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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Monte Corcovado, altar do Brasil

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Monte Corcovado, altar do Brasil

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01/08/2020 03:26
Por: Redação

Monte Corcovado, altar do Brasil 0

Eis o mistério da fé! Estas palavras do sacerdote após a consagração do pão e do vinho resumem o sentido da celebração da santa missa, “fonte e centro de toda a vida cristã” (Lumen Gentium n.11). “A Igreja vive da Eucaristia”, ensina o Papa João Paulo II na encíclica “Ecclesia de Eucharistia”. O santíssimo sacramento nasce da Páscoa do Senhor e a atualiza na vida dos cristãos. O Brasil também nasce da Páscoa de Cristo, tem a celebração da santa missa como certidão de batismo. Ainda hoje se debate se o descobrimento do Brasil foi um acontecimento intencional ou se aconteceu por acaso, numa escala fortuita da viagem dos portugueses à Índia. O fato é que numa terça-feira, 21 de abril de 1500, os portugueses avistaram sinais de terra, uma elevação de quase 600 metros que chamaram Monte Pascoal, a montanha da Páscoa. No dia seguinte, 22 de abril, a frota de 13 navios comandada por Pedro Álvares Cabral chegou à terra que chamaram Ilha de Vera Cruz e, logo depois, Terra de Santa Cruz. Foi do lado aberto de Cristo na Santa Cruz, de onde ‘saiu sangue e água’ (Jo 19,20), que brotou a vida sacramental da Igreja. A primeira missa no Brasil foi celebrada na Bahia, apenas quatro dias depois do descobrimento, num domingo, dia da ressurreição do Senhor, 26 de abril de 1500, no Ilhéu da Coroa Vermelha, hoje desaparecido. A segunda missa, já em terra firme, foi ornada por uma cruz de madeira retirada da mata local, abundante de pau-brasil, que depois daria nome ao país. Ambas foram celebradas pelo frade franciscano Henrique Álvares de Coimbra, e serviram como marco de posse, registradas na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, D. Manuel I.

As pinturas da Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles e Candido Portinari, inspiradas na carta de Pero Vaz de Caminha, retratam a harmonia inicial entre os portugueses, a natureza e os indígenas diante da elevação da eucaristia. A palavra grega eucaristia, inspirada na palavra hebraica berakah, significa ação de graças. Os portugueses da frota de Cabral tinham muitos motivos para render graças a Deus. Por exemplo, a viagem segura, a beleza e abundância da terra, que lembrava o jardim da criação. Os navios logo seguiram viagem rumo à Índia, mas dois anos depois, no dia 1° de janeiro de 1502, outra expedição, comandada por Gonçalo Coelho, avistava uma nova montanha da Páscoa na entrada da Baía de Guanabara, o Monte Corcovado. Na época não havia distinção entre rios e baías, por isso os portugueses chamaram a acolhedora enseada de  ‘Rio de Janeiro’. O nome Corcovado tornou-se popular com o passar dos anos, pela forma da montanha, que se assemelha a uma corcova, mas há os que percebem nesta alcunha uma corruptela da frase latina “cor quo vado”, que significa ‘coração, para onde vou?’. Era um nome propício para um lugar de oração, onde o homem possa estar em comunhão consigo mesmo, com Deus, com a natureza e com o próximo. No século XIX, o padre Pierre Maria Boss vislumbrou no Monte Corcovado um pedestal único no mundo à espera da imagem de quem o criou, a estátua do Cristo Redentor. No início do século XX, na semana do centenário da independência, durante o Congresso Eucarístico Nacional, o Cardeal Joaquim Arcoverde desfraldou uma flâmula do alto do Corcovado com os dizeres: ‘Salve Redentor’, lançando a pedra fundamental da construção. No dia da inauguração do monumento, 12 de outubro de 1931, aos pés da grande imagem do Cristo ressuscitado, foi celebrada a Eucaristia. O Monte Corcovado se tornava o altar do Brasil!

Havia muitos motivos para a ação de graças. A estátua do Cristo Redentor era uma epifania da história do país, do povo católico da Terra de Santa Cruz. A Eucaristia tornava o Monte Corcovado um lugar sagrado, um verdadeiro santuário, como veio a ser definido mais tarde. Para os católicos, a Eucaristia é a presença real de Jesus sob o véu sacramental do pão e do vinho. Após o milagre da multiplicação dos pães, uma multidão seguiu Jesus até a cidade de Cafarnaum. Ali, o Mestre lhes ensinou: “buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna” (Jo 6,26-27). Jesus lhes falou literalmente: “Eu sou o pão que desceu do céu” (Jo 6,41). Muitos judeus se afastaram de Cristo ao ouvir aquela doutrina. No antigo testamento havia proibições de comer a carne de animais com sangue, e ali estava Jesus a lhes dizer: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,54-56). Jesus não falava em metáforas, de forma simbólica, mas no sentido literal. Deus criou todo o universo através de sua palavra, e Cristo é a Palavra que se fez carne, homem e Deus. As palavras divinas de Jesus podem transubstanciar o pão no seu corpo e o vinho no seu sangue. E o sacerdote, na santa missa, ao pronunciar as palavras da consagração, age in persona Christi, com o poder de Jesus, na força do Espírito Santo. Os milagres eucarísticos ao redor do mundo comprovam o milagre que acontece a cada missa, visível aos olhos da fé. Assim, a resposta dos cristãos na presença de Jesus na Eucaristia é se ajoelhar e adorar. O corpo de Cristo, presente sacramentalmente na capela do Monte Corcovado, vivifica a estátua de pedra, atualizando a promessa de Jesus: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).

Seminarista Alexandre Pinheiro



 
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