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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

O servo não é maior que o seu Senhor (Jo 15,20)

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23 de Setembro de 2020

O servo não é maior que o seu Senhor (Jo 15,20)

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16/09/2020 17:59
Por: Redação

O servo não é maior que o seu Senhor (Jo 15,20) 0

Amados irmãos, com essa frase de tamanho efeito moral, contida no Evangelho de São João, iniciamos, hoje, a reflexão sobre o livro do profeta Baruc, dando sequência ao estudo dos profetas do século VII a.C. Com o nome “Baruc”, originalmente, são identificados dois escritos bíblicos: o livro do profeta e a Carta de Jeremias, correspondente ao Capítulo 6 do atual livro bíblico de Baruc. Ambos são escritos totalmente independentes que, a partir da primeira tradução da Bíblia ao latim (Vulgata – 384 d.C.), começaram a aparecer juntos. A versão grega da Bíblia (LXX), no entanto, foi a tradução do livro que recebemos na Igreja, mas hoje já se sabe que o texto recebido é uma tradução do original hebraico que se perdeu, sendo encontrado parcialmente em antigos textos siríacos. Devido a essa perda, o livro de Baruc não foi incluído no Cânon judaico, não sendo, portanto, considerado Palavra de Deus pelos judeus.

Inspirado em Esdras, Neemias, Daniel e nos capítulos de 40 a 66 de Isaías, o livro do profeta Baruc faz referência à situação dos deportados na Babilônia (século VII-VI a.C.), possuindo, ao mesmo tempo, estilo lírico e retórico, ou seja, podendo ser lido como oração penitencial e mensagem de esperança e salvação, simultaneamente. Embora ainda não se tenha uma data definitiva para a sua composição final, hoje já se sabe que o profeta Baruc esteve pessoalmente no exílio na Babilônia, no quinto ano após a segunda destruição de Jerusalém (587 a.C.), ou seja, no ano 582 a.C. No entanto, a atuação de Baruc durante o ministério do profeta Jeremias, mostrando as causas do exílio, é também anterior ao próprio exílio, sobretudo durante a crise com o rei Jeconias (605 a.C.).Desse modo, entende-se que o profeta Baruc é anterior e, ao mesmo tempo, contemporâneo ao exílio, tendo, o seu livro, começado a ser escrito somente durante o desterro. Por uma série de detalhes literários que o assemelham ao livro do profeta Daniel, os investigadores bíblicos acreditam que Baruc tenha deixado algumas partes de seu livro já escritas e que, posteriormente, por mãos de um redator final único, ganharam formato definitivo, finalizando-se assim a obra.

Conhecido pela Tradição como o ajudante do profeta Jeremias, como o filho de Nerias (Jr 32,12), ou ainda como um escriba (uma espécie de catequista dos dias atuais), Baruc, cujo nome significa 'abençoado', foi um grande escrivão, colaborador e homem de confiança do profeta Jeremias. Tinha a função de redigir, mediante ditado, os oráculos de condenação que o profeta Jeremias tinha que pronunciar no Templo, diante do povo e também do rei. Na realidade, se considerarmos todas as menções que a Bíblia faz ao profeta Baruc, perceberemos que ele foi, além de tudo: a) secretário (cfr. Jr 32,1-44); b) porta-voz e companheiro de caminho do profeta Jeremias (cfr. Jr 36,1-32; 43,1-7), e, principalmente, c) o destinatário de uma mensagem pessoal vinda do próprio Deus, em um momento de necessidade particular (cfr. Jr 45, 1-5). Durante o desterro na Babilônia, foi Baruc quem lia as mensagens de Deus para o povo cativo. Desse modo, tudo o que o Senhor Deus desejava falar ao povo nesse momento todo especial da história, era escrito e lido publicamente pelo profeta Baruc, não somente ao povo, mas também ao rei e aos nobres.

A sua obra está dividida em quatro partes. Na primeira, faz-se uma exposição dos pecados do povo e de suas causas (1,15 -2,10; 2,19-35), acompanhada dos pedidos de perdão. Esses pecados justificam o castigo da deportação e isentam o Senhor de toda a culpa, pelo excesso de dor infligida aos culpados. Na segunda parte (3,9 - 4,4), mostra-se Israel no desterro por ter abandonado a Sabedoria condensada na Lei divina. Na terceira (4,5 - 5,9), vê-se Jerusalém, que chora os seus filhos dispersos e assume a própria incapacidade de prestar-lhes socorro, de modo que o Senhor é sua única esperança! Na quarta e última parte (6,1-72), recorda-se a causa do desterro e encoraja-se aos desterrados a não sucumbirem à idolatria. Estruturado dessa forma, o livro de Baruc tem por objetivo imprimir no espírito humano uma atitude de reconhecimento humilde dos pecados passados e presentes, em vistas ao arrependimento e à conversão. Tal conversão significa aqui uma nova abertura de espírito à reconciliação com relação aos pagãos que oprimiram o povo; uma prévia, podemos assim dizer, da ordem que será dirigida, mais tarde, por Jesus aos discípulos, sobre o amor aos “inimigos”, cfr. Esd 6,9-10; Jr 29,4-14 e Mt 5,43-48.

No Livro de Jeremias encontramos uma mensagem de consolação dirigida a Baruc, por causa do seu desabafo com o Senhor, apresentando-Lhe suas queixas pelas dificuldades em acompanhar Jeremias em seu ministério. Essa mensagem foi, à época, ditada por Jeremias e escrita pelo próprio Baruc, sendo ele mesmo o destinatário da mensagem. Nela, o Senhor Deus quis falar ao coração de Baruc de modo muito particular, consolando-o e recompensando-o por toda a sua atividade redacional e pelo companheirismo vivido com o profeta Jeremias. Assim, por meio desse oráculo, o Senhor Deus responde a Baruc, dizendo-lhe que Ele mesmo, o próprio Deus, também sofre tendo que desfazer o que tinha feito com tanto amor. Portanto, se o Senhor sofre, o seu servo não deve escandalizar-se do próprio sofrimento, mas manter-se firme na confiança, pois o próprio Senhor o cuidará.

“Palavra do profeta Jeremias a respeito de Baruc, filho de Nerias, quando ele escreveu num rolo as palavras ditadas por Jeremias no quarto ano de Joaquim, filho de Josias como rei de Judá: “Assim diz o Senhor a teu respeito, Baruc:  Disseste: ‘Ai de mim”! O Senhor só acrescenta dores a meu sofrimento, sofrimentos à minha dor! Estou farto de gemer e não acho descanso, repouso! Isto lhe dirás: Assim diz o Senhor: Estou destruindo o que Eu mesmo construí, arrancando o que Eu mesmo plantei: este país inteiro. E tu, procuras para ti coisas grandiosas? pedes milagres para ti? Não procures! Pois trago uma desgraça para todo ser humano – oráculo do Senhor. A ti, porém, como troféu, eu Te garanto a sobrevivência em qualquer lugar para onde vás”. Jr 45,1-5)
 
Essas palavras atualizam-se no Evangelho de João (15,20), no contexto do escândalo dos discípulos frente ao aparente triunfo do mal. No Evangelho, o Senhor aproveita-se dessa ocasião para ensinar a seus discípulos que não tem pacto algum com o reino deste mundo (reino do pecado), e, que, portanto, eles, assim como o próprio Senhor, serão odiados por todos aqueles que vivem segundo o mundo, passando por muitos sofrimentos. Contudo, serão assistidos pelo Espírito Santo, o Espírito da Verdade, para que possam continuar dando um bom testemunho. De modo similar, foi dito ao profeta Baruc que não obstante a seus sofrimentos, à sua batalha espiritual de cada dia, o Senhor lhe garantiria a sobrevivência onde quer que fosse, dando-lhe palavras assertivas e estabelecendo-lhe sobre povos e reis para arrancar e arrasar, destruir e demolir, edificar e plantar (cfr. Jr 1,10). Assim, segundo essa mensagem, o profeta Baruc seria livrado naquele dia e não cairia nas mãos dos homens a quem tanto temia, salvando sua vida, pois confiou no Senhor (Jr 39,18).

Caros irmãos, ao fazer o mesmo caminho de Nosso Senhor atravessaremos muitas provações, uma vez que não somos maiores que o nosso Mestre. No entanto, jamais devemos nos esquecer que Ele mesmo, que sofreu por nosso amor, nos assistirá, por meio do Seu Espírito. Assim, poderemos vencer todas as batalhas e seguir em frente no compromisso diário do bom testemunho, sempre sustentados pelo poder de sua graça.
“Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo". Jo 16,33
 
Padre Igor Antônio Calgaro
Vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha, em Botafogo
Pensedireito.info



 
 
 
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