Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Vocações que fizeram história: padre Leonel Franca

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06 de Agosto de 2020

Vocações que fizeram história: padre Leonel Franca

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01/08/2020 03:07
Por: Redação

Vocações que fizeram história: padre Leonel Franca 0

Desde 1981, a Igreja no Brasil dedica o mês de agosto às vocações. Ao longo de quatro semanas é proposto para a reflexão dos fiéis o tema da vocação em diversos âmbitos dentro do Corpo Místico de Cristo. Na primeira semana, celebrando no dia 4 a memória de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, patrono dos sacerdotes, nos é apresentada a vocação ao ministério ordenado; na segunda semana, nos é proposto contemplar a vocação para a vida de família, já que no Brasil celebra-se no segundo domingo de agosto o Dia dos Pais; na terceira semana, com a proximidade do dia da Ascensão da Virgem Maria que, totalmente consagrada a Deus, é elevada ao céu em corpo e alma, nos é proposto olhar para a vida consagrada e religiosa; por fim, encerrando o mês vocacional, temos a reflexão sobre a vocação de todos os leigos, olhando de modo especial para os catequistas, o que é muito significativo, pois no dia 21 a Igreja comemora a memória de São Pio X, Papa do início do século XX que foi um grande catequista e incentivador da catequese e da comunhão das crianças. Portanto, ao longo desse mês, procuraremos apresentar algumas figuras dentro desses quatro perfis de vocação na Igreja cuja vida tenha sido, em nossa arquidiocese e para toda a Igreja, um sinal vivo de quem dá ao Senhor, com o coração alegre, uma resposta generosa ao chamado vocacional.

Nessa primeira semana, meditando, portanto, sobre o ministério ordenado, recordamos uma figura de grande valor na história da Igreja em nossa arquidiocese. Trata-se do padre Leonel Franca, insigne jesuíta, primeiro reitor da PUC-Rio, brilhante intelectual e exemplo de vida sacerdotal.

Nascido em 1893 em São Gabriel, Rio Grande do Sul, desde pequeno Leonel Franca apresentava os sinais de um chamado especial. Com 13 anos recebeu a fita de congregado mariano, e aos 15 anos ingressou na Companhia de Jesus, iniciando uma bela e santa caminhada na ordem fundada por Santo Inácio de Loyola. Ao ingressar na companhia, viu a sua vocação e a de seus irmãos como a vocação dos apóstolos, e procurou seguir o caminho de tantos santos jesuítas: o fundador, Santo Inácio, São Francisco Xavier, grande missionário, São Luís Gonzaga, anjo de pureza... Mas acima de tudo, percebeu que o chamado vocacional consiste num perfeito abandono à vontade de Deus que chama, cultivando a pureza de vida, como ele mesmo escrevera: “Abandonar-me completamente à conduta do Espírito Santo em todas as minhas ações (...) Esforço contínuo por alcançar a pureza de coração; o reino do Espírito Santo aumenta em proporção direta com a pureza do coração”.

Pronunciando os primeiros votos em 1910, cursou Letras e seguiu para Roma, onde cursou filosofia na Universidade Gregoriana. Retornando ao Brasil em 1915, começou a dar aulas no Colégio Santo Inácio e, em 1918, aos 25 anos, publicou seu primeiro livro, “Noções de História da Filosofia”, durante muitos anos manual obrigatório nas aulas de filosofia de muitos colégios. Retornando a Roma em 1920 para cursar teologia, lá foi ordenado sacerdote em 26 de julho de 1923. No dia seguinte, rezou na Igreja principal dos jesuítas, a Igreja do Gesù, sua primeira missa, no altar de Nossa Senhora da Estrada, protetora dos missionários jesuítas pelas estradas do mundo. Ali, ao oferecer pela primeira vez sobre a ara do altar o Santo Sacrifício, padre Leonel Franca percebeu que a vocação deve ser constante sacrifício de si no seguimento fiel de Nosso Senhor. Deixemos falar suas palavras no discurso de agradecimento que fez naquele mesmo dia: “Esta manhã, quando pela primeira vez, com o coração palpitante de alegria e comoção, subimos os degraus do altar, o sacrifício augusto, sem perder nenhuma outra de suas altas finalidades, foi para nós, antes de tudo, a oblação do reconhecimento. Ao olhar comovido da alma, toda a nossa vida apareceu aí como um admirável tecido de graças divinas que subiam em pirâmide, coroada hoje com a ordenação sacerdotal”. Assim falou o exultante coração de um sacerdote que reconheceu ser permeado pela graça em todo o seu caminho vocacional.

Retornando ao Brasil, dedicou seu ministério sacerdotal na educação, dando aulas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo e no Colégio Santo Inácio no Rio. Em 1931, foi nomeado membro do Conselho Nacional de Educação, sendo reconhecida, assim, pelas autoridades públicas a sua competência enquanto educador, com grande bagagem para contribuir no sistema educacional. Unido ao trabalho magisterial, escreveu diversas obras voltadas para a educação, psicologia, filosofia e defesa da fé. Sua obra completa conta com pelo menos 14 volumes.

Em 1940, juntamente com o então cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, fundou a Universidade Católica do Rio de Janeiro, posteriormente Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio. Padre Leonel Franca tornou-se, assim, seu primeiro reitor.

Esse grande sacerdote, que um dia tão radiantemente brilhou na Igreja do Brasil e em nossa arquidiocese, morreu em 3 de setembro de 1948. Porém, fruto de seu fecundo sacerdócio, mantém vivo o seu nome. Suas obras têm sido redescorbertas pelas novas gerações e recebido novas edições, mostrando, assim, o quanto ainda nos pode dizer e ensinar o célebre jesuíta. Belo é o testemunho que dele deu o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara: “A pessoa invulgar do padre Leonel Franca, que vive ainda na memória e no coração de quantos o conheceram, é uma daquelas cuja lembrança não desaparece com a morte, porque a obra de edificação moral que deixou no Brasil é um monumento a atestar continuamente sua presença no meio de nossa geração, que ele instruiu com sua cultura e edificou com os exemplos de sua vida”.

Vemos, portanto, que padre Leonel foi de fato uma vocação que fez história e cujos frutos perpassam o tempo. Que sua vida e seu exemplo possam servir ainda hoje como incentivo para os que desejam entregar-se totalmente a Deus na vida sacerdotal, respondendo a cada dia a voz de Cristo que incessantemente chama homens, como o  padre Leonel Franca, como São João Maria Vianney e tantos outros, a serem luz insigne através de um sacerdócio a serviço do Reino.
 
Eduardo Douglas Santana Silva, seminarista da etapa formativa discipulado III, 3 º ano de filosofia



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