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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/09/2020

23 de Setembro de 2020

Um cardeal, uma pandemia

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23 de Setembro de 2020

Um cardeal, uma pandemia

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08/06/2020 07:30
Por: Eduardo D. Santana Silva

Um cardeal, uma pandemia 0

Em 1576, grande peste assolou a cidade de Milão, que matou a muitos, inclusive nomes como o de Nicola Vientino, músico de grande importância para a Renascença. Milão, nessa época, tinha como cardeal arcebispo o grande São Carlos Borromeu. Não há quem não reconheça o prodígio de zelo e santidade que foi o prelado mais célebre do período da reforma tridentina, e tal zelonão foi diferente ao lidar com a grave situação de saúde em sua arquidiocese. Estimado até pelos poderes públicos, não foi sem dor que propôs logo uma quarentena dos cidadãos para conter a contaminação, e não sem dor maior ainda, fechou as igrejas para conter aglomerações. Mas, a exemplo dos prelados na grave situação em que vivemos agora, não deixou desamparadas as almas dos fiéis. Ordenou que os sacerdotes celebrassem missas em altares construídos nas esquinas das ruas para que o povo assistisse das janelas. Vemos como a saudável criatividade para que o Evangelho chegue a todos não é privilégio de nossos tempos. Eis aí as lives do século XVI. Quando as autoridades civis estenderam a quarentena, São Carlos acatou, ainda que lamentasse o não poder o povo acorrer às igrejas para celebrar o Santo Natal do Senhor. Também organizou pequenas procissões, para que se implorasse a Deus o fim da peste. Como não recordar as belas iniciativas em toda a nossa arquidiocese, onde os sacerdotes saem às ruas sobre um carro com o Santíssimo Sacramento exposto, bem como com as sacras imagens da Virgem Santíssima, indo ao encontro dos fiéis?

Além de todo a preocupação espiritual, sempre sua prioridade, não descuidou da assistência corporal dos mais pobres. Visitou incansavelmente hospitais e lugares menos favorecidos, com grande risco de ser infectado. Mas sua maior preocupação não era sua saúde, mas a dos pobres de quem ia ao encontro. Por isso, tomava todos os cuidados recomendados pela medicina à época. Falava com todos à distância, lavava as roupas com água fervente e constantemente higienizava as mãos com vinagre, bem como as moedas que dava aos pobres em abundância. Numa carta por ele escrita em apelo aos sacerdotes para que tudo fizessem pelos pobres diante das dificuldades não apenas de saúde, mas também sociais, não hesitava em dizer: “Firmemente estou resolvido de que nenhum enfado, nenhum cansaço ou perigo me fará recuar de meu ofício pastoral, ou de, do que estiver ao meu alcance, tudo fazer pelas almas que Deus entregou ao meu cuidado”. Como não recordar aqui as diversas iniciativas sociais de nossas paróquias, sempre ativas, e mais ainda nesses tempos?

Podemos perceber que, apesar dos mais de 400 anos que separam São Carlos Borromeu e a peste de Milão de nosso século e da pandemia que nos assola, bem como suas particularidades, o senso de prudência, humildade e fé sempre estão presentes nas decisões da Igreja. Ainda que nos assuste e angustie ver as Igrejas de portas fechadas, não devemos jamais esquecer: a cada estado de vida, Deus dá a graça suficiente para seu bom desempenho. Confiar nas medidas de nossos pastores, é confiar na promessa de Cristo, que os capacita como seus representantes na Terra: “Ecce ego vobiscum sum omnibusdiebususque ad consummationemsæculi" – "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt. 280, 20). Se as medidas tomadas pelos nossos prelados na pandemia atual se assemelham às tomadas por São Carlos Borromeu, não nos surpreendamos: o Espírito Santo que guiava o arcebispo do século XVI continua guiando da mesma forma o arcebispo do século XXI.

Fontes:
Epidemias, quarentenas, igrejas vazias: precedentes na história. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2020-04/epidemias-quaretenas-peste-precedentes.html

GIUSSANO, John Peter. The lifeofSt Charles Borromeo, cardinal archbishopof Milan. London: Burns andOates, 1884.
JONES, C. A. Life and time of St. Charles Borromeo. London: J. T. Hayes, 1877.

Eduardo D. Santana Silva
Licenciado em história – UFRRJ
Seminarista da etapa Discipulado III, 3º ano de filosofia
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