Arquidiocese do Rio de Janeiro

30º 15º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/07/2020

04 de Julho de 2020

Coração de Jesus, devoção ao amor

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

04 de Julho de 2020

Coração de Jesus, devoção ao amor

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

21/06/2020 10:30
Por: Redação

Coração de Jesus, devoção ao amor 0

Iniciamos o mês de junho, tradicionalmente dedicado à devoção ao Sagrado Coração de Jesus, para honra e glória do Senhor e para a salvação dos homens. O coração é símbolo da vida, das decisões mais importantes, núcleo da existência humana e do próprio amor, que no Evangelho é princípio, meio e fim de toda a existência: Deus, que é amor, tudo criou por amor e nos salva por amor e para o amor.

São João mesmo, o discípulo a quem Jesus amava, definiu a Deus como sendo o próprio amor: Deus caritas est. Frase simples, porém não simplória, carregada de significado teológico, quer expressar a realidade de Deus em toda a sua profundidade. Ora, se Deus é amor, toda a religião e prática religiosa, que por sua vez nos conduzem a Deus, se resumem em amar, como o próprio Senhor nos ensina: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua mente, com todo o teu espírito, e amarás a teu próximo como a ti mesmo: nestes dois mandamentos se condensam toda a Lei e os profetas”.

Se as três virtudes teologais – fé, esperança e caridade – são verdadeiramente tão necessárias para a salvação, São Paulo, por sua vez, ensina-nos que “a maior delas é a caridade”, ou seja, o amor. Pois, só o amor tudo supera, tudo vence e perdurará para além desta vida, para toda eternidade no Reino Celestial.

Como já afirmamos, tudo o que existe, passou a existir porque Deus é amor. Mas, o amor não é isolamento, ele é relacional, é comunhão de vida. Neste sentido, quis Deus o universo criar, e mais ainda o ser humano, para comunicar o mistério do seu amor. São João ainda afirma no prólogo do seu evangelho que Cristo é o Verbo eternamente gerado pelo Pai, mas feito homem no tempo. Com efeito, tanto a geração eterna e divina, quanto a temporal e humana no ventre de Maria, se dão por amor. E o Verbo eternamente gerado e no tempo encarnado por amor é pelo Pai enviado aos homens para a todos salvar também pelo amor. Assim, Deus cria, mas cria para nos salvar pelo amor e para o amor, comunicando-nos por Jesus Cristo o mistério deste amor agora por Ele mesmo revelado e levado à plenitude na cruz. Ele nos ensina que o amor é a lei máxima da nova e definitiva aliança. E a medida deste amor é Ele mesmo: “E o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei”. Ora, Jesus nos amou de forma plena, infinita e radical na cruz, de modo que o seu amor é um amor crucificado, ou seja, capaz de se sacrificar até o derramamento de sangue.

Se de amor é símbolo o coração, precisamente a devoção ao Coração de Jesus é a devoção ao amor. Foi com palavras de amor que Jesus abriu e dilatou os corações mais endurecidos, atraindo-os ao seu próprio Coração; de igual modo, foi com palavras de amor que Ele na cruz clamou ao Pai perdão para os que O ultrajavam e transpassariam o seu Coração; e ainda foi também com palavras de amor que Ele revelou à Santa Margarida a doçura e as maravilhas que encerra o seu Sagrado Coração, cuja relação com os seus devotos não poderia ser estabelecida se não por uma verdadeira aliança de amor.

O ser humano é sedento de amor. O amor gera o ser humano, o amor vela por seu desenvolvimento, por amor ele é capaz de todo sacrifício. A ausência do amor o leva à infidelidade e à guerra; por amor mal entendido ele chega ao pecado, e é o verdadeiro amor que o regenera e o salva.
Grande transformação há de se operar no interior dos corações, quando o amor do Coração de Jesus se encontrar, de verdade, com a sede de amor que há no coração humano. Assim, como grande transformação também há de se operar na família, quando o amor que fundamenta os lares for sedimentado no amor do Coração de Jesus. De igual modo, grande transformação ainda há de se operar na sociedade, no trabalho, na política e em todas as manifestações da vida, quando a Humanidade descobrir o amor do Coração de Jesus. Pois, como afirma Santo Agostinho nas “Confissões”: “Fizeste-nos, Senhor, para Vós – para o Vosso amor – e o nosso coração está inquieto – sedento de amor – enquanto não descansar em Vós – na quietude do amor”.

Do Coração de Jesus transpassado pela lança na cruz jorraram sangue e água, como verdadeira fonte de amor para toda a Humanidade. Se em meio às duras lutas do deserto desta vida, nas quais nos deparamos com tantas provações, tentações e aridez de tudo, buscamos alguma espécie de refrigério e conforto, recorramos ao Coração de Jesus, qual verdadeiro oásis e fonte de amor. E aí poderemos descansar nosso cansaço e saciar nossa sede de amor e sentido à vida. É o próprio Jesus que nos chama ao seu Sagrado Coração, quando nos diz: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Esta passagem é tradicionalmente chamada de “hino de júbilo”. E é exatamente assim, com palavras tão doces e cheias de alegria, que Jesus quer acentuar a centralidade de sua pessoa. Ele é Mestre que ensina de modo diferente de outros mestres. “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”. Ele ensina com doçura, sem arrogância nem severidade, de modo que os mais simples possam d’Ele se aproximar e d’Ele aprender as lições de vida eterna. Sendo assim, o Coração de Jesus é o acesso dos pobres e mais pequeninos ao mais profundo mistério do amor de Deus. Ele é o Coração Divino, que conhece as agruras do coração humano que sofre, sente dor e muitas vezes a ela sucumbe. Por isso, Ele a todos nos chama – “Vinde a mim todos vós” – para que nos saciemos nesta fonte de água viva e caminhemos pelas sendas de um amor que não conhece medidas.
 
Padre Valtemario S. Frazão Jr.



Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.