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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 04/07/2020

04 de Julho de 2020

O Santuário Cristo Redentor e o Santuário de Cristo Rei: fé que une o Brasil e Portugal

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04 de Julho de 2020

O Santuário Cristo Redentor e o Santuário de Cristo Rei: fé que une o Brasil e Portugal

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29/05/2020 16:58
Por: Redação

O Santuário Cristo Redentor e o Santuário de Cristo Rei: fé que une o Brasil e Portugal 0

O Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor do Corcovado tem um ‘irmão gêmeo’ na cidade de Almada, na margem sul do Rio Tejo, em Portugal: o Santuário Nacional de Cristo Rei. Na verdade, a estátua do Cristo Rei é inspirada na estátua do Cristo Redentor. Inaugurado em 1931, o monumento carioca recebeu a visita do então Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira, em 1934. Impressionado com a imponência da estátua, que é uma imagem estilizada do Sagrado Coração de Jesus, Dom Manuel teve a inspiração de construir uma obra semelhante na frente de Lisboa, abençoando a capital de Portugal. A ideia de construir o monumento dedicado ao Cristo Rei foi apresentada ao Apostolado da Oração, que a acolheu com entusiasmo. A iniciativa foi aprovada como projeto nacional pelos bispos portugueses em 1937. Foi realizada uma grande campanha de arrecadação, que envolveu toda a população portuguesa. Finalmente, no dia 17 de maio de 1959, na Festa de Pentecostes, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, foi inaugurado o Santuário Nacional de Cristo Rei, como um sinal perene do amor de Deus e da gratidão do povo português pelo dom da paz.

A palavra 'santuário' significa ‘lugar santo’. Os santuários são uma realidade importante na vida da Igreja. No Antigo Testamento os patriarcas se dirigiam aos lugares altos, onde Deus se manifestava. Depois da saída do Egito, Moisés recebeu os Dez Mandamentos no Monte Sinai, e seguiu viagem conduzindo o povo judeu rumo à terra prometida. Jerusalém se torna a sede do Templo, a cidade-santuário para onde os judeus peregrinavam. O próprio Jesus se dirige a Jerusalém, e com sua morte e ressurreição cumpre em Si mesmo o mistério do Templo, abrindo para todos as portas para o céu, a verdadeira terra prometida. Desde então a Igreja é peregrina na terra, rumo ao santuário celeste. Do ponto de vista teológico, um santuário é sinal da presença salvífica do Senhor na História, como uma antessala para o céu. Um santuário geralmente surge de um movimento popular de piedade: é um lugar de repouso, onde os fiéis renovam suas forças para continuar sua caminhada rumo à pátria celeste.

Diversos santuários surgiram ao longo da História como grandes centros da espiritualidade cristã: Jerusalém, lugar da morte e ressurreição do Senhor; Roma, onde foram martirizados os apóstolos São Pedro e São Paulo; Santiago de Compostela, onde está o túmulo do apóstolo São Tiago Maior. E tantos outros santuários, como o Monte Gargano, dedicado a São Miguel Arcanjo; Guadalupe, Lourdes e Fátima, dedicados a Nossa Senhora. E no Brasil, o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padroeira de nossa nação. Em comum, o fato de que os peregrinos se dirigiam a estes lugares santos em grande número, por um motivo especial de piedade. O Santuário Cristo Redentor e o Santuário de Cristo Rei surgem como sinais da fé e do nacionalismo dos povos brasileiros e português. De forma particular, são dois santuários ecológicos, onde as pessoas podem encontrar paz interior, em harmonia com Deus, com a natureza e com o próximo. A estátua do Cristo Redentor tem uma bela vista da cidade do Rio de Janeiro, na famosa combinação entre a natureza e a arquitetura que fazem do monumento uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo Moderno. E a estátua do Cristo Rei se une à visão icônica da Ponte 25 de Abril, sobre o Rio Tejo, que une as cidades de Lisboa e Almada.

Com o passar dos anos, estes monumentos adquiriram um significado que vai além do simbolismo religioso, representando também o turismo e a cultura de seus respectivos países. Num dado momento, a Igreja percebeu que acontecia uma perda do sentido do sagrado nestes monumentos, onde o turismo passou a ter maior peso que o aspecto religioso. Muitos visitantes tinham dificuldade de perceber o Cristo Redentor e o Cristo Rei como lugares sagrados. Em 2006, a Arquidiocese do Rio de Janeiro decidiu criar o Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor, para preservar o sentido original do monumento. Em 2009, o Santuário de Cristo Rei lançou a campanha ‘entrar como turista e sair como peregrino’, na celebração do seu 50° aniversário de inauguração. Naquele ano, entre as iniciativas para incentivar as peregrinações e a nova evangelização, foi assinado um acordo de geminação entre o Santuário Cristo Redentor e o Santuário de Cristo Rei, ressaltando a ligação histórica e espiritual entre estes dois monumentos. A primeira parte do ato solene aconteceu em Almada, no Santuário de Cristo Rei, no dia 17 de maio, através de documento assinado pelos reitores dos dois santuários, padres Sezinando Alberto e Omar Raposo, e pelos bispos das respectivas dioceses, Dom Gilberto Canavarro dos Reis e Dom Orani Tempesta. E a segunda parte, que concluiu o processo de geminação, aconteceu no dia 12 de outubro, no Santuário Cristo Redentor.

A geminação entre os dois santuários é fruto de um processo iniciado há mais de 500 anos, na viagem do descobrimento, quando os navegadores portugueses lançaram as primeiras sementes da fé católica no Brasil. Dom Gilberto e Dom Orani ressaltaram que os portugueses evangelizaram o Brasil, e que o monumento do Cristo Redentor levou o fruto desta fé de volta para Portugal, materializado no monumento do Cristo Rei. O cônsul geral de Portugal no Rio de Janeiro, Antônio José Emauz de Almeida Lima, também presente no Monte Corcovado, lembrou que a história comum do Brasil e de Portugal está repleta de exemplos de inspiração e influências mútuas que revelam um sentimento de grande proximidade e fraternidade entre os dois povos. Apesar do valor histórico do passado, a geminação entre o Santuário Cristo Redentor e o Santuário de Cristo Rei deseja gerar novos frutos no futuro, incentivando as peregrinações e a espiritualidade, no acolhimento e na revelação de Jesus Cristo a toda a Humanidade.
Seminarista Alexandre Pinheiro


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