Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/09/2020

19 de Setembro de 2020

Caminho vocacional, caminho de esperança

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21/06/2020 10:28
Por: Redação

Caminho vocacional, caminho de esperança 0

Celebrando no dia 21 a memória de São Luís Gonzaga, a Igreja o apresenta como patrono de toda a juventude e, de maneira mais especial, como patrono dos seminaristas em preparação para a vida sacerdotal. Em nossa arquidiocese o Seminário São José, com seus 280 anos, é a casa onde são formados os ‘jovens levitas’, como tradicionalmente eram chamados os estudantes dos seminários, inserindo-se num belo caminhar da história da Igreja e da formação sacerdotal.

A reforma tridentina e os primeiros seminários

Em 15 de julho de 1563, na sessão XXIII do Concílio de Trento, o Papa Pio IV promulgava o decreto dos padres conciliares acerca do Sacramento da Ordem, cujo último capítulo, XVIII, tratava “Do método de erigir um seminário de clérigos e educá-los nele”. Vendo na Igreja a necessidade de bem preparar aqueles que futuramente exerceriam o pastoreio de Cristo em meio a suas ovelhas, os padres conciliares pedem que “todas as catedrais metropolitanas e igrejas maiores tenham a obrigação de manter e educar religiosamente e insistir na disciplina eclesiástica, segundo as faculdades e extensão da diocese, certo número de jovens”, formando, assim, um colégio “que seja um plantel perene de ministros de Deus”. Nessa casa que deve ser uma “sementeira” de onde germinem santos sacerdotes, determina o concílio que os alunos “aprenderão gramática, canto, cálculo eclesiástico e outras faculdades úteis e honestas, aprenderão a sagrada Escritura, os livros eclesiásticos, homilias dos Santos e as formas de administrar os sacramentos, em especial o que conduz a ouvir as confissões e os demais ritos e cerimônias”. A Igreja vai, assim, respondendo aos anseios dos tempos com uma preparação cada vez mais aprimorada aos sacerdotes para que bem sirvam o povo de Deus.

Um dos primeiros bispos a colocar em prática as determinações do Concílio de Trento sobre a formação dos seminários foi o arcebispo de Milão, São Carlos Borromeu, que já no ano seguinte, em 10 de dezembro de 1564, inaugurava o Seminário Conciliar de Milão, inicialmente aos cuidados dos padres jesuítas. Grande incentivador das vocações sacerdotais, procurará por todos os meios ajudar o bom discernimento nas várias situações, criando o seminário menor, mas também um instituto especializado para as chamadas “vocações tardias”, além de um instituto para preparar sacerdotes para trabalhar no meio rural, tudo isso para que povo de Deus fosse bem assistido por  sacerdotes capazes de exercer o pastoreio com dedicação, humildade e caridade. Ilustra bem o conselho que ele dá aos novos sacerdotes durante uma ordenação em 1578: “Não
fiqueis satisfeitos apenas com vosso progresso no caminho para o Senhor, no caminho da virtude; esforçai-vos para que o resto das pessoas se santifique através do vosso exemplo e da vossa palavra”.

Os primeiros seminários no Brasil
No Brasil, tivemos que esperar até o ano de 1739, quase 200 anos depois das disposições do Concílio de Trento sobre a formação dos seminários, para termos a primeira casa diocesana para a formação do clero. Essa bela e santa empreitada coube ao então bispo do Rio de Janeiro, Dom frei Antônio de Guadalupe, OFM, que fundou o Seminário São José em 5 de setembro de 1739, inicialmente no Morro do Castelo, em prédio hoje desaparecido junto com o morro, demolido na década de 20. A fundação do Seminário São José abre, assim, as portas para a fundação de outras casas de formação no Brasil, como o seminário de Mariana, fundado por Dom frei Manuel da Cruz em  1750, e o Seminário Nossa Senhora da Graça de Olinda, fundado por Dom Azeredo Coutinho, em 1800.
 
O Seminário São José: personagem ilustre das histórias do Rio e do Brasil “Mas tu gostavas tanto de ser padre, disse ela; não te lembras que até pedias para ir ver sair os seminaristas de São José, com as suas batinas?”

Assim se expressava a mãe do personagem Bentinho em um dos mais famosos romances do grande Machado de Assis, Dom Casmurro, publicado em 1899. O seminário, fundado por Dom frei Antônio de Guadalupe no Rio de Janeiro, logo se tornou uma referência na sociedade carioca, tornando-se até, como vemos, “personagem” de obra machadiana. Na obra, Bentinho acaba saindo do seminário, pois, como lembrará Machado, “15 anos, não havendo vocação, pediam antes o seminário do mundo que o de São José”.

Também fora do mundo da ficção o seminário São José formará grandes nomes para a sociedade brasileira, sendo reconhecido pela educação primorosa oferecida aos alunos.

Um exemplo a ser citado é de Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí, exímio estadista do Império, que além de presidente do Banco do Brasil e senador, foi ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Ministros, tendo estudado no Seminário São José, seguindo depois para Coimbra, onde se formou em matemática. Outros exemplos poderiam ser dados, mas curioso é um testemunho que encontramos na edição de 10 de agosto de 1833 no “Correio Oficial do Império”: um informe da regência que então governava o país em nome de Dom Pedro II, ainda menor de idade, dirigido ao ministro dos negócios do Império para que fosse aceito no Seminário São José um órfão cuidado por uma pobre viúva, para que ali terminasse seus estudos. De fato, desde o início o Seminário São José se destacou pelo grande número de bolsas de estudo dadas a jovens pobres para que pudessem estudar, conforme já previam as disposições do Concílio de Trento. Desde o início, o seminário é fiel à sua divisa: “In caritate et veritate” – “Na caridade e na verdade”.

Ilustres professores também passarão pelo seminário, como o célebre frei Francisco do Monte Alverne, franciscano do convento do Largo da Carioca, pregador da Casa Imperial, que durante muitos anos lecionou filosofia e retórica no seminário. O ensino dado pelos professores do seminário era reconhecido até pelo Estado, pois, conforme documentação do século XIX, os candidatos ao cargo de bibliotecário da Biblioteca Nacional eram examinados pelo reitor do Seminário São José. O seminário do Rio formará, assim, inúmeros sacerdotes, muitos dos quais se tornarão bispos, que, posteriormente, fundarão em suas dioceses seminários, segundo o modelo do Seminário São José.

Após um período fechado no início do século XX, na década de 40, o seminário recebe  um novo impulso com a chegada do arcebispo Dom Jaime de Barros Câmara, que não medirá esforços em incentivar as vocações, inaugurando um novo prédio para os seminários maior e menor na Av. Paulo de Frontin, no bairro do Rio Comprido. Para essa bela empreitada concorreu todos os esforços dos paroquianos e benfeitores, com exímia organização da Obra das Vocações Sacerdotais (OVS). Até mesmo o presidente Getúlio Vargas deu sua ajuda, destinando para as obras do seminário o dinheiro que seria utilizado para a construção de um monumento em sua homenagem.

Não apenas a estrutura física do seminário, mas também toda sua estrutura formativa, recebem nessa nova fase uma grande renovação, contando com grandes professores,  como o monsenhor Maurílio Teixeira-Leite Penido, escritor de grandes obras teológicas e filosóficas no Brasil e na França. Seguindo o caminhar da Igreja, também encontramos o seminário na vanguarda das novidades trazidas pelo Concílio Vaticano II. No âmbito musical, por exemplo, a Schola Cantorum do seminário, já reconhecida na sociedade carioca pela preservação do canto sacro latino, cantará pela primeira vez na arquidiocese, em 1964, as partes fixas da missa (Kyrie, Glória, Credo, Santo e Cordeiro) em português, a missa “Nossa Senhora do Brasil”, de composição do então regente do coral, padre José Alves. Também nesse período o seminário contará com ilustres ex-alunos, como o jornalista e escrito Carlos Heitor Cony, membro da Academia Brasileira de Letras. O Seminário São José será por ele retratado no romance com grande sabor autobiográfico “Informação ao crucificado”, publicado em 1961.
 
São Luís Gonzaga, patrono da juventude, patrono das vocações Nascido em 1568 na Itália, São Luís Gonzaga desde cedo mostrou grande amor a Cristo Jesus. Ao 12 anos recebia a primeira comunhão das mãos de São Carlos Borromeu, e, aos 17 anos, ingressava na Companhia de Jesus, com ardente desejo de servir a Deus como sacerdote. Aos 23 anos, quando fazia já os estudos teológicos, uma grande peste assolou Roma, e São Luís Gonzaga procurou servir com zelo heroico aos doentes nos hospitais da cidade. Acabou infectado, vindo a morrer em 21 de junho de 1591, após seu diretor espiritual, São Roberto Belarmino, ter lhe ouvido a confissão. Em 1926, com a carta Apostólica Singulare Illud, o Papa Pio XI o proclama padroeiro de toda a juventude católica.

Reconhecendo a Deus como fonte dos dons celestes, a Igreja O louva na Liturgia, por reunir em São Luís Gonzaga a prática da penitência e admirável pureza de vida.

Celebrando-o como patrono da juventude e dos seminaristas, peçamos a Nosso Senhor que possa a cada dia iluminar o caminho dos jovens para que façam um bom discernimento vocacional, seja para a vida religiosa, consagrada ou matrimonial e, de modo especial, confiemos ao jovem São Luís, ele que entregou sua vida ao próximo ainda no tempo de formação, fazer dos seminaristas de nossa arquidiocese seus imitadores, confiando na graça divina, e que tenham em mente aquilo que o próprio São Luís escreveu em uma de suas cartas: “Deus me chama à verdadeira felicidade e me dá a certeza de jamais me afastar do seu temor”. Não cessemos de insistentemente rogar: Senhor, enviai operários para a vossa messe!
 
Seminarista Eduardo D. Santana Silva, da etapa Discipulado III, 3º ano de Filosofia
 


 
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