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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 01/10/2020

01 de Outubro de 2020

O santuário Cristo Redentor e o cuidado com a Casa Comum

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O santuário Cristo Redentor e o cuidado com a Casa Comum

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05/06/2020 15:51
Por: Redação

O santuário Cristo Redentor e o cuidado com a Casa Comum 0

Em 1980, o Papa João Paulo II visitou o Monte Corcovado. O Santo Padre observou que o Rio de Janeiro é uma cidade na qual a arquitetura humana e a arquitetura divina convivem lado a lado. Esta realidade se torna evidente no alto do Corcovado, onde a natureza, criação de Deus e a estátua do Cristo Redentor, símbolo da redenção, aparecem harmonicamente, como se o monumento pudesse ser compreendido quase como uma extensão da montanha. O Cristo do Corcovado é esteticamente belo e tão pleno de significado que se mistura àquela famosa visão da natureza que confirma o título Cidade Maravilhosa. Juntos, a estátua e a natureza do Rio de Janeiro fazem do Santuário Cristo Redentor uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo Moderno.

A natureza do Rio de Janeiro encanta os visitantes desde a época do descobrimento. Ao chegarem na entrada da Baía da Guanabara, no dia 1° de janeiro de 1502, os portugueses chamaram-na Rio de Janeiro. A harmonia com a natureza faz parte do espírito carioca, palavra de etimologia tupi, carijó e oka, que significa ‘casa de índio carijó’. A canção de Jorge Benjor nos recorda aquela época em que ‘todo dia era dia de índio’. Certamente os índios conheciam a trilha para o Monte Corcovado, mas Dom Pedro I conduziu a primeira expedição oficial, em 1824. O cume logo se tornou um destino privilegiado de lazer para cariocas e turistas. Ao visitar o Monte Corcovado, em 1831, o naturalista britânico Charles Darwin relatou ter visto formas e cores que nenhum europeu jamais contemplou em suas terras. A paisagem enfeita-se com tintas tão brilhantes, as formas e cores sobrepujam tanto em grandeza tudo o que o europeu viu em suas terras, que lhe faltam expressões para descrever o que sente. A Estrada de Ferro do Corcovado tem um trecho chamado ‘Curva do Oh’, que expressa a reação dos passageiros quando a paisagem se abre no verde da Mata Atlântica.

Tamanho deslumbramento se explica. A estátua do Cristo Redentor está inserida na Floresta da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do mundo. A cidade do Rio de Janeiro está na região Sudeste do Brasil, às margens do Oceano Atlântico, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio, possuindo um clima marcadamente tropical. O Maciço da Tijuca, do qual faz parte o Monte Corcovado, praticamente divide a cidade, com altitudes variando entre 80 e 1.021 metros de altura, formando uma barreira natural à umidade vinda do mar. Esta barreira geográfica causa elevados níveis de chuva, que favorecem a exuberância da Mata Atlântica. Erguendo-se a 709 metros de altura, o Monte Corcovado não é a elevação mais alta do Maciço da Tijuca, mas é uma das mais destacadas, por ser um penhasco vertical de gnaisse escuro no meio da cidade, em contraste com o verde da Mata Atlântica, o mar e o céu azul e branco. Observado da Enseada de Botafogo, o Corcovado assume uma imponente posição vertical. Sobretudo, o seu cume configura um platô natural, com uma das vistas mais impressionantes da Cidade Maravilhosa. A última parte da Estrada de Ferro do Corcovado, inaugurada em 1885, deixava os passageiros a apenas 40 metros do cume. Desde então, depois de percorrer a pé os últimos passos de escada, os visitantes podiam adentram o ‘Chapéu do Sol’. Era um pavilhão circular de ferro de onde os visitantes podiam apreciar a paisagem com todo conforto, até com acompanhamento de músicos. Era elegante fazer um piquenique no cume. As pessoas subiam o Monte Corcovado para ‘verem a cidade’ e ‘tomarem ares’.

Antes foi necessário enfrentar um grave problema ambiental. Em meados do século XIX, a Floresta da Tijuca estava bastante desmatada pela extração de madeira e pelas lavouras de café e cana de açúcar. A cidade do Rio de Janeiro começava a sofrer com a falta de água potável, pois sem a proteção das árvores as nascentes de água doce que abasteciam a cidade começaram a secar. Dom Pedro II ordenou uma extensa campanha de reflorestamento sob o comando do major Archer. Entre 1862 e 1874, cerca de 150 mil mudas foram plantadas, e a Floresta da Tijuca recuperou o seu frescor original. Na virada para o século XX, a poluição no centro do Rio de Janeiro provocava movimentos migratórios desordenados. As primeiras favelas avançavam sobre o verde da cidade, numa espiral crescente de pobreza, violência e degradação ambiental. Na encíclica "Laudato Si’", o Papa Francisco explica que tudo está interligado: não existe uma crise social isolada da crise ambiental, mas sim uma crise socioambiental. Nos dias atuais, o impacto das ações humanas sobre o planeta atinge um ponto crítico, tornando necessário um renovado entendimento entre as ciências naturais e a teologia cristã. Este é um dos apelos da encíclica "Laudato Si’" sobre o cuidado com nossa Casa Comum, que "clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou" (Laudato Si’ n.2).

O Santuário do Cristo Redentor do Corcovado é um apelo perene ao transcendente. Trata-se do primeiro santuário católico a céu aberto no mundo, um lugar onde o ser humano, a exemplo de São Francisco de Assis, pode estar em harmonia com Deus, com a natureza e com o próximo. A primeira vocação do cume do Monte Corcovado sempre foi a contemplação da beleza da criação, uma experiência que, pela importância do lugar, assume um valor exemplar diante das ameaças à Terra. O Papa Francisco, inspirado no patrono da natureza e dos pobres, nos recorda que o cuidado com a Casa Comum é um aspecto essencial da fé cristã. Os seres humanos são os administradores da criação de Deus. Ao lado do mandato de dominar a terra (cf. Gn 1,28), está também o apelo de a cultivar e guardar (cf. Gn 2,15). O Cristo Redentor, com seu olhar sempre atento à natureza, nos faz este convite amoroso: "Olhai os lírios do campo" (Mt 6,28).

Seminarista Alexandre Carvalho Lima Pinheiro
Etapa formativa síntese - 4º Ano de teologia
Fotos: WWF-Brasil / Marco Teixeira




 
 
 
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