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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

Jubileu de Ouro do falecimento de padre Penido

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26/06/2020 14:01
Por: Redação

Jubileu de Ouro do falecimento de padre Penido 0

No último dia 23 de junho, completou-se o 50º aniversário de falecimento de padre Maurílio Teixeira-Leite Penido. Foi um renomado filósofo, teólogo e místico que durante 16 anos de sua vida lecionou e foi diretor espiritual no Seminário São José de nossa arquidiocese. Padre Penido é considerado por muitos como o primeiro grande filósofo do Brasil, e algumas de suas obras são referência, até hoje, para estudantes de filosofia e teologia ao redor do mundo.

Nasceu em 1895 em Petrópolis, e com 11 anos mudou-se com a família para a França, onde foi educado. Logo em seguida, transferiu-se para a Universidade de Friburgo, na Suíça, onde terminou seus estudos de teologia e recebeu o grau de doutor em filosofia e teologia, onde, posteriormente, tornou-se professor.

Sua tese para a obtenção do doutoramento em teologia, “Função da Analogia em Teologia Dogmática”, lhe rendeu enorme prestígio nos meios intelectuais europeus, sendo amplamente considerada como o que de melhor já se escreveu sobre o tema em todos os tempos, tornando-se referência nesta matéria. Por isso, a alcunha de “Teólogo da Analogia”. Utilizando-se dos escritos de Caetano (1469-1534) e do próprio Santo Tomás de Aquino (1225-1274), resgatou a importância da utilização da analogia em todos os campos do saber. Permeando todo seu pensamento com este conceito, reapresentou uma das chaves fundamentais do tomismo para nossa geração. Foram influenciados pela obra de padre Penido ilustres pensadores do século XX, como: Mandonnet, Maritain, Journet e Ramirez. Sua obra foi também citada como referência no assunto por Étienne Gilson.

Algumas das marcas dos escritos de padre Penido são sua clareza, o uso de assertivas lógicas e a fluidez com que comunica proposições complexas, mas sem prejuízo da profundidade do conteúdo que comunica. Chegou a acrescentar ao que escreve alguns toques de poesia e até certas notas de ironia, no que se aproximava de um dos seus referenciais, Machado de Assis. Penido jamais publicava o que quer que fosse sem antes redigi-lo várias vezes, nunca menos de três, a julgar pelos manuscritos que dele se conhecem.

Foi um severo crítico do filósofo Henri Bergson e um admirador do recém-canonizado cardeal convertido do anglicanismo John Henry Newman. Destes, o apaixonava a busca da verdade, ideal que se esforça por empregar em sua própria vida e estudos. Na vida espiritual, possuiu significativo apreço pelo místico e doutor da Igreja São João da Cruz, do qual dizia se assemelhar pelo horror à dispersão.

Em 1938, a convite do Cardeal Sebastião Leme, padre Penido retornou ao Brasil para ocupar a Cátedra de Filosofia da recém-fundada Universidade do Distrito Federal e, posteriormente, Universidade do Brasil, onde lecionou por 20 anos. Durante muitos anos contribuiu com a Ação Católica, ministrando conferências e cursos. Da necessidade encontrada em um destes cursos, escreveu sua afamada série “Iniciação Teológica” com seu livro “O Mistério dos Sacramentos” (Petrópolis, 1954), tido como o melhor já editado no Brasil sobre o tema. Desta mesma coletânea temos: “O Mistério da Igreja” (Petrópolis, 1952) e “O Mistério de Cristo” (São Paulo, 1968); estas permanecem referências obrigatórias em eclesiologia e cristologia, respectivamente, para todo aquele que pretende seriamente estudar teologia. Outro livro que publicou com notável repercussão foi um comentário à encíclica “Mystici Corporis Christi”, intitulado, “O Corpo Místico” (Petrópolis, 1944), que foi elogiado pelo próprio Papa Pio XII e o colocou em meio a uma polêmica com integrantes do Movimento Litúrgico, que discordavam de suas ideias.

Em 1956, a Santa Sé concedeu-lhe o título honorífico de monsenhor, dois anos após tornar-se professor do Seminário São José do Rio de Janeiro, onde viveu até o seu falecimento. Ao fim de sua vida pôs em prática a ascese que havia descrito em seu livro “O itinerário místico de S. João da Cruz” (Petrópolis, 1944), e, pacientemente, sofreu com as terríveis dores causadas pelo Mal de Parkinson até o seu falecimento em 23/6/1970.

Padre Penido foi um grande intelectual brasileiro, que de modo excelente colocou-se a serviço da Igreja e contribuiu para formar inúmeros sacerdotes e esclarecer pontos fundamentais da doutrina católica. Passados 50 anos de sua morte, o pensamento e contribuições filosóficas e teológicas de padre Penido ainda são singulares e atuais, e merecem ser redescobertas e estudadas por todos os fiéis.

Seminarista Vinícius Rodrigues da Rocha Brum



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