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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 31/10/2020

31 de Outubro de 2020

Há 40 anos, Papa São João Paulo II visitava o Rio de Janeiro

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31 de Outubro de 2020

Há 40 anos, Papa São João Paulo II visitava o Rio de Janeiro

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03/07/2020 21:52
Por: Redação

Há 40 anos, Papa São João Paulo II visitava o Rio de Janeiro 0

Ao assumir a missão de Pedro, em 1978, o Papa São João Paulo II começou suas viagens apostólicas pelo mundo. No Brasil, esteve por três vezes: 1980, 1991 e, por último, em 1997, no Encontro Mundial do Papa com as Famílias.

Na primeira vez, de 30 de junho a 12 de julho de 1980, há 40 anos, ele percorreu 13 cidades em 12 dias, incluindo o Rio de Janeiro, nos dias 1º e 2 de julho, onde esteve na Catedral, Sumaré, Cristo Redentor, Favela do Vidigal e celebrou no Maracanã e no Aterro do Flamengo. Neste ano de 2020, também celebramos o centenário de nascimento do verdadeiro “João de Deus”, que esteve entre nós, agora São João Paulo II, canonizado em 2014, como o “Papa da Família”.

Missa no Aterro do Flamengo
Após passar por Brasília e por Belo Horizonte, o então Papa São João Paulo II chegou em solo carioca no dia primeiro de julho de 1980. E assim que chegou, o Sumo Pontífice cumpriu o primeiro compromisso: presidiu missa no Aterro do Flamengo para mais de um milhão de pessoas, que entoavam a canção “A bênção, João de Deus”.

Na ocasião, o Santo Padre ressaltou a importância da família. “Por muito tempo, no início da Igreja, eram as casas de família os locais onde outras famílias se reuniam para a fração do pão. Cada altar será sempre uma mesa, em torno da qual se congrega, maior ou menor, uma família de irmãos”, disse.

Além disso, o Papa polonês também reforçou a Pastoral Familiar como prioridade no serviço evangélico, e destacou que, naquele momento, desejava sentar à mesa, junto com as famílias brasileiras, para “naquelas casas, onde nada falta, convidá-las a partilhar o que lhes sobra. Nas famílias onde o pão é escasso, para ajudá-las a conquistar aquilo que é necessário para uma vida digna”, acrescentou.

Aos pés do Redentor
Acompanhado pelo então arcebispo do Rio, Cardeal Eugenio de Araujo Sales, o Papa São João Paulo II subiu os 221 degraus que levam até o monumento do Cristo Redentor. No local, o Pontífice rezou na Capela Nossa Senhora Aparecida, inaugurou a placa em comemoração pela visita e, em seguida, abençoou o Rio de Janeiro aos pés do Cristo Redentor.

Durante o discurso, o Papa enfatizou as belezas, mas também as mazelas da metrópole brasileira. “Redentor, os braços abertos, abraçam a cidade aos seus pés. Feita de luz e cor e, ao mesmo tempo, de sombras e escuridão, a cidade é vida e alegria, mas é também uma teia de aflições e sofrimentos, de violência e desamor, de ódio, de mal e de pecado. Radiosa a luz do sol, silhueta luminosa suspensa no ar à noite, o Redentor, em pregação muda, mas eloquente, aqui continua a proclamar que Deus é luz, é amor. Um amor maior do que o pecado, do que a fraqueza e do que a caducidade do que foi criado, mais forte do que a morte”, sublinhou.

Cultura e liberdade: encontro no Sumaré
“Fora da liberdade não pode haver cultura”. Essa foi a frase que permeou o encontro do Papa São João Paulo II com homens e mulheres da sociedade civil, e representantes da cultura, no Sumaré. Ele, ainda, animou os participantes, dizendo: “Não tenhais medo, senhores, abri as portas do vosso espírito, da vossa sociedade, das vossas instituições culturais à ação de Deus, que é amigo do homem e opera no homem e pelo homem, para que este cresça na sua humanidade e na sua divindade, no seu ser e na sua realeza sobre o mundo”, salientou.

Por fim, o Papa encerrou pedindo para que os representantes culturais pudessem contribuir na construção de “uma civilização da verdade e do amor, que criem uma cultura que promova sempre mais o homem e facilite sua evangelização, ajude-o a crescer em sua dimensão: inumana e divina: a reconhecer o valor do próprio ser, o sentido de sua existência, a conhecer e a amar Cristo no qual Deus se revelou plenamente a cada homem e a cada povo”, finalizou.

A fé do Vidigal
Cerca de três anos antes da visita do Papa São João Paulo II, os moradores do Morro do Vidigal já enfrentavam uma grande batalha contra o governo estadual, que havia decretado a remoção de 320 famílias da região.

Inicialmente, alegou-se que o motivo do despejo era o risco de desabamento. Porém, logo descobriu-se que, na verdade, no local, seriam construídas casas de luxo e que as empresas Rio-Towers e Sincorpa já tinham pagado 28 milhões de cruzeiros pelo terreno.

Foi então que Dom Eugenio Sales iniciou o trabalho da Pastoral de Favelas na localidade e contratou engenheiros para que realizassem um novo estudo do terreno, os quais comprovaram que não havia risco de desabamento.

Porém, a cartada final do então arcebispo do Rio, Dom Eugenio, foi a viabilização da visita do Papa ao Vidigal, que aconteceu no dia 2 de julho. Inclusive foi neste local que o Pontífice quebrou o protocolo e doou o seu anel à comunidade, entregando-o ao frei Benjamin Ramiro Diaz, então pároco da Igreja Santa Mônica, no Leblon, e responsável pela pastoral no Vidigal.

Ainda assim, os moradores não quiseram vender o anel apostólico que, inicialmente, permaneceu na comunidade. Porém, após uma assembleia, foi decidido que seria melhor que o anel ficasse no Museu de Arte Sacra da Catedral Metropolitana do Rio, onde permanece até hoje.

Cardeais e bispos da América Latina na Catedral
Em comemoração ao Jubileu de Prata do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam), o Pontífice presidiu missa na Catedral Metropolitana do Rio. Na ocasião, o Santo Padre destacou, durante a homilia, pontos fundamentais das conferências de Medellín, na Colômbia, em 1968, e de Puebla, no México, em 1979.

Dentre as questões abordadas, ele enfatizou a importância da unidade eclesial e do diálogo ecumênico. “A busca da unidade eclesial leva-nos ao coração do ecumenismo. Em tal perspectiva é necessário situar o diálogo ecumênico, que reveste na América Latina características especiais. A oração, a confiança e a fidelidade hão de ser o clima do ecumenismo autêntico. O diálogo entre irmãos de distintas confissões não extingue a nossa própria identidade, mas supõem-na. Bem sei que vos esmerais em criar uma atmosfera de maior aproximação e respeito, a que alguns criam obstáculos com métodos proselitistas nem sempre corretos”, pontuou.

O Papa São João Paulo II ainda acrescentou que “servindo à causa da justiça, a Igreja não deve provocar divisões ou conflitos. Pelo contrário, com a força do Evangelho, a Igreja ajuda a ver e a respeitar em cada homem, um irmão, convida ao diálogo pessoas, grupos e povos, para a justiça ser salvaguardada e a unidade preservada”, concluiu.

Ordenação sacerdotal
O último compromisso do Papa São João Paulo II em solo carioca foi a ordenação de 74 novos sacerdotes no estádio do Maracanã, que contou com a presença de 160 mil pessoas. Dentre os neossacerdotes, dois deles pertenciam à Arquidiocese do Rio de Janeiro: padre Silas Pereira Viana, atualmente cura da Catedral Militar Rainha da paz, em Brasília, no Distrito Federal, e monsenhor Manuel Manangão, hoje vigário episcopal para a Caridade Social e pároco da Paróquia Santa Margarida Maria, na Lagoa.

Na ocasião, monsenhor Manangão disse que a notícia da ordenação foi, ao mesmo tempo, motivo de alegria e preocupação. “Quando soubemos que seríamos ordenados pelo Papa, para nós, foi uma surpresa. Dom Eugenio, na época, nos disse que ele faria uma grande ordenação presbiteral no Maracanã, e que nós estaríamos lá. Depois da surpresa, senti um misto de alegria e preocupação. Alegria pelo privilégio de ser ordenado pelo Papa e preocupação por assumir um compromisso ainda maior com a Igreja. Estava preocupado em como dar conta dessa responsabilidade, já que o Papa é uma pessoa primordial na Igreja. Tinha de corresponder a toda essa expectativa e, ao mesmo tempo, sentia uma alegria muito grande”, contou.

Na feliz recordação e celebração dos 40 anos de ordenação, hoje monsenhor Manangão diz que já falou muito sobre a data, mas acrescentou:
“Hoje eu estou pensando que, pelo tempo, parece uma realidade tão distante, mas ao mesmo tempo tão próxima parece que está sendo. Ontem e hoje me lembrava dos momentos vividos na missa do Aterro onde atuei como um dos cerimoniários e estive tão perto do Santo Padre, sendo-lhe apresentado como um dos que seria ordenado no dia seguinte. E no dia da ordenação, Na imposição das mãos, no abraço de acolhida, imagens tão fortes e singelas. Me lembrava das palavras de Dom Jaime Câmara quando fui acolhido no Seminário aos 13 anos, no primeiro retiro: 'um dia, já padres terão que viver a experiência da ordenação como se fosse sempre presente, atual, como um hoje que se prolonga na vossa história'. E assim tem sido, só que com uma tremenda responsabilidade porque foi o Papa que nos ordenou e por que ele é santo mesmo”, destacou monsenhor Manangão.

Da Redação



 
 
 
 
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