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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 31/10/2020

31 de Outubro de 2020

Pastoral Afro-Brasileira comemora Dia da Mulher Negra

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Pastoral Afro-Brasileira comemora Dia da Mulher Negra

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26/07/2020 00:59
Por: Redação

Pastoral Afro-Brasileira comemora Dia da Mulher Negra 0

A Pastoral Afro-Brasileira do Rio de Janeiro todo ano promove uma série de ações visando favorecer a reflexão e a conscientização das dificuldades enfrentadas, das lutas travadas e das vitórias alcançadas dos descendentes do povo africano trazidos ao nosso país.

Esse ano com o confinamento, o trabalho precisou ser adaptado. O grupo da pastoral da Paróquia São Lourenço, em Bangu, logo no início da quarentena, passou a se encontrar virtualmente, realizando, diariamente, um estudo sistemático da Sagrada Escritura. Neste período, pôde partilhar a leitura de mais de dez livros, iniciando com os Atos dos Apóstolos e, em seguida, as cartas de São Paulo. Entre essas reflexões continuou os seus trabalhos específicos, de modo especial, neste mês de julho, quando foi organizada uma semana para discussões sobre os problemas e a vida das mulheres.
 
Homenagens
Dos dias 19 a 31 de julho, uma série de vídeos apresentados pelos homens e mulheres da pastoral homenageou personalidades negras. A motivação destes vídeos foi a comemoração do Dia da Mulher Negra celebrado em 25 de julho, instituído pelo governo do Brasil pela Lei nº 12.987, em 2014. Esta data do Dia da Mulher Negra foi inspirada no Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha (dia 31 de julho), criado em julho de 1992. O Dia da Mulher Negra é comemorado desde o início do século XXI. Essa data também é o Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder quilombola que viveu no atual Estado de Mato Grosso. As homenageadas são:
 
Beata Nhá Chica
As homenagens foram feitas às diversas mulheres da atualidade e antigas. Pedrolina Morais Campos, participante da pastoral há seis anos, homenageou a Beata Nhá Chica: “Durante a sua vida na Terra, ela soube amar as pessoas e tinha um carinho muito especial para todas aquelas que conviveram com ela. Sendo muito convicta nas orações, com muita fé em Deus, é um grande exemplo para nós. Nhá Chica é uma santa mulher de Deus”.

Conhecida como Francisca de Paula de Jesus, nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes, distrito de São João del-Rei (MG). Ainda pequena, chegou em Baependi (MG), com seus familiares. Entre os poucos pertences, trouxeram uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Mulher de profunda devoção mariana, era humilde e recebia  a todos  para conselhos. Praticava muita  caridade e tinha uma  profunda  vida de oração. Nhá Chica foi beatificada em 2013, se tornando a primeira negra elevada aos altares no Brasil. 
 
Maria de Lurdes Mendes
Outra homenageada foi Maria de Lurdes Mendes, católica, devota de São José e de Nossa Senhora. Não perdia a sua missa dominical. Conhecida mais como Tia Maria, ela era uma das principais responsáveis em transmitir os ensinamentos trazidos pelos povos escravizados à cidade do Rio de Janeiro.  Era uma das fundadoras do Jongo da Serrinha e da Escola de Samba Império Serrano. Tinha  humildade e  olhar atento à necessidade de levar às crianças e jovens a cultura dos ancestrais. Foi grande divulgadora da cultura brasileira pelo mundo. Faleceu em 2009 aos 98 anos, logo após uma aula de jongo para adultos.
 
Professora Luciana
As grandes personalidades estão presentes no cotidiano das pessoas. Layla Costa da Silva Tosta, participante da pastoral há 11 anos, recordou a importância da professora Luciana Tavares dos Santos. “A escolha da minha profissão foi feita no ensino médio, eu e minha amiga, também negra, nos interessávamos por física. Éramos muito empenhadas e estudávamos muito. Quando contamos nosso interesse em física ao nosso professor, ele nos disse: ‘Física é muito difícil, não é para mulher não’. Porém, nós já tínhamos tido aula com uma professora maravilhosa, Luciana Tavares professora do ensino médio graduada na UFRJ, com mestrado em ensino de ciência pela USP. Ela apresentou-se a nós com práticas inspiradoras, e mesmo não sendo mais nossa professora, continuou nos incentivando a ser o que a gente queria ser. Hoje, eu e minha amiga somos professoras de física”.

Layla Costa realizou seu mestrado para o ensino de física, em 2018, pela UFRJ, e hoje se tornou um incentivo para outros jovens no ensino médio da rede pública estadual.
 
Mercedes Batista
As homenagens se estenderam no campo da arte para Mercedes Batista, primeira bailarina negra do Theatro Municipal. Ela veio de família simples, foi empregada doméstica, mas na década de 40 iniciou balé clássico folclórico nesse teatro. Em 1963, introduziu o balé clássico em escolas de samba. Em 2008, foi enredo de uma delas.
 
Fernanda Ribeiro
Outra homenageada foi Fernanda Ribeiro, atriz e dubladora. Nascida em 2002, aos cinco anos de idade iniciou seu trabalho como atriz. Pertencente a uma família de artista, tomou gosto pela arte e hoje cursa artes cênicas. Atuou em várias novelas e produções, e ainda ganhou notoriedade dublando filmes infantis.

Para Maria Odete Celestino, participante da pastoral há três anos, foi muito importante participar da atividade. “Essas mulheres pretas são fortes. Mesmo com inúmeros obstáculos impostos pela sociedade, continuaram crescendo. Essa data do dia 25 de julho é a oportunidade de aplaudir essas guerreiras que lutaram e lutam pela liberdade. Elas souberam deixar para trás o sacrifício e sofrimento para nós brasileiras e brasileiros, seus sucessores, sermos protagonistas de uma história”.
 
Carolina Maria de Jesus
Maria Odete homenageou Carolina Maria de Jesus, escritora que passou sua vida como catadora de papelão. Usava o material que recolhia no lixo para escrever seus textos. Seu livro “Quarto de despejo” foi lançado em diversos países, o que lhe permitiu mudar sua condição financeira.
 
Conceição Evaristo
Também escritora, prosadora e poetisa brasileira.  Nascida em 1946 na cidade de Belo Horizonte, mudou-se, na década 70, para o Rio de Janeiro, onde formou-se em Letras na UFRJ. Publicou romances como “Ponciá Vicêncio” (2003) e “Becos da Memória” (2006), assim como o livro de contos “Insubmissas lágrimas de mulheres” (2011).
 
Antonieta Barros
Foi a primeira deputada estadual negra do Brasil e primeira deputada de Santa Catarina. Ela, que perdeu o pai na infância, aos 17 anos ingressou na Escola Normal de Santa Catarina. Em 1921, fundou a primeira escola particular para carentes. Tornou-se jornalista, escritora e trabalhou como professora ao longo de sua vida.

Reflexão
Vídeos foram uma forma de apresentar essas pessoas que em nosso país são e foram uma parcela que têm como missão a manutenção e a resistência do povo negro. Tratam-se das maiores vítimas de violência familiar e policial. Sofrem e sofreram, ainda, com o desemprego e baixos salários, mesmo assim, insistem e insistiram em estar presentes nas mais diversas atividades da sociedade e da Igreja. Este dia, em especial, é um convite a todos para uma constante reflexão sobre a condição da mulher negra latino-americana e caribenha. Os vídeos estão disponíveis no canal do YouTube da Pastoral Afro-Brasileira RJ.
 
Cecilia Maria Costa da Silva
Coordenadora da Pastoral Afro-Brasileira RJ


 
 
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