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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

A profecia de Oseias: denúncia do sincretismo, anúncio do amor esponsal!

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06 de Agosto de 2020

A profecia de Oseias: denúncia do sincretismo, anúncio do amor esponsal!

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03/07/2020 23:26
Por: Redação

A profecia de Oseias: denúncia do sincretismo, anúncio do amor esponsal! 0

Amados irmãos, dando sequência ao estudo dos Livros Proféticos da Escritura, apresentamos hoje a vida e o ministério do profeta Oseias. Oseias é filho de Beeri e esposo de Gomer, mulher de nome hebraico e, portanto, provavelmente membro do povo escolhido, com quem o profeta tivera três filhos. Homem que viveu toda a sua vida no campo, sendo dono de suas próprias terras, Oseias é um cidadão de ampla cultura profana e religiosa, a quem Deus chamou como instrumento seu para guiar e exortar Israel, num de seus piores períodos históricos. 

O livro do profeta menciona no versículo primeiro os reinados de Ozias (781-740, Jotão (740-736), Acaz (736-716) e Ezequias (716-687), todos reis em Judá (Sul), com a clara intenção de mostrar que Oseias fora contemporâneo a Isaías, e, destacar a superioridade moral do reino do Sul em relação ao Norte, extirpado em 722 a.C. após três anos de perseguição assíria. Na verdade, o ministério de Oseias é contemporâneo a esses três primeiros reinados citados apenas de modo análogo, pois, na verdade influiu diretamente apenas nos reinados de Manaém, Faceias, Faceia e Oseias (19º rei de Israel), reis de Samaria. O profeta é originário do reino do Norte (Samaria), local onde exerceu todo a sua atividade profética entre os anos 745 a 725 a.C., conclusões alcançadas pela investigação bíblica recente, a partir das menções aos locais efraimitas, do vocabulário próprio da região e do conhecimento de suas tradições. Assim, as menções históricas ao reino do Sul são apenas acréscimos posteriores do redator final, que pretendia antepor propositalmente os reis de Judá aos de Israel, para destacar a relevância histórica do reino que perdurara mais tempo.

Oseias é testemunha ocular dos acontecimentos imediatos à morte do rei Jeroboão II (Norte – 788 a 747 a.C.). Dentre eles, a nomeação de seis reis e a ocorrência de cinco rebeliões em apenas 24 anos, acontecimentos que caracterizaram o cenário de decadência vertiginosa em Israel, tendo servido de palco a inúmeras revoltas e intrigas, devido à ascensão assíria. Com a subida ao trono de Tiglate-Pileser III – período da guerra siro-efraimita – e Salmanasar V, respectivamente o Reino do Norte foi totalmente destruído. Nesse contexto, o profeta é capaz de vislumbrar o juízo e o castigo de Deus a respeito de Israel e Judá, reinos formados pelo povo eleito após a morte de Salomão. A mensagem de Oseias é relevante e atual não apenas pelas duras críticas que faz ao sincretismo religioso da época e ainda tão atuante em nossos dias, mas, sobretudo, por anunciar a capacidade do perdão de Deus e toda a grandiosidade do seu amor, numa época na qual esses temas ainda não tinham sido mencionados e, portanto, felizmente ainda não banalizados. Nesse período, de fato, muitos anciãos do povo haviam sucumbido à idolatria, uma vez que, tendo-se tornado agricultores, adotaram o culto ao deus da natureza e da fertilidade como forma de obter boas colheitas e fertilidade no gado e na vida familiar. Assim, acabaram envolvendo-se nas celebrações de prostituição sagrada próprias do culto a Baal, maior ameaça ao monoteísmo e aos valores religiosos do povo escolhido à época.

Da mesma forma como os filhos de Isaías e o celibato de Jeremias foram sinais característicos e eloquentes de seus respectivos ministérios proféticos, o matrimônio de Oseias é, precisamente, o fato mais marcante e distintivo de sua vida e missão; acontecimento que influenciou fortemente a literatura bíblica posterior – Cântico dos Cânticos, Jeremias e Ezequiel –, por significar o amor de Deus por Israel. Por meio de sua atividade profética, Oseias foi capaz de expor as relações de Deus com o seu povo em tom esponsal, através de conceitos inovadores que acabaram por tornar-se os pilares temáticos de seu livro: aliança esponsal e amor misericordioso. Dessa forma, a sua profecia é a antecipação ao século VIII a.C. de uma realidade espiritual que só seria revelada plenamente em Cristo Jesus, fundamento, força e originalidade da mensagem do profeta. Segundo hipóteses mais recentes, Oseias teve um matrimônio real e único com Gomer, embora não estivesse proibida a poligamia e seu matrimônio tenha sido interpretado por São Jerônimo como figura de estilo, devido à complexidade literária da obra. Sua esposa era, realmente, uma mulher normal do povo, que se tornara prostituta (mulher de prostituição), após ter sido infiel ao profeta, lhe abandonado e exigido o repúdio legal, situação da qual se serviu Deus para aplicar à situação de infidelidade assumida voluntariamente por Israel, ao ter optado pela idolatria e mescla da vivência pagã com os ritos sagrados da Aliança (sincretismo). A essa esposa, que o profeta continuou amando, Deus lhe ordena a receber de volta em sua casa (Os 3,1ss) mediante o pagamento de um dote, dado que na cultura da época o marido era o responsável pela alimentação e o vestuário da esposa, e que Gomer sobrevivera, após a separação, dos recebimentos de seus clientes. Assim, pagar o dote era um sinal da disposição do profeta em reconciliar-se com sua mulher e cumprir a vontade de Deus. Desse modo, a mensagem de Oseias, homem que tinha paixão pela vida e uma enorme capacidade de perdão, é um anúncio profético do amor e da misericórdia divina sobre Israel, mensagem capaz de solucionar até mesmo seu conflito matrimonial. Assim sendo, a profecia de Oseias nos anuncia que Deus é, acima de tudo, Amor! Amor por seu povo, apesar de suas inúmeras infidelidades; amor pela criatura humana, apesar de seus muitos pecados. Amor que exige misericórdia e reparação – o profeta toma de volta sua esposa, mas a mantém em abstinência sexual durante algum tempo. No N.T. veremos a mensagem de Oseias ressoar eloquentemente nos Evangelhos de Mateus (2,15) e Marcos (12,33), nos Atos dos Apóstolos (13,10), na 1Cor 15,55 e até mesmo no Apocalipse (17). “Quero a misericórdia (hessed) e não o sacrifício!”, cfr. Os 6,6 op. cit. Mt 9,13 e 12,7. A partir do livro de Oseias, Cristo é identificado como O Esposo da Igreja (Mt 9,15; Jo 3,28), capaz de amá-la com verdadeiro amor esponsal (Ef 5,21-33)!

Caríssimos, tendo tocado com nossa própria vida, por meio do Batismo, da Eucaristia e da Reconciliação, nesse Amor de Deus tão imenso e exigente, que nos supera e constrange diariamente, afastemo-nos de toda e qualquer prática ritual ou conjunto de crenças religiosas que retirem o Senhor Jesus do reinado e senhorio absoluto de nossas vidas. Aprendamos d’Ele a nos reconciliar com aqueles que nos traíram, a fim de espelhar com o nosso modo de viver o jeito como Deus nos trata: amando-nos e perdoando-nos cada dia, apesar de tudo...

PADRE IGOR ANTÔNIO CALGARO,
VIGÁRIO PAROQUIAL DA PARÓQUIA SANTA TERESINHA, EM BOTAFOGO

Pensandodireito.info


 
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