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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

A cruz do Monte Corcovado

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A cruz do Monte Corcovado

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03/07/2020 23:14
Por: Redação

A cruz do Monte Corcovado 0

“E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12,32). A estátua do Cristo Redentor, de braços abertos em forma de cruz, atrai visitantes do mundo inteiro. A cruz do Monte Corcovado nos remete à cruz do Monte Calvário, onde Cristo deu sua vida para nossa redenção. O Brasil sempre será a Terra da Santa Cruz, como sinal de suas raízes cristãs. Desde a primeira Constituição republicana, promulgada em 1890, o Brasil é um Estado laico. Na Constituição de 1988 este princípio é disposto tanto para proteger as religiões de intervenções abusivas do Estado como para salvaguardar o Estado de influências indevidas das religiões. Um Estado laico, porém, não é um Estado ateu. Quando surgem vozes pedindo a retirada dos crucifixos dos tribunais e espaços públicos, a cruz do Monte Corcovado nos traz lembrança saudável de nossas origens cristãs. Contudo, não era esse o projeto original para o monumento. A proposta inicial era construir uma imagem de Jesus Cristo sobre um pedestal, segurando uma cruz com a mão esquerda e o globo com a mão direita. Era uma imagem com profundo simbolismo religioso, mas o povo simples não entendeu o seu significado. Os cariocas a apelidaram “o Cristo da Bola”. Havia críticas sobre a exequibilidade do projeto. Algumas pessoas questionavam a visibilidade da estátua a grandes distâncias. O professor Flexa Ribeiro, da Escola Nacional de Belas Artes, reprovou a concepção artística geral do projeto. Assim, a pedido do Cardeal Leme, Heitor da Silva Costa concebeu um novo projeto em que a cruz é Jesus, de braços abertos, e Jesus é a cruz.

Heitor da Silva Costa registrou a fonte de sua inspiração: “Esta nova concepção foi fortemente influenciada por um fato interessantíssimo: a instalação feita no Corcovado pela Cia. Telefônica de altas torres munidas de antena e de vários braços transversais para estabelecer a comunicação entre o Rio de Janeiro e os Estados Unidos. De frente na casa de meu pai, na Praia de Botafogo, via-se perfeitamente a antena, que parecia uma cruz formada pela torre de 40 metros de altura”. Hoje, a cruz do Monte Corcovado, de 38 metros de altura, somados aos 710 metros da montanha, pode ser observada a grandes distâncias. Objeto de morte no Império Romano, a cruz assume um novo significado no cristianismo, passando a ser o símbolo da Trindade, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Pelo sangue e pelas palavras de Jesus, a cruz se torna um sinal de paz, amor e esperança. Desde os primórdios do cristianismo, os discípulos de Jesus são conhecidos pelo amor e pela paz: “Veja como se amam”, as pessoas diziam. A cruz é um sinal de fé e de bênção, que se torna ação na vida de cada cristão. O sonho do Imperador Constantino nas vésperas da Batalha da Ponte Mílvia ilustra a importância da cruz na vida cristã: “Neste sinal vencerás”. Esta vitória não se resume à vida plena que Cristo nos promete no mundo temporal: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33). Sobretudo, a vitória que a cruz de Cristo nos traz é a vida eterna: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

É comum ouvir-se a frase “pare de sofrer”, como se esta fosse um atributo do cristianismo. A doutrina cristã não apenas demonstra que o sofrimento pode ser salvífico, mas nos convida a completar, em nossa vida, “o que falta às tribulações de Cristo” (Cl 1,24). O próprio Jesus nos estende o convite: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). O exemplo de Jesus nos mostra que parar de sofrer seria parar de viver. Enfrentar as dificuldades da vida, em meio às alegrias da comunhão com Deus, faz parte do bom combate cristão. Jesus veio nos curar do sofrimento da falta de sentido para nossa existência. Quando temos em conta a vida eterna que nos foi conquistada por Cristo, encontramos alento para enfrentar os sofrimentos do dia a dia. Cristo enfrentou o mais duro sofrimento físico e psicológico na sua paixão, uma dor excruciante, literalmente vinda da cruz, mas venceu toda a dor, o mal, a morte e o pecado com a glória da sua ressurreição.

O poema “Jesus e a Cruz”, de Heitor da Silva Costa, nos ensina que, a exemplo do Cristo Redentor, a vida cristã está ligada à cruz: “Quem Te pode separar, Jesus, de Tua cruz? Para quem Te vislumbra do oceano imenso e insondável; para quem Te avista dos píncaros agrestes, ou das praias tranquilas da longínqua Niterói; para quem Te defronta do canal profundo da formosa Guanabara; eis, bem, a cruz de Jesus. Os que, porém, Te alcançam da Cidade Maravilhosa; os que Te enxergam, de rápida passagem, pelos contornos sinuosos do caprichoso litoral; ou, então, Te divisam da frouxa e macia areia das nossas praias de fora; já não tem esta ilusão por saberem muito bem que és Jesus em cruz. Cada dia que desponta, que culmina e se consome, mais atesta esta verdade, sensível, apreciável: ao clarear, és Jesus; ao escurecer, és a cruz. Nos estudos bem cuidados que precederam a execução desta obra toda esmerada, nunca Tu foste considerado, Jesus, separado da cruz. Para os operários em grande afã, atentos a Teu serviço, que constantemente volteiam ao redor da Tua imagem, ora, és a cruz, ora, Jesus. Os que de Ti se aproximam, vencendo, em piedosa escalada, a dura e longa fadiga das rudes escadarias, veem primeiro a cruz e, logo após, Jesus. Não estás, Jesus, pregado na cruz; não estás, Jesus, vergado na cruz; nem mesmo estás abraçado à cruz. É a cruz formada por Tua figura, Jesus. É a cruz alçada por Tua imagem, Jesus; e sustentada por Tua estátua, Jesus. Nesta união querida, sagrada, abençoada, Jesus tem às costas, erguida, a imagem da cruz, e a cruz tem na face, esculpida, a imagem de Jesus.”

Seminarista Alexandre Pinheiro


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