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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 01/10/2020

01 de Outubro de 2020

A prudência e sabedoria da Igreja

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01 de Outubro de 2020

A prudência e sabedoria da Igreja

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05/06/2020 15:53
Por: Redação

A prudência e sabedoria da Igreja 0

A qualidade das decisões eclesiásticas no que concerne à pandemia tem sido imprescindível para salvaguardar a saúde dos fiéis e o bem comum da sociedade. Tais decisões não são como que tiros às cegas.

A nossa arquidiocese conta com o suporte de muitos recursos humanos e especialistas para a tomada de decisão. É verdade que o bispo decide e dá sempre a última palavra. Contudo, com perícia, escuta todas as partes antes de assumir um programa que mexerá com a vida espiritual dos fiéis e o andamento da vida pastoral das paróquias. Não são decisões fáceis e é uma cruz pesada.

Por isso, é muito importante saber que as igrejas estão fechadas não por meras vontades políticas, e sim porque existe um consenso amplo na Igreja sobre a questão sanitária.

Muitos ainda pensam que os bispos tomaram a decisão do fechamento das igrejas por causa de forças políticas, de que estamos sendo perseguidos, de que a liberdade religiosa foi suprimida, entre outras fantasias. E jamais foi qualquer coisa do tipo, ao menos no nosso contexto brasileiro. Tanto que a prova disso é que mesmo pelo fato de alguns políticos em suas cidades liberarem a circulação com contrassenso técnico, os bispos não mudaram a posição. E se alguma injustiça aconteceu a alguma comunidade específica pelo Brasil afora, foi uma coisa bem pontual, que tem relevância, mas que não deve ser tomada de modo generalizado para o cenário nacional. Obviamente toda injustiça deve ser reparada.

Sem dúvida, se em algum momento for identificada pela Igreja alguma perseguição, seremos os primeiros a denunciar e nos levantar contra. Inclusive, foi algo que aconteceu na retomada da Itália, que sem necessidade queriam segurar por mais tempo as restrições às celebrações públicas da Igreja quando já se apresentava um quadro bem claro de retomada das atividades cotidianas com distanciamento social. A Igreja, que assumiu o fechamento das comunidades por consenso entre os bispos, agora via de fato a necessidade de se contrapor a uma decisão política.

Para julgar se é possível uma retomada local, precisamos saber se os políticos estão agindo com contrasenso técnico por razões econômicas e se os dados batem com uma garantia de que este retorno à normalidade não representa um real risco à saúde pública. Não é porque um político decidiu algo que a Igreja concordará que deve ser assim. Até porque o mundo da política é muito mais nebuloso e cheio de interesses escusos ao bem comum do que muitos são capazes de imaginar. A Igreja não tem compromisso com tais interesses e sim com a pessoa humana.

Em algumas cidades pequenas sem grandes incidências de casos ou com a epidemia sob controle, até teve a reabertura de igrejas, pois os bispos julgaram que seja possível voltar às atividades sem pôr em risco os seus fiéis mantendo o devido distanciamento social mesmo dentro das celebrações.

Ora, vale ressaltar que, em dados momentos, também não será possível estabelecer uma comparação entre a decisão de uma Diocese e outra porque as circunstâncias de cada cidade possuem muitas variantes sanitárias, de mobilidade urbana e parâmetros sociais divergentes.

Qual é a garantia que a Igreja nos dá de que suas decisões são acuradas? A Igreja conta com assessorias, tem o seu próprio governo e gestão, dialoga com especialistas, mantém reuniões de governo semanais, e em situações de crise, até mais de uma vez por semana, produz análises com base em circunstâncias, em dados técnicos, da ciência, de princípios e valores morais nossos, o que é muito importante sublinhar.

E dialogamos sim com os poderes públicos, mas como Igreja tomamos nossas próprias decisões pelo bem da pessoa humana de modo integral.
Não nos é agradável estarmos com as igrejas fechadas, porém, a Igreja está acostumada a fazer sacrifícios pela humanidade. Ao contrário de estabelecimentos religiosos da prosperidade que estão mais preocupados com a sua receita financeira do que com as pessoas.

Embora a preocupação econômica com as comunidades também deve ser uma prioridade da parte da Igreja e dos fiéis. Mas antes vem a pessoa humana e a sacralidade da vida. E aí traçamos uma hierarquia de valores.

Alguns políticos e seus aliados ficam descontentes, pois convencem a seus iguais, infelizmente até de modo espúrio como numa negociata com vidas humanas para botar em execução a sua agenda política se opondo às informações técnicas. Entretanto jamais faremos isso no nosso papel primeiro de defender a vida. Pois, para nós, cada vida vale muito, como diz a Escritura: "Deus é capaz de trocar reinos e nações por ti" (Is 43,4). Significa que cada homem vale mais que as estruturas. Isso delimita a nossa elevada dignidade. Diante de tantas mortes, ninguém é apenas um número, um efeito colateral, ou mais um que se foi. Cada um vale muito, tem uma história e está nos desígnios divinos. Deus mesmo o diz!

Sobre essa dignidade integral da pessoa humana, ainda nos admoestou o Papa Francisco na solenidade de Pentecostes: "Nós, pessoas, somos templos do Espírito Santo, a economia não. (...) Curar as pessoas, não poupar (dinheiro), para ajudar a economia (é importante), curar as pessoas, que são mais importantes do que a economia".

Quando for consenso técnico dos pastores da Igreja, as portas serão reabertas, mesmo que alguém não quisesse a sua abertura, e lutaríamos pela liberdade religiosa se preciso fosse. Tenham certeza que ninguém vai nos obrigar a abrir nem a fechar, pois somos a Igreja dos mártires.

Continuemos a elevar nossas preces e súplicas pedindo a Deus que o quanto antes passe esta pandemia, e dê a consolação aos familiares dos falecidos, e aos enfermos, para que também se recuperem prontamente e sejam todos restaurados em corpo e alma. Que o Senhor reerga todo ânimo abatido!

Padre Augusto Bezerra


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