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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Santa Sofia: presente do cristianismo para a Humanidade

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Santa Sofia: presente do cristianismo para a Humanidade

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19/07/2020 04:09
Por: Eduardo Douglas Santana Silva

Santa Sofia: presente do cristianismo para a Humanidade 0

No último dia 10 de julho, o mundo foi surpreendido com um pronunciamento do presidente Erdogan, da Turquia, no qual anunciava que a basílica de Santa Sofia, na cidade turca de Istambul, um museu desde 1935, seria convertida mais uma vez em uma mesquita, templo muçulmano, marcando para o dia 24 de julho a primeira oração pública. A decisão do governo turco foi recebida com preocupação pela comunidade internacional, com o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, alertando para o risco de que a decisão venha a “fraturar Ocidente e Oriente”. Também a União Europeia condenou a ação, e a Unesco, órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura, indicou que pretende revisar o status de Patrimônio da Humanidade dado à basílica em 1985. No dia 12 de julho, um domingo, o Santo Padre, Papa Francisco, após a Oração do Ângelus, manifestou preocupação com a situação. “Penso em Santa Sofia e fico muito triste”. 

Reconhecidamente um dos maiores monumentos da arte cristã, a Basílica da Santa Sabedoria de Deus (em grego Agia Sophia, daí em português ‘Santa Sofia’, não sendo, portanto, uma referência a Santa Sofia, cristã romana do séc. II) foi construída em 537 para ser a catedral de Constantinopla, cidade edificada pelo imperador Constantino Magno no século IV para ser a capital do Império Romano do Oriente (também chamado Império Bizantino, pois ser Bizâncio o antigo nome de Constantinopla). Prodígio da arquitetura, foi ricamente decorada pelos mosaicos e ícones da arte cristã oriental. Tão grande era sua beleza que seu idealizador, o imperador Justiniano, teria dito: “Salomão, eu te superei”, numa referência à beleza do templo de Jerusalém edificado pelo rei Salomão. O historiador bizantino Procópio de Cesareia (c. 500-565), que acompanhou o processo de construção, diz em uma de suas obras que a Basílica de Santa Sofia “tornou-se um espetáculo de maravilhosa beleza, avassaladora para quem a vê” (Procópio de Cesareia, Sobre os edifícios I, 27). Os relatos sobre as cerimônias de coroação imperial que ali aconteciam, bem como a Divina Liturgia ali celebrada, indicam o ideal de que a beleza do prédio e das ações litúrgicas do povo de Deus deveriam ser reflexos da própria beleza divina.

Resistindo ao tempo e aos diversos conflitos ao longo da história, como um colosso a dominar a vista da cidade de Constantinopla, a basílica viu a queda do Império Romano no Ocidente, em 476, e o cisma do Oriente, em 1054, que separou a Igreja do Ocidente das Igrejas orientais, chamadas ortodoxas. Santa Sofia chegou a ser, durante o período das cruzadas, entre 1204 e 1261, uma Igreja de rito latino, mas logo reconquistada pelos bizantinos.

No século XV, porém, com as invasões do território do Império Bizantino pelos otomanos, de religião muçulmana, liderados pelo sultão Maomé II, a cidade de Constantinopla foi tomada em 1453, marcando, assim, com o fim do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino, a Idade Média e inaugurando a Idade Moderna. Segundo relatos da época, durante o cerco otomano de Constantinopla, a Basílica serviu como abrigo para as mulheres, doentes e idosos, enquanto os soldados tentavam conter os invasores. Com a derrota dos bizantinos, porém, a basílica foi invadida e todos os que ali se abrigavam foram mortos.

Com a tomada de Constantinopla, que passava agora a ser chamada de Istambul, os muçulmanos convertem aquela que durante mais de 900 anos foi o grande templo da cristandade oriental em mesquita. Os sinos, o altar, os vasos sagrados e o ícones são retirados e os monumentais mosaicos que cobriam as paredes da basílica são cobertos de gesso. Também foram construídos minaretes (torres utilizadas para convocar os fiéis às orações islâmicas), que rodeiam até hoje a construção.

Durante quase 500 anos, a basílica de Santa Sofia foi uma mesquita muçulmana, até que em 1931 o primeiro presidente da Turquia, Kemal Atatürk, a secularizou, e em 1935 ela foi reaberta, só que como um museu. Santa Sofia tornou-se, assim, um símbolo da História e um marco de proximidade entre cristãos e muçulmanos. Declarada pela Unesco Patrimônio da Humanidade, é reconhecido, assim, o seu valor universal, e pode-se bem dizer um presente da cultura cristã que a edificou para a Humanidade.

Percebe-se, assim, o quanto é preocupante a decisão de converter a basílica mais uma vez em mesquita. O Santo Padre, ao manifestar sua preocupação, insere-se, assim, numa linha de defesa dos valores da liberdade religiosa e da promoção da pacífica convivência entre cristãos e muçulmanos, repudiando toda forma de extremismo, uma convivência que se justifica, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, no fato de que os muçulmanos “adoram conosco o Deus único, misericordioso, juiz dos homens no último dia” (CIC 841).

Ao ser edificada no século VI, a basílica foi dedicada ao Logos, à Sabedoria de Deus, que é o próprio Cristo, Deus e Homem verdadeiro. Peçamos, pois, a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Sabedoria Divina encarnada, que cumule os governantes de sabedoria e que, Ele que é Príncipe da Paz, conceda a paz a todos os povos e a verdadeira concórdia a toda a Humanidade.

Eduardo Douglas Santana Silva
Seminarista da Etapa Formativa discipulado III, 3 º Ano de Filosofia


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