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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 31/10/2020

31 de Outubro de 2020

Do Emanuel ao Servo Sofredor: justiça, docilidade e fortaleza em Isaías

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31 de Outubro de 2020

Do Emanuel ao Servo Sofredor: justiça, docilidade e fortaleza em Isaías

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19/07/2020 03:54
Por: Redação

Do Emanuel ao Servo Sofredor: justiça, docilidade e fortaleza em Isaías 0

Caríssimos irmãos, com o artigo da semana passada começamos nossa trajetória pela vida e ministério do profeta Isaías. Hoje, damos sequência falando do terceiro oráculo do Livro do Emanuel, contido na primeira parte do livro de Isaías, e entramos na segunda parte do livro, que contempla os capítulos de 40 a 55.

Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um renovo

O terceiro oráculo do Livro do Emanuel (Is 11,1-9) é complementar ao segundo (Is 9, 1-6), e fala do ramo/rebento sucessor, da justiça e da paz messiânicas. Dividido em duas partes, o oráculo apresenta o rei ideal, não o monarca vigente, mas o que há de vir no futuro. Em seguida, descreve os frutos do seu reinado, sob a imagem de uma paz paradisíaca. A menção ao tronco de Jessé, pai do rei Davi, mostra que o rei ideal que virá tem suas raízes na mesma humilde condição da família de Davi; condição essa que fora motivo de deboche pelo rei Saul (1Sm 20,30). No entanto, sua seiva permanece, pois o Senhor é quem vivifica as suas raízes (Is 11,1-9). Assim, a profecia diz que é o próprio Deus quem vivificará ao novo rei: a sabedoria e a inteligência que repousarão sobre Ele, através do espírito, levam consigo a clarividência mental, a habilidade e a destreza no agir, tal como atuava o rei Salomão (1Rs 5, 26). O conselho e a fortaleza que esse rei receberá equivalem à prudência no governo e a coragem no combate; o conhecimento e o temor de Deus que lhe serão infundidos são características especiais que levam a reconhecer ao Senhor, venerando-O afetuosamente e aderindo à Sua Aliança. Todos esses dons moldarão a personalidade do novo rei, cuja principal função é a realização da justiça. O fruto dessa justiça é a paz, que se manifestará, até mesmo, na reconciliação entre os animais selvagens e domésticos (vv. 6-7), que serão pastoreados por um menino...

Iniciando a segunda parte do Livro de Isaías, voltamos o nosso olhar à figura do Servo Sofredor, o Servo de YHWH mostrado nos cantos dos capítulos 42,1-4; 49,1-6; 50,4-11 e 52,23–53,12. De fato, nessa segunda parte de Isaías, por meio de oráculos alentadores e persuasivos, o objetivo do livro é convencer os deportados de que se aproxima o momento de abandonar o exílio (Babilônia) e voltar para casa (Jerusalém). Por essa razão, dentre os temas dessa segunda parte temos a identificação da figura do Servo, visto através dos quatro poemas (cânticos), a missão de Israel e a universalidade da salvação. Durante o desterro, Israel viveu um tempo de muita fecundidade espiritual, tendo a oportunidade de refletir a respeito de sua condição especial de povo da Aliança, de sua eleição e missão. Nesse período, recordou-se ao povo a história de Abraão, o Êxodo de Moisés e a monarquia de Davi, para que assim pudesse relembrar que é instrumento escolhido de Deus, para testemunhar as Suas manifestações salvíficas e conduzir os demais povos à salvação, como autêntico mediador entre Deus e os demais homens da Terra. Assim, foi dito ao povo que a restauração que o Senhor realizaria nele não encontraria limites, mas tinha alcance universal, cfr. Is 49,26. Desse modo, assim como os assírios e babilônios foram apresentados pelos profetas anteriores como instrumentos do castigo divino sobre Israel. Agora, será Ciro (rei persa), intitulado Messias, quem servirá de instrumento de salvação para o povo de Israel.

No que se refere aos Cânticos do Servo do Senhor, a investigação científica bíblica mais recente (1983) mostra que eles são um grande poema avulso, que embora independente da segunda parte do livro de Isaías, guarda estreita relação com ela. Assim, após ter-se acreditado que os poemas falavam de um personagem anônimo de Israel ou até mesmo do povo como um todo, hoje já se sabe que o Servo é, na verdade, o Cristo, o Messias enviado do Pai, anunciado pelos profetas e esperado por todo o Israel. Assim, o principal ensinamento que extraímos da figura do Servo é o de que é um escolhido de Deus! Que ensina a seus contemporâneos com simplicidade e carrega seus pecados, sofrendo no lugar deles, de tal modo que ao ser exaltado alcança a salvação para todos os homens! Exatamente desse modo os poemas ou cânticos do Servo foram lidos no Novo Testamento, ou seja, com o intuito de mostrar que Jesus é esse Messias esperado por Israel, que ensinou a verdade e finalmente entregou sua vida em redenção por muitos, através da sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Olhando individualmente para cada poema podemos perceber que no primeiro (Is 42,1-4) o Senhor, que manifestou seu poder na criação e que mostrou Seus planos de salvação na história, anuncia agora uma nova etapa nas ações para salvar o Seu povo. Para tanto, deseja servir-Se do pessoa do Servo, que será, daqui em diante, o protagonista na manifestação e realização dos planos salvíficos divinos. Desse Servo se diz que é misterioso e que tem atributos universais e transcendentes. É alguém humilde e forte, capaz de estabelecer a justiça na Terra, sendo luz às nações, abrindo os olhos aos cegos e libertando os que estão cativos, graças ao espírito (ruah) do Senhor que está sobre ele. Desse modo, o Servo é capaz de ensinar a Lei de Deus até os confins da Terra. No segundo poema (Is 49,1-6), o Servo toma diretamente a palavra e fala às ilhas e povos distantes. Sua missão é fazer com que a salvação chegue aos que estão mais distantes. Tendo a profunda consciência de que foi chamado por vocação, desde o seio materno, para realizar na vida de todos os povos os planos de salvação divinos, o Servo é protagonista na restauração das tribos de Israel e no retorno dos deportados. Até os que não são de Israel devem ser iluminados e sentirem-se alcançados pela salvação que ocorrerá através dele – o que fundamenta a sua atividade é a Palavra do Senhor! Assim, o Servo está capacitado a falar com firmeza; suas palavras são flechas que chegam até a causar divisões entre os homens! No entanto, apesar da proteção divina e de todas essas qualidades, ele também padece sofrimentos! No terceiro canto (Is 50, 4-11), o destaque se dá à pessoa do Servo, ressaltando-se a sua docilidade à Palavra do Senhor e a sua obediência. Ele foi capaz de aceitar todos os sofrimentos oriundos da sua opção por Deus sem reclamar. Dessa maneira, é capaz de sofrer em silêncio, uma vez que só Deus é a sua ajuda e fortaleza. No desenrolar da história humana, só ele permanecerá! No quarto poema (52,13–53,12) fala-se do triunfo e da exaltação do Servo por meio da humilhação, do abandono e dos padecimentos. Nele fica claro que o Servo tomou sobre si as enfermidades de todos os homens para libertá-los e curá-los.

Amados irmãos, tendo podido perceber o quanto Jesus nos amou até o fim, assumindo sobre si as nossas dores e males para nos dar a vida, aproveitemos os pequenos momentos de exílio e desterro que a providência divina nos permite, a fim de que essas ocasiões de purificação se tornem momentos de plena fecundidade espiritual e conversão. Que através deles possamos fixar o nosso olhar ainda mais na Pessoa de Jesus, o Deus que está conosco e que se fez obediente ao Pai em tudo, atravessando com Ele os desertos de nossa vida. Coloquemos toda a nossa confiança em Sua providência, Ele sempre sabe o que fazer com a nossa vida! Deus abençoe a você e a sua família.

Padre Igor Antônio Calgaro
Vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha, em Botafogo 


 
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