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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

A Pátria Mãe Gentil

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23 de Setembro de 2020

A Pátria Mãe Gentil

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07/09/2020 16:45
Por: Redação

A Pátria Mãe Gentil 0

Nesta semana celebramos o Dia da Independência do Brasil, que figura para nós, antes de tudo, como verdadeiro Dia da Pátria, pois foi a 7 de setembro de 1822 que nasceu o estado brasileiro independente do Reino Unido de Portugal, por decisão de D. Pedro I, primeiro imperador do Brasil e fundador do estado brasileiro. Todo cidadão, a despeito de suas convicções político-partidárias, ideológicas, independentemente do seu nível social ou de instrução, deve celebrar este dia com alegria, entusiasmo, esperança e verdadeiro espírito pátrio.

O Brasil é a nossa “Pátria Mãe Gentil”, de modo que os nossos sentimentos para com esta nação, que nasceu sob o símbolo da Santa Cruz, devem se assemelhar aos que brotam do coração dos filhos para com a sua própria mãe. Se não há estes sentimentos, há que se buscar explicações numa possível degeneração educacional, institucional, cívica ou mesmo moral. Pois o amor à pátria é prolongamento do afeto familiar, haja vista que o núcleo doméstico, a partir das mais díspares modalidades, estendeu-se ao longo da história da Humanidade de modo a alcançar uma nação bem definida com toda a sua diversidade e riqueza cultural, a ponto de se enraizar na sua própria natureza. Assim, da mesma forma que há doenças de ordem orgânica e psicológica, há também aquelas de ordem comunitária, que se constituem como anormalidade social ou desvio de personalidade de uma nação e, por isso mesmo, requerem um tratamento adequado para proteger um país e o bem de toda a sua população. Daí toda educação moral dever incluir o patriotismo como um dos fundamentos dos demais valores humanos e morais, indispensáveis à saúde social.

Além dos fundamentos cívicos, há outro muito mais sólido, importante e elevado, que confere sentido à vida e à própria existência: a fé. E isto nos remete às Sagradas Escrituras. De modo mais preciso aos sentimentos dos israelitas à terra que o Senhor lhes deu. É bem verdade que aí há todo um sentido teológico no qual não nos cabe neste texto o devido aprofundamento. Mas, deve nos tocar profundamente o coração as significativas e admiráveis manifestações de amor de Jesus para com a cidade santa de Jerusalém e sua gente. Recordemos, por exemplo, as lágrimas do Senhor na profética previsão dos males que adviriam sobre aquela cidade e seu povo. Tal episódio bíblico não somente deve nos comover como também chamar a nossa atenção para a responsabilidade e sentimentos de afeto que devemos ter para com esta Terra de Santa Cruz e para com o seu futuro, tão ameaçado por inúmeras patologias sociais.

A insistência de determinadas categorias do serviço público, que já gozam de inúmeros privilégios, por expansão de direitos e aumento de salários em tempos da mais grave crise que esta geração já conheceu, aumenta o desiquilíbrio e as diferenças entre todos os trabalhadores que juntos constroem o país, e cria uma classe de trabalhadores privilegiados em comparação com aqueles que estão na iniciativa privada. Esta é uma deformação extremamente impatriótica que vem se manifestando de diversos modos. Lutar por aumento de salários e mais estabilidade institucional desprezando a imensa quantidade de pessoas pobres, sem emprego ou subempregadas e sem oportunidades, ainda que sejam exigências justas, é perder o senso de bem comum e de solidariedade para com os outros setores da sociedade que já vêm sofrendo há muito tempo e que agora se veem em gravíssima situação desde o início da pandemia.

Evidentemente, há também que se considerar os constantes escândalos financeiros, casos de corrupção, fraudes, desvios de recursos públicos, superfaturamentos, negociatas etc, crimes que ferem a lei do Estado e a lei moral. Num país com tantos vivendo na miséria, os rios de recursos públicos desviados causam indignação e terrível prejuízo para todos, mas de um modo muito mais grave para a parcela mais pobre da população.
Desculpem o clichê, mas somos sim um país rico, a maior economia da América Latina, a segunda maior da América e a oitava do mundo. Somos o sexto país mais populosos do planeta. Nossa agropecuária alimenta 1,5 bilhões de pessoas e isto é mais que um Brasil e uma China juntos. Como pode ainda assim haver tanta fome e miséria neste país? Como pode uma nação ser ao mesmo tempo mãe e madrasta?

Somos uma nação acolhedora, que acolheu ao longo de sua história pessoas de quase todas as nações do globo sem o preconceito racial que tanto afetou e dividiu outras regiões. Apenas em nível de exemplificação, tanto os EUA quanto o Brasil tiveram em sua história páginas tenebrosas da escravidão. Porém, embora o Brasil tenha sido um dos últimos países a abolir a escravatura, uma vez proclamada a abolição, aqueles que foram escravizados receberam a liberdade e a cidadania brasileira, ao passo que nos EUA receberam a liberdade e o apartheid. E isto merece especial atenção no Dia da Pátria: somos todos irmãos, filhos da mesma Pátria Mãe Gentil. Por isso mesmo, devemos todos ter os mesmos direitos, deveres e oportunidades neste país.

O Dia da Pátria chama ainda nossa atenção para o imprevisível momento que vivemos. A pandemia e a pós-pandemia nos atemoriza. No início de todo este sofrimento muito se dizia que sairíamos deste grave momento melhores, evoluídos, superiores. Hoje, consideradas todas as circunstâncias e ocorrências de falta de respeito, dignidade e amor ao próximo por parte de tantas pessoas que se aproveitam deste momento para lucrar ou simplesmente não tomam as devidas precauções para não disseminar o vírus, perguntamo-nos: será que realmente sairemos da pandemia melhores, mais fortes, mais evoluídos? Fica a pergunta para a devida reflexão. Pois tais ocorrências manifestam exacerbado egoísmo e ânsia incontida por bem-estar social e renúncia aos valores éticos que edificam a vida em comunidade.

O destino do Brasil há de ser moldado por nós. O momento presente exige atenção, resiliência, solidariedade e mesmo resignação. Cada cidadão deve realizar o que a pátria espera de cada um de seus filhos. Não será pelo egoísmo de caráter pessoal, partidário, ideológico, classista ou corporativo que haveremos de construir nosso futuro. Contribuiremos de modo positivo para com o destino do Brasil, com a firme decisão de resgatar os autênticos valores cristãos na vida privada e pública.

Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha do Brasil, estenda seu manto azul anil sobre esta nação e a todos ilumine e inspire a fazer a vontade de seu Filho divino, Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que com força e fé construamos a pátria que tanto queremos para nós e para as próximas gerações.

Padre Valtemario S. Frazão Jr.



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