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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

O que importa é o Senhor!

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07/09/2020 17:46
Por: Padre Igor Calgaro

O que importa é o Senhor! 0

Amados irmãos, nessa semana falamos sobre o Livro das Lamentações, muito pouco lembrado atualmente e sempre tão útil à reflexão de toda a Igreja, em ordem à sua constante purificação e renovação interior. Como vimos na semana passada, o Livro de Jeremias se encerra narrando os últimos acontecimentos de Jerusalém, até a sua queda em mãos de Nabucodonosor, rei babilônico, com a deportação dos principais do povo e o translado dos tesouros do Templo à Babilônia. Em Lamentações, encontramos uma série de cinco poemas sobre a destruição de Jerusalém, realizada pelos caldeus no ano 586 a.C. Nos poemas, vemos uma descrição muito viva do dolo e da devastação da Cidade Santa, com grande riqueza lírica e espiritual; uma espécie de segundo epílogo ao Livro de Jeremias, no qual descrevemos horrores vividos pelo povo em tempos do assédio babilônico, com um forte apelo à misericórdia divina.

Considerado por São Cirilo de Jerusalém, desde o ano 350 d.C., como um livro profético, Lamentações era considerado dentro de um bloco de escritos, sendo conhecido na Tradição da seguinte forma: Jeremias, Baruc, Lamentações e a Carta. Na Bíblia hebraica, o livro forma parte do que chamamos “megil-lot”, ou seja, os cinco rolos de festas, no qual encontram-se também o livro de Rute, de Ester e do Eclesiastes, escritos que eram usados nas festividades especiais de Israel, sobretudo na Noite Pascal. Em nossa Bíblia situa-se após o livro do profeta Jeremias, que recebe originalmente a sua autoria, e antes do livro do profeta Baruc. Tendo sido composto muito provavelmente entre os anos 587 a537 a.C., durante o desterro em Babilônia, sua estrutura apresenta os cinco poemas exatamente em cinco capítulos, sendo o terceiro o ponto mais alto e o eixo de toda a obra, tanto por seu formato externo quanto pelo seu conteúdo, que se concentra no tema da misericórdia divina. Nele, o povo de Israel é representado na figura de um homem cheio de desgraças, que lamento que o poder do Senhor tenha-se voltado contra ele (3,1-21). Em seguida, se dá lugar à esperança (3,22-43), que brota do reconhecimento da fidelidade do Senhor e de sua bondade. Quem reconhece o Senhor recebe o perdão, de modo que ainda que a morte pareça o destino final, o que importa é o Senhor!

O gênero literário que predomina na obra é o de lamentação, ou seja, o de poemas que falam da perda de um ente querido. No entanto, também podem ser percebidos pequenos traços de elegia,  o tipo de poema que lamenta uma desgraça social ocorrida. Desse modo, no Livro das Lamentações a cidade de Jerusalém destruída é cantada na figura de uma mulher, uma filha de Sião, que ficou viúva (Lm 1,1), ou, que pode ter sido uma mãe afligida pela perda de seus filhos. Esses filhos seriam os habitantes da própria cidade, que podem ter morrido de inanição, sido assassinados, ou ainda sido muito humilhados e, por fim, desterrados a uma terra longínqua.

Na tradição judaica, o livro das Lamentações era utilizado para exprimir a amargura de Israel pelas destruições e sofrimento vividos em Jerusalém, além de servir de ponderação a respeito do valor redentor do sofrimento. Na Igreja, o livro vem servindo para manifestar o profundo pesar pelos padecimentos de nosso Senhor em sua Paixão e Morte de cruz, razão pela qual leem-se trechos na liturgia da Semana Santa. Em sentido espiritual, a meditação sobre a ruína de Jerusalém como consequência dos pecados do povo move os nossos corações à reflexão e a um grande passo de autêntica conversão, ajudando-nos a pensar no sentido do sofrimento e no desprendimento dos bens terrenos.

Queridos irmãos, que o pranto por nossos pecados nos aproxime ainda mais do coração de Jesus e, nessa dinâmica de constante caminho rumo à conversão, que possamos cada dia mais confiar em sua misericórdia.

Padre Igor Antônio Calgaro
Vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha, em Botafogo
Pensedireito.info
 
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