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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/09/2020

19 de Setembro de 2020

O perfeito louvor vos é dado pelos lábios dos mais pequeninos (Sl 8)

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19 de Setembro de 2020

O perfeito louvor vos é dado pelos lábios dos mais pequeninos (Sl 8)

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14/06/2020 13:49
Por: Padre Igor Antônio Calgaro

O perfeito louvor vos é dado pelos lábios dos mais pequeninos (Sl 8) 0

Amados irmãos, no artigo de hoje voltamos o nosso olhar para duas figuras bíblicas que passam quase desapercebidas na Escritura, mas cuja história de conversão e serviço a Deus nos deixam um grande testemunho de fidelidade ao Senhor. Voltando um pouco mais na história bíblica nos remetemos aos séculos XIII e XI-X a.C., respectivamente, a fim de resgatar o exemplo que nos foi deixado pelo profeta Balaão e pelo profeta Natã. 

Balaão, filho de Beor, amonita, é oriundo de Petor (Pitru), uma localidade próxima a Carquemis – Nm 22,5 –, atual Jerablus, situada na fronteira entre a Turquia e a Síria, às margens do Rio Eufrates. O profeta é apresentado na Bíblia como um adivinho e tem seu nome associado, em diversas ocasiões, aos povos inimigos de Israel (Dt 23,5-8), sendo considerado também pela tradição bíblica posterior, um ímpio e charlatão; o episódio que mais acentua essa má fama é o de Baal-Peor, onde mulheres madianitas induziram os homens de Israel à idolatria (Nm 31,16). Apenas no ciclo descrito entre os capítulos de 22 a 24 do Livro dos Números, Balaão é aclamado como um vidente, mago, intérprete de sonhos tais como os de Mari e Canaã, ao qual recorrem pessoas muito importantes, entre elas o Rei Balac, que queria que ele amaldiçoasse a Israel. Balaão vive no período do Êxodo de Israel, momento em que os hebreus haviam deixado o Egito em direção à terra prometida, mais especificamente entre os anos de 1250 a 1220 a.C. Balaão foi consultado pelo Rei Moab sobre quem era o povo que marchava pelo deserto, e, graças à intervenção do Senhor, que se serve também de uma jumenta (Nm 22,10), Balaão abre os olhos e diante de Moab afirma o poder do Senhor, ressaltando como Ele abençoou a Israel.

O profeta costumava misturar o serviço profético ao Deus de Israel às suas antigas práticas pagãs de adoração a outros deuses. No entanto, se analisarmos a íntegra de sua biografia, veremos que este homem foi capaz de testemunhar ao final que não há outro Deus como o Deus de Israel. Assim, tendo-se convencido que o Senhor é o único Deus e que a bruxaria era ineficaz e grave transgressão à lei divina, o profeta, ao longo de sua caminhada, percebe que unicamente poderia pronunciar o que o Deus verdadeiro pusesse em sua boca, sendo incapaz de falar o que o rei Balac lhe tinha pedido (primeiro oráculo). Em seu terceiro oráculo (Nm 24,3-9), Balaão colocou-se à disposição de Deus, momento no qual o espírito de Deus – força, sopro, vento – se apodera dele. Não obstante às comparações pejorativas aos profetas adivinhos da Mesopotâmia (IRQ) ou de Mari (SYR), o que a Bíblia quer nos ensinar a respeito da figura desse profeta é que foi um instrumento de Deus, capaz de anunciar, da parte do Senhor, algumas mensagens importantes em prol do povo escolhido. Nesse sentido, Balaão nos diz que só de Deus pode vir a iniciativa das verdades fundamentais que constituem a fé de Israel, povo escolhido que o Senhor tirou do Egito, do qual sairá o futuro Salvador. Balaão em seus oráculos destaca que Israel é um povo diferenciado, especial, sobretudo no nível de moralidade ao qual está chamado por vocação; um povo vocacionado a ser numeroso e, portanto, invejado pelos demais povos, devido à predileção divina e à sua fortaleza inquebrantável. A partir da infusão do espírito de Deus, Balaão foi ainda capaz de proclamar que Israel é um povo de uma beleza e fecundidade incomparáveis! Um povo que receberá um novo rei, que surgirá como uma estrela da família de Jacó! Nesse sentido, Deus dá a conhecer aos pagãos o seu plano de amor para com o seu povo Israel, e, é justamente Balaão quem indica o momento em que Israel será vitorioso sobre todos os seus inimigos, momento a partir do qual será capaz de viver em paz (Nm 24,8, 9).

Natã, situado aproximadamente entre os anos 1010 a 971 a.C., na esteira de Samuel, é um dos profetas conselheiros da corte real. O profeta é um dos poucos que, sem nenhum tipo de subserviência ou respeito humano, foi capaz de interpretar e reorientar a monarquia dinástica, destacando a sua grandiosidade e limitações, e mostrando claramente ao rei Davi que ele também estava sujeito aos mandamentos do Senhor. Seria como recordar hoje aos que nos representam no Poder Executivo e Legislativo, bem como aos integrantes do Judiciário que eles também estão sujeitos às leis! (cfr. 2Sm 12,7). Natã aparece, assim, em três acontecimentos importantes da vida do Rei Davi: na implantação da monarquia dinástica (2Sm 7,1-17 / 1Cr 17,1-15), no relato do pecado de Davi, no nascimento de Salomão (2Sm 11,2-12.25) e na sucessão do trono davídico (2Rs 1,5-53). No primeiro episódio, no qual o assunto era a construção de um Templo em Jerusalém e a sucessão do trono, Natã é capaz de discordar do rei opondo-se abertamente à construção do Templo. Nesta ocasião, Natã anuncia a promessa da sucessão do trono de Davi, diferentemente dos profetas anteriores que achavam que a monarquia não era necessária, já que Deus era quem governava o seu povo. Desse modo, o profeta é capaz de ensinar a Davi que essa monarquia é a vontade de Deus a respeito de Israel, mostrando que todo descendente da família de Davi será um sinal da presença do Senhor em meio ao seu povo – figura do futuro Messias! No episódio do pecado do rei – adultério com Betsabé e assassinato de Urias – Natã foi capaz de interpelar a Davi com firmeza, fazendo-lhe reconhecer seus pecados e dizendo-lhe ao rei que não está dispensado de cumprir os mandamentos divinos. Além disso, Natã anuncia-lhe o castigo divino. No referente à sucessão do trono de Davi, mesmo após as inúmeras brigas dos filhos mais velhos do rei que desejavam o seu posto, o profeta foi incisivo em recordá-lo que essa dinastia era da vontade de Deus para cumprir a profecia sobre a dinastia davídica; o episódio termina com a nomeação de Salomão em meio à revolta de Adonias. A profecia de Natã é messiânica, tal como nos diz o autor do livro de Samuel, e teve muita influência nos textos posteriores que falam sobre o Messias (Sl 2; 72; 110; Mt 2,4-6; At 2,30; Hb 1,5). Natã é elogiado no Livro do Eclesiástico (Eclo 47,1).

Meus irmãos, a partir desses testemunhos tão peculiares que a Escritura nos oferece, e, tendo já abandonado a vida de outrora, sabendo-nos membros do povo escolhido de Deus, esforcemo-nos para não mais voltar às idolatrias do nosso passado. Sejamos firmes na correção fraterna, sempre que necessário, e lutemos para bem representar o Senhor Jesus em meio à sociedade de nosso tempo. O Senhor sustentará sempre os nossos passos no caminho da obediência e do santo temor. Deus abençoe a você e à sua família.

Padre Igor Antônio Calgaro
Vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha, em Botafogo
'Pensando direito'



 
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