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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

O Cristo Redentor e a construção da cultura da paz

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23 de Setembro de 2020

O Cristo Redentor e a construção da cultura da paz

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16/09/2020 18:08
Por: Redação

O Cristo Redentor e a construção da cultura da paz 0

Felizes os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9).

Uma das primeiras maquetes da estátua do Cristo Redentor, de um metro, esculpida por Paul Landowski em Paris, em 1924, tinha uma citação do Sermão da Montanha no pedestal do monumento. Havia também cenas da vida de Cristo em baixo relevo, circulando o pedestal. Depois, no modelo de quatro metros feito em 1925, a inscrição foi substituída pelos dizeres 'Christus vincit, regnat, imperat'. As linhas do manto de Jesus também foram simplificadas, adquirindo traços geométricos no estilo Art Déco. O piso do interior da capela, dentro do pedestal, tinha detalhes em mosaico, com o coração de Jesus no centro. Por uma questão de economia e praticidade, as inscrições no pedestal, as cenas da vida de Cristo e o mosaico no interior da capela foram retirados na execução. O simbolismo do Cristo Redentor ressuscitado, de braços abertos, já era a representação de um novo Sermão da Montanha, realizado sobre o Monte Corcovado.

A aparição de Jesus ressuscitado sobre a montanha foi a única marcada com antecedência, diferente das anteriores, em que Cristo apareceu de improviso: os onze discípulos foram para a Galileia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. Quando O viram, adoraram-No (Mt 28, 16-17). Naquele momento, o próprio Jesus declara: toda autoridade Me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai todas as nações (Mt 28,18). Alguns autores acreditam que esta aparição  pode ter reunido outros discípulos além dos onze, pois São Paulo, escrevendo por volta do ano 52, menciona uma aparição a mais de 500 irmãos de uma vez, dos quais muitos ainda vivem, e alguns morreram (1 Cor 15,6). No primeiro Sermão da Montanha Jesus falou diante de multidões, embora tenha se dirigido, sobretudo, aos discípulos ao redor d'Ele. Talvez isso tenha acontecido também no segundo Sermão da Montanha, pois o que Jesus disse era endereçado à Igreja: no primeiro sermão o Mestre apresentou o núcleo do Evangelho, e no segundo ordenou sua difusão pelo mundo inteiro. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo (Mt 28,20), disse Jesus. Esta confiança na promessa de Cristo nos transmite grande paz, pois Deus é luz, amor e também paz: Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração nem se atemorize (Jo 14,27). Isto não significa que a vida cristã não tem tribulações, como estamos vivendo no momento atual. A paz que Jesus nos traz não depende da ausência de dificuldades: Referi-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo haveis de ter tribulação. Coragem, pois eu venci o mundo (Jo 16,33).

 A paz é fruto da união com Deus e um dom do Espírito Santo. Como ensina Santo Agostinho, apenas em Deus o ser humano encontra repouso para sua alma, pois tudo foi criado por Ele e para Ele (Cl 1,16). O verdadeiro cristianismo é caracterizado pela paz, que significa presença de Deus: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e achareis descanso para vossas almas (Mt 11,29). A pomba branca é ao mesmo tempo o símbolo do Espírito Santo e da paz. Embora a paz seja uma propriedade da Trindade, é de modo especial um atributo do Espírito Santo, que é o vínculo de amor entre o Pai e o Filho. Jesus ressuscitado declara aos seus discípulos, ‘Shalom’: A paz esteja convosco! (Jo 20,19). E logo depois soprou sobre eles, dizendo: Recebei o Espírito Santo (Jo 20,22). No livro do Gênesis, os homens buscam sua própria glória construindo a Torre de Babel, e não se entendem em suas várias línguas (Cf. Gn 11, 1-9). Em Pentecostes, porém, os homens buscam fazer a vontade de Deus, reunidos em oração, e se entendem, apesar de falar línguas diferentes (Cf. At 2,1-13). A paz é um dos frutos do Espírito Santo: o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança (Gl 5,22). No alto do Corcovado, ao redor da imagem do Cristo Redentor, as pessoas chegam das mais diversas nações, e se entendem, apesar de falar línguas diferentes. No Santuário Cristo Redentor, o ser humano pode estar em paz nas suas relações fundamentais, com Deus, com a natureza, com o próximo e consigo mesmo. Naquele lugar sagrado, o diálogo ecumênico entre os cristãos é frutuoso, assim como o diálogo inter-religioso, pois todos temos um único Deus. Este é o ensinamento de São Paulo: Na medida do possível, e enquanto depender de vós, vivei em paz com todos (Rm 12,18).

Jesus estabeleceu a paz, matando em si mesmo a inimizade (Ef 2,15). Como cristãos, temos confiança de que Jesus veio nos trazer o dom da paz, preenchendo um anseio fundamental do ser humano. Através da sua encarnação, morte e ressurreição, e com o derramamento do Espírito Santo, Cristo nos capacita a sermos promotores da paz num mundo em conflito. É Ele a nossa paz (Ef 2,14). A construção da estátua do Cristo Redentor foi um marco de fé, amor e esperança para o Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo inteiro. O monumento do Corcovado é um convite para que a Humanidade trabalhe também na construção da cultura da paz.  A Igreja nos ensina que a paz tem uma irmã, que se chama justiça. Por isso existe um Pontifício Conselho para a promoção da Justiça e da Paz. Na cidade de Deus, diz o salmista, a bondade e a fidelidade outra vez irão se unir, a justiça e a paz de novo se darão as mãos (Sl 84,11). Não pode haver verdadeira paz no mundo sem justiça social, que cure os sofrimentos de mazela e pobreza que assolam o próprio corpo de Cristo. No início da encíclica "Pacem in Terris", o Papa João XXIII escreveu: A paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus (PT n.1). São Francisco de Assis nos dá o exemplo desejando a todos ‘Paz e Bem’. E Nossa Senhora, a mãe de Jesus, intercede por nós, para que nunca nos falte o vinho novo do Espírito Santo da paz.

Seminarista Alexandre Pinheiro



 
 
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