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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

Evangelização da cultura: o Cristo Redentor na Bossa Nova e na MPB

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23 de Setembro de 2020

Evangelização da cultura: o Cristo Redentor na Bossa Nova e na MPB

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21/06/2020 10:32
Por: Redação

Evangelização da cultura: o Cristo Redentor na Bossa Nova e na MPB 0

Jesus foi o primeiro evangelizador da cultura. No contexto da Galileia no século I, Jesus aproveitava as práticas, símbolos e instituições para anunciar a boa nova da salvação: o grão de mostarda, os lírios do campo, a ovelha perdida, o fermento da massa, a figueira estéril, o sal e a luz, o joio e o trigo, os trabalhadores da vinha, as redes de pesca, a festa de casamento, entre outros exemplos. Era um anúncio simples e eficaz, com as belas imagens rurais da Palestina, de valor universal. Depois da morte e ressurreição de Jesus, os discípulos assumem com renovado ardor a tarefa da evangelização. A palavra ‘evangelho’, de origem grega, significa literalmente ‘boa notícia’. Quando os imperadores alcançavam grandes vitórias militares, enviavam seus evangelizadores à frente para anunciar a boa nova: César venceu, César é o Senhor. Os cristãos, por outro lado, anunciavam a vitória de Jesus sobre a morte, o pecado e os poderes do mundo: Jesus ressuscitou, Jesus é o Senhor. E davam a própria vida para confirmar o senhorio de Cristo, mesmo diante da perseguição. São Paulo usava as imagens urbanas da cidade para anunciar o Evangelho: as corridas nos estádios, a disciplina dos atletas, a armadura dos soldados para combater o bom combate. No areópago de Atenas, São Paulo evangeliza a cultura de seu tempo, falando aos atenienses sobre um de seus monumentos sagrados, onde havia um altar com a inscrição ‘ao Deus desconhecido’. ‘Ora bem, o que adorais sem conhecer, isto venho eu anunciar-Vos’ (At 17,23).

            Em nosso tempo, o monumento do Monte Corcovado torna-se um instrumento para a evangelização da cultura. Ao mesmo tempo amada e reconhecida, a estátua do Cristo Redentor proporciona um diálogo eficaz entre a fé e a cultura, de modo particular nas canções da Bossa Nova e da MPB. No final dos anos 50, Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes lançaram a canção “Chega de Saudade”, marco inicial da Bossa Nova, uma mistura de jazz e samba criada na zona sul do Rio de Janeiro. O ponto alto deste movimento musical foi a canção “Garota de Ipanema”, gravada até por Frank Sinatra, mas foi em “Samba do Avião” que Tom Jobim descreveu o Rio de Janeiro com paixão e espiritualidade: “Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudade. Rio, teu mar, praias sem fim, Rio, você foi feito pra mim. Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara”. A letra descreve o ser humano composto de corpo e alma, capaz de admirar a criação de Deus, na qual ocupa um lugar central. O Deus que cria o mar e as praias do Rio de Janeiro é o mesmo Deus que salva o mundo, o Verbo eterno encarnado, Jesus, o Cristo Redentor. O “Samba do Avião” retratou tão bem o espírito carioca que o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro foi rebatizado com o nome Antônio Carlos Jobim.

            De um modo geral, as canções da Bossa Nova retratam o amor e a beleza. Na canção “Wave”, Tom Jobim escreve: “vou te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender, fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”. E na letra da canção “Corcovado”, Jobim nos fala: ‘na janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo’. De fato, a beleza da criação é um sinal da beleza de Deus. O Cristo nos ensina de onde viemos e para onde vamos, pois ‘tudo foi criado por Ele e para Ele’ (Cl 1,16). Jesus é a personificação da beleza, da bondade e da verdade. Os caminhos ordinários da evangelizaçao são a bondade e a verdade, mas quando se abandona a beleza, a bondade e a verdade perdem a sua força de atração. A beleza infunde alegria no coração do ser humano nos enchendo de esperança na salvação. Na letra da canção “Carta ao Tom 74”, Vinicius de Moraes fala sobre a beleza e o amor, que deve sempre ser recuperado para uma vida feliz: “mesmo a tristeza da gente era mais bela, e além disso se via na janela um cantinho de céu e o Redentor. É, meu amigo, só resta uma certeza, é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor”. 

            A Música Popular Brasileira também faz referência ao Cristo Redentor. Na canção “Expresso 2222”, Gilberto Gil diz que “o Cristo é como quem foi visto subindo ao céu”. É  uma imagem poética da estátua no alto da montanha, como que flutuando no firmamento, que retrata também a ascensão de Jesus ressuscitado. Na canção “Subúrbio”, Chico Buarque diz: “lá tem Jesus, e está de costas”. Embora esta referência possa ser entendida como uma crítica à desigualdade social, o Cristo de costas não significa exatamente exclusão. A imagem do  Redentor de costas é também um convite para segui-Lo, como Ele fez a São Mateus: “Segue-me” (Mt 9,9). Além disso, o Cristo de costas permite também uma alusão a Jesus como a porta da salvação: “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; entrará e sairá, e encontrará pastagem” (Jo 10,11). Na canção “Um trem para as estrelas”, Cazuza fala do Cristo “com os braços sempre abertos, mas sem proteger ninguém”. Na perspectiva do Novo Testamento, o Cristo está sempre pronto a pronto a proteger a Humanidade, mas respeita nossa liberdade. “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3,20). A canção “Alagados”, da Paralamas do Sucesso, fala sobre a dura realidade das favelas brasileiras, retratando a cidade que “tem braços abertos num cartão postal, com os punhos fechados na vida real”. Embora a exclusão social nas favelas seja um problema a ser resolvido, o Santuário Cristo Redentor desenvolve diversas ações sociais para ajudar os mais necessitados. A canção ainda afirma que “a arte é de viver da fé, só não se sabe fé em quê”. Para um cristão, de fato a arte é de viver da fé, mas da fé em Jesus, o Cristo Redentor.

Seminarista Alexandre Carvalho



 
 
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