Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/07/2020

04 de Julho de 2020

O Sagrado Coração do Cristo Redentor

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O Sagrado Coração do Cristo Redentor

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26/06/2020 14:12
Por: Redação

O Sagrado Coração do Cristo Redentor 0

A estátua do Cristo Redentor é uma imagem estilizada do Sagrado Coração de Jesus. Por volta de 1929, quando se iniciava a campanha final para a construção do monumento, o Cardeal Leme pediu a Heitor da Silva Costa que o Sagrado Coração de Jesus fosse incluído no projeto. O pedido foi aceito, e um discreto coração de pedra foi moldado no peito da estátua. Esta é a única parte interna do monumento que é revestida de pedra-sabão, onde o coração também é visível, na altura do oitavo platô. Heitor da Silva Costa considerava Dom Sebastião Leme ‘a alma’ do monumento: “Sr. Cardeal, quero lhe falar das alegrias, dos consolos, das conversões e das visões do Cristo do Corcovado. Sem sua fé e suas orações não se poderia fazer o que estamos fazendo. Vossa Excelência quer e se fará o coração aparente, visível na imagem do Cristo do Corcovado. Onde já se viu coisa igual? O coração de Jesus pairando tão alto sobre uma cidade…”.

Nas famílias católicas é comum ver um quadro ou uma imagem do Sagrado Coração de Jesus num lugar de honra, geralmente na sala de entrada da casa. A devoção ao amor de Deus, tão central na fé cristã, leva as famílias ao ato de consagração ao Sagrado Coração de Jesus, que reina sobre a residência e seus moradores, envolvendo-os numa atmosfera de fé e piedade. Diante desta imagem a família se reúne em ação de graças, numa oração de penitência ou para um pedido de novas bênçãos. A cidade do Rio de Janeiro, visitada anualmente por milhares de turistas, sempre foi considerada a porta de entrada do Brasil. Foi aqui, no alto do Monte Corcovado, que Dom Sebastião Leme consagrou todo o país ao Sagrado Coração de Jesus, no dia 12 de outubro de 1931. A 1a Promessa de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque, no século XVII, dizia justamente: “A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”. A inauguração da estátua do Cristo Redentor tornava nosso país literalmente abençoado por Deus. Na linguagem popular, Deus é brasileiro e o Cristo Redentor é carioca.

É conhecido o episódio em que o mestre de obras da construção, o engenheiro auxiliar Heitor Levy, quase perdeu a vida nos andaimes. O projeto não dispunha de solo firme para apoiar os andaimes, pois a base do pico tem apenas 15 metros de diâmetro, menos da metade do necessário para cobrir a extensão entre as pontas dos dedosdo monumento, tudo isso diante de um abismo de mais de 700 metros. Heitor Levy, que foi salvo pelos operários, registrou a experiência para a posteridade: “Por toda a parte, ao redor de nós, a nossos pés, o precipício. Ao menor descuido, à menor falha do material, um pé posto em falso e era a morte certa, caindo no despenhadeiro. Pude ter uma previsão de uma queda desastrada, que só não se tornou realidade por vontade do Supremo. Mas tudo isso já é passado, são reminiscências do trabalho. Temos diante de nós o Cristo em imagem, com seus braços abertos a acolher as nossas dores e as nossas preces”. De credo judaico, Heitor Levy converteu-se ao catolicismo, escrevendo os nomes de sua família num pergaminho guardado dentro do coração interno da estátua do Cristo Redentor. Era um exemplo prático da 11a Promessa do Sagrado Coração de Jesus: “As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu coração”.

Nosso Senhor explicou a Santa Margarida Maria Alacoque a finalidade da devoção ao seu Sagrado Coração: “Eis aqui esse Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada, a ponto de se esgotar e de se consumir para demonstrar seu amor. E, em reconhecimento, eu recebo, da maior parte, ingratidões”. Era um plano de amor e reparação. Amor, em retribuição ao Deus que nos amou primeiro e nos amou até o fim, numa morte de cruz. E reparação, em desagravo aos pecados da Humanidade contra o seu amor infinito. É uma devoção aprovada pelo magistério da Igreja, com fundamento no Antigo e no Novo Testamento. A profecia de Ezequiel assinala que o ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus, é capaz de amar, em conformidade ao Coração de Cristo: “Dar-vos-ei coração novo, porei no vosso íntimo espírito novo, tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ez 36,26). Como explicava o Papa Pio XII na encíclica “Haurietis Aquas”, o Sagrado Coração de Jesus é uma fonte perene de graças para a Humanidade. “Se alguém tem sede, venha a mim e beberá, aquele que crê em mim! Conforme a palavra da Escritura: De seu seio jorrarão rios de água viva” (Jo 7,37-38). São palavras do próprio Jesus: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas, pois meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt 11,28-30). O Divino Mestre conduz nossos olhos para o céu, “pois onde está teu tesouro aí estará também teu coração” (Mt 6,21). O apóstolo São João, que reclinou a cabeça no peito de Jesus escreveu “Deus é amor” (1Jo 4,16). E também São Paulo nos indicava o caminho da perfeição: “Agora, portanto, permanecem fé, esperança, caridade, essas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (1 Cor 13,13). O amor é o segredo de todos os santos. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus, irradiada pela estátua do Cristo Redentor, nos recorda do resumo da Lei e dos Profetas: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10,27).

Seminarista Alexandre Pinheiro
 
 
 
 
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