o vento e a respiração: Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida (Gn 2,7). O Espírito Santo é suave, delicado e pacífico como a respiração e, ao mesmo tempo, é ousado como o vento impetuoso, capaz de sacudir as águas do oceano: o vento sopra onde quer e lhe ouves a voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito (Jo 3,8). A água é como a fonte que nos lava e nos traz a vida. O Evangelho de São João associa a água e o Espírito Santo. Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: do seu coração manarão rios de água viva (Jo 7,37-38). A água gera vida, purifica por fora, o fogo a consome, purifica por dentro. São as línguas de fogo que descem sobre a Igreja reunida em Pentecostes. Examina-me, Senhor, e submete-me à prova, purifica no fogo meus rins e meu coração (Sl 26,2). O óleo representa a unção espiritual, o perfume, o bom odor da santidade que emana dos sacramentos da Igreja, a fragrância de Cristo. Quanto a vós, a unção que d'Ele recebestes permanece em vós (1Jo 2,27). O vinho representa a vida nova afastada do pecado, a sóbria alegria do Espírito Santo, à experiência de Deus. Na Sagrada Escritura, conhecer significa experimentar: por tê-Lo conhecido, acreditamos no amor que Deus tem para conosco (1 Jo 4,16).

Todas estas imagens nos ajudam a compreender as propriedades do Espírito Santo, mas não conseguem expressar plenamente a realidade do amor. O Pai é aquele que ama, o Filho é aquele que é amado e o Espírito Santo é o amor que os une. Este mesmo Espírito foi derramado sobre nós em Pentecostes num acontecimento perene, que se renova a cada dia e espera de nós uma resposta: Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros (1Jo 4,11). Este é o exemplo deixado por Jesus e por tantos santos e santas que o seguiram até o alto da montanha, como Madre Teresa de Calcutá, São Francisco de Assis, Santa Teresa de Liseaux, São Padre Pio e o servo de Deus Guido Schäffer. O padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia, usa um belo exemplo para ilustrar como a prática da caridade nos beneficia.  Em Israel, as águas do Rio Jordão abastecem o Mar da Galileia, seguem seu curso e deságuam no Mar Morto. O Mar da Galileia, que permite a água fluir, é cheio de vida, mas o Mar Morto não tem saída e por isso também não tem vida. Assim acontece com aqueles que praticam o amor, tem uma vida em abundância e a herança da eternidade. O Senhor Jesus retribui com generosidade o pouco que lhe oferecemos: Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante vos será colocada na dobra de vossa veste, pois a medida que usardes para os outros servirá também para vós (Lc 6,38). Que a estátua do Cristo Redentor, de braços abertos, possa nos servir de inspiração para a prática da caridade. Em 1975, na conclusão do ano santo, o Papa Paulo VI nos falou novamente sobre a civilização do amor. Não o ódio, nem a disputa, mas o amor gerador de amor, o amor do homem pelo homem, não por algum provisório e equivoco interesse, ou por alguma amarga e mal tolerada condescendência, mas por amor a Ti, a Ti ó Cristo percebido no sofrimento e no necessitado de todo o semelhante. A civilização do amor proverá em todas as lutas sociais e dará ao mundo a sonhada transfiguração da Humanidade finalmente cristã. Assim se conclui ó Senhor este ano santo, assim irmãos, repreenda corajoso e alegre o nosso caminho no tempo para o encontro final, que até agora coloca sobre nossos lábios a extrema invocação: Vem, ó Senhor Jesus (Ap 22,20).

Seminarista Alexandre Pinheiro



 
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