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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Cristo Redentor: o mistério da fé

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Cristo Redentor: o mistério da fé

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26/07/2020 01:36
Por: Redação

Cristo Redentor: o mistério da fé 0

“Porque, se confessares com tua boca que Jesus é Senhor e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Pois quem crê de coração obtém a justiça, e quem confessa com a boca, a salvação” (Rm 10,9-10). Assim como a estátua do Cristo Redentor sobre o Monte Corcovado, uma aparição do Cristo ressuscitado aconteceu numa montanha na Galileia. Dentre todas as aparições de Jesus aos seus discípulos após a ressurreição, esta foi a única marcada com antecedência: “Os 11 discípulos caminharam para a Galileia, à montanha que Jesus lhes determinara. Ao vê-Lo, prostraram-se diante d’Ele” (Mt 28,16-17). Nas outras aparições, o Mestre se manifestou de improviso aos seus discípulos. Como na aparição a Maria Madalena, “Noli me tangere”: “Não me toques, pois ainda não subi ao Pai” (Jo 20,17). São Paulo, escrevendo por volta do ano 56 na primeira carta aos Coríntios, relata ao menos seis aparições do Cristo ressuscitado aos seus discípulos: “Apareceu a Cefas, e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de 500 irmãos de uma vez, a maioria dos quais ainda vive, enquanto alguns já adormeceram. Posteriormente, apareceu a Tiago, e, depois, a todos os apóstolos. Em último lugar apareceu também a mim como a um abortivo” (1 Cor 15, 5-8).

            Desde os primórdios da Igreja, os cristãos não cessam de anunciar a ressurreição de Jesus. “Pois não podemos, nós, deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4,20). É provável que nem todas as aparições do Cristo ressuscitado tenham sido registradas nos evangelhos, pois, de acordo com São Lucas, Jesus apareceu aos apóstolos diversas vezes durante 40 dias. “Ainda a eles, apresentou-se vivo depois de sua paixão, com muitas provas incontestáveis: durante 40 dias apareceu-lhes e lhes falou do que concerne ao Reino de Deus” (At 1,3). Os quatro evangelhos não teriam sido escritos se os apóstolos não tivessem certeza da ressurreição. Este acontecimento histórico é o fundamento do cristianismo. Ao mesmo tempo, a ressurreição de Jesus é um mistério transcendente, que mesmo as primeiras testemunhas só podiam compreender com os olhos da fé: Jesus, crucificado no Monte Calvário, voltara à vida ressuscitado. “Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse na sua glória?” (Lc 24,25). A passagem de Jesus da morte para a vida nos abriu as portas da vida eterna. “Se temos esperança em Cristo somente para esta vida, somos os mais dignos de compaixão de todos os homens” (1 Cor 15,19). A ressurreição de Jesus é um mistério que exige de cada cristão um ato transformador de fé. Assumimos uma vida nova na terra, tomando posse da vida eterna no céu.

            Por um lado, Jesus aparece ressuscitado aos apóstolos para lhes fortalecer a fé na vida eterna, não mais como alguém que continuava a pertencer a este mundo, mas como “o Princípio, o primogênito entre os mortos” (Cl 1,18), portador da redenção universal concedida a toda Humanidade. Este é o sentido da ressurreição de Jesus, o Cristo Redentor. O monumento do Monte Corcovado nos mostra silenciosamente como a cruz do Senhor, ligada inseparavelmente à sua ressurreição, é a chave de interpretação do Evangelho. “Com efeito, visto que a morte veio por um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos. Pois, assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida. Cada um, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua Vinda” (1 Cor 15,20-23). Assim como São Tomé, a ressurreição de Jesus fundamenta nossa confissão na sua divindade: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28). Os cristãos se tornam testemunhas do mistério da fé. A Páscoa de Jesus, sua vitória sobre a morte, é passagem de Deus entre nós e nossa passagem para Deus, “em novidade de vida” (Rm 6,4), de acordo com nossa fé.

            A estátua do Cristo Redentor é um sinal da fé na ressurreição de Jesus, transmitida pelos cristãos há dois mil anos, de geração em geração. Na ata de ereção do Santuário Cristo Redentor, assinada em 12 de outubro de 2006, Dom Eusébio Oscar Scheidt explicava que o monumento do Monte Corcovado representa a fé e o nacionalismo do povo brasileiro. A ereção do santuário buscava justamente preservar este sentido original da construção. O historiador Maurílio Cesar de Lima, sacerdote apaixonado pelo Rio de Janeiro e pelo Cristo Redentor, explicava que o monumento, fruto de nossa colonização portuguesa, pode ser um instrumento eficaz de catequese e de transmissão da fé cristã. Este era também o sonho do padre Pierre Marie Boss, missionário francês no Rio de Janeiro, que no século XIX, da Praia de Botafogo, na Igreja da Imaculada Conceição, vislumbrou sobre a montanha uma estátua de Jesus Cristo que falasse ao grande e ao pequeno, ao sábio e ao analfabeto. E assim, com o esforço de cariocas e brasileiros, surgiu a imagem do Cristo Redentor, no projeto de Heitor da Silva Costa, Carlos Oswald e Paul Landowski, com a orientação espiritual de Dom Sebastião Leme. A transmissão da fé é realmente tarefa de cada geração, pois como poderiam os jovens “invocar aqueles em quem não creram? E como poderiam crer naquele que não ouviram? E como poderiam ouvir sem pregador? E como poderiam pregar se não forem enviados?” (Rm 10,14-15).  O Cristo ressuscitado, de braços abertos sobre o Monte Corcovado, é imagem do mesmo Jesus que apareceu na Galileia sobre a montanha: “Todo poder foi me dado no céu e sobre a terra. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 18-20). Eis o mistério da fé!

Seminarista Alexandre Pinheiro





 
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