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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

Paróquia Nossa Senhora da Paz abre comemorações do centenário de fundação

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23 de Setembro de 2020

Paróquia Nossa Senhora da Paz abre comemorações do centenário de fundação

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07/09/2020 17:35
Por: Redação

Paróquia Nossa Senhora da Paz abre comemorações do centenário de fundação 0

A Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, inicia as comemorações do centenário de fundação. Ela foi criada no dia 6 setembro de 1921, pelo primeiro cardeal do Brasil e arcebispo do Rio, Dom Joaquim Arcoverde. A missa de abertura do jubileu do centenário será realizada no dia 6 de setembro, às 10h.
 
 
Histórico (1)
A história de nossa paróquia foi escrita por gente que merece toda a nossa consideração e respeito. Eram e são pessoas de fé, abnegadas, comprometidas com a causa do Evangelho e que ofereceram o melhor de si a Jesus e à sua Igreja, representadas pelos moradores de Ipanema, pelos devotos de Nossa Senhora e, principalmente, pelos bem-aventurados promotores da paz. A recordação de alguns aspectos de sua história, no decorrer destes anos, são a gratidão e a homenagem de quem hoje deseja imitá-los e colhe os frutos de sua dedicação e trabalho.
 
1. A Igreja
O Papa Bento XV, ao final da Primeira Guerra Mundial, mandou incluir na Ladainha de Nossa Senhora a invocação “Rainha da Paz”, agradecendo a Deus e à intercessão de Nossa Senhora o restabelecimento da paz no mundo. Esta foi a principal motivação para a escolha da padroeira de Ipanema e para confiar-lhe a igreja que iniciava sua construção.

Em 1997, monsenhor Manuel Moreira Vieira, nosso atual pároco, decidiu enfrentar o desafio da restauração total da Igreja, visivelmente marcada pelo desgaste natural do tempo, tanto externa quanto internamente.

Como preparação ao centenário neste tempo de pandemia do coronavírus e seguindo os protocolos de segurança, foram realizadas importantes obras emergenciais e de restauração, executadas por Marcelo Cunha da Rocha e Manuel Felix da Silva, sob a supervisão do arquiteto Luiz Neves, bem como foi providenciada a modernização do sistema de som. Em consonância com as orientações da Laudato Si, visando a economia de energia e a preservação do planeta, foram substituídas todas as lâmpadas por outras de Led. (2)

2. Como nasceu a paróquia
Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, primeiro cardeal e arcebispo do Rio de Janeiro, criou a paróquia de Ipanema, desmembrando-a das paróquias Nossa Senhora de Copacabana, em Copacabana, Nossa Senhora da Conceição, na Gávea, e São Bartolomeu, no Alto da Boa Vista, por provisão assinada aos 6 de setembro de 1921.

Monsenhor Joaquim Alvim, então pároco de Copacabana, há tempos insistia que fosse criada uma nova paróquia, iniciando, ele mesmo, em fins de 1918, as obras da futura matriz, a nossa querida Nossa Senhora da Paz, na então Rua 20 de Novembro, mais tarde Visconde de Pirajá. Procurou, por todos os meios, que os franciscanos assumissem a direção e o prosseguimento das obras, o que de fato aconteceu, até que em junho de 1920 foi apresentado à Cúria Arquidiocesana o primeiro pároco, o reverendíssimo padre frei Domingos Schmitz, e seu nome homologado pela autoridade eclesiástica. 

As obras, porém, caminhavam a passos lentos. Era uma luta insana angariar fundos para levá-las adiante. Construiu-se, então, uma vasta sacristia para as celebrações, sendo a primeira missa realizada em 1º de maio de 1921. Mas já no dia 15 de agosto do mesmo ano, as missas eram transferidas para a capela-mor da nova matriz.

A imagem de Nossa Senhora da Paz (vinda da França), que se achava ainda na matriz de Copacabana, foi benta no dia 14 de agosto, tendo na cerimônia, como paraninfa, a senhora Laurita Pessoa, esposa do excelentíssimo senhor presidente da República, Epitácio Pessoa, e o senhor Barão Schmitz de Vasconcelos. De lá, veio em triunfo pela Avenida Atlântica, acompanhada de compacta e emocionada multidão.

Aos 6 de setembro de 1921, como citado acima, foi  assinado o decreto de criação da Paróquia de Nossa Senhora da Paz, pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, delimitando-a e “erigindo canonicamente em Igreja Matriz a Capela de Nossa Senhora da Paz em construção, gozando por isso, de todos os privilégios e insígnias que em direito cabem às igrejas matrizes”. Ficou assim instituída a nova paróquia “com a denominação de Nossa Senhora da Paz, cuja festa se há de celebrar anualmente no seu dia próprio ou no domingo infraoctava com pompa e religioso esplendor, sobre o rito dúplice da primeira classe, com oitava.”

Finalmente, no dia 8 de setembro, durante a missa solene das 10h,  cantada por monsenhor Alvim, com a presença do reverendíssimo frei Domingos Schmitz, frei Tiago, frei Redemptor da O.F.M.; do excelentíssimo ministro do Supremo Tribunal, desembargador Viveiros de Castro; do doutor Francisco Van Essem e de grande assistência de católicos, foi lido o decreto da ereção da nova paróquia, tomando posse o primeiro pároco, frei Domingos Schmitz.

A primeira festa foi celebrada no dia 9 de julho de 1922. Quase nada foi feito porque o povo, com medo da revolução que eclodia no Forte de Copacabana, fugiu para lugares mais seguros, embora por poucos dias. No entanto, de muitas outras partes da cidade acorreram muitos devotos para agradecerem a Nossa Senhora da Paz terem escapado ilesos.

Monsenhor Joaquim Alvim, que tanto se empenhou pela construção da  paróquia, em seu testamento deixou escrito que, após cinco anos de sua morte, seu corpo fosse exumado e depositado na nossa Igreja, tendo na placa que o recobrisse a seguinte inscrição: “Reduzido aqui a pó implora preces o vigário que lançou os fundamentos desta Matriz e Paróquia de Nossa Senhora da Paz.” E ainda: “Quero enterro pobre, simples e em carneiro por cinco anos; findos os quais, os reverendíssimos padres de Nossa Senhora da Paz far-me-ão a caridade de transportar, muito particularmente e sem qualquer solenidade, os meus ossos para um canto daquela Igreja, assinalado de pedra, já lá depositada.”

Monsenhor Alvim deixou para este fim 500$000 réis. Faleceu aos 10 de julho de 1935 e, conforme pediu, seus ossos foram transladados em 1º de setembro de 1940 para a igreja, e lá se encontram até hoje em frente ao altar do Sagrado Coração de Jesus.     

Na Igreja foram registrados fatos marcantes na vida de muitas pessoas, como o casamento do falecido presidente Juscelino Kubitschek com Dona Sarah, em 30 de dezembro de 1931, e o falecimento do grande compositor Pixinguinha, em 1973, que viera para ser padrinho de batismo. Por este motivo, até hoje a Banda de Ipanema, ao passar pela Igreja, faz uma pausa, em reverência a este grande compositor.
 
Muitas outras coisas poderiam ser mencionadas. Citar nomes ou fatos envolvendo pessoas do passado ou da época atual nos daria sempre uma sensação de injustiça, porque são tantos os sacerdotes e leigos que se doaram e se doam inteiramente à nossa paróquia, que certamente alguns ficariam esquecidos.

 Importante é nunca esquecer que hoje somos beneficiários de um legado de extraordinária riqueza, transbordante de graças e bênçãos de Deus, fruto da fidelidade dos paroquianos que nos precederam e que nós hoje somos responsáveis por passar adiante. Esta é a nossa tarefa e responsabilidade: nossa paróquia será sempre a casa de Deus, a casa de Nossa Senhora, e a casa de todos os seus filhos.   
 
Fontes: arquivos paroquiais e “Livro de Tombo”.
(1) Parte do texto original do pároco, monsenhor Manuel Moreira Vieira, por ocasião dos 90 anos da paróquia,
(2) Acréscimo ao texto original. 



 
 
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