Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Oração confiante e constante, coração abandonado, jejum e penitência

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06 de Agosto de 2020

Oração confiante e constante, coração abandonado, jejum e penitência

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29/05/2020 16:51
Por: Redação

Oração confiante e constante, coração abandonado, jejum e penitência 0

Amados irmãos, aproximando-nos do fim do Mês Mariano queremos recordar o quão importante é a humildade do coração de Maria, nossa maior intercessora, vendo, a partir da Escritura, muitas de suas virtudes ilustradas na vida e na oração da rainha Ester. De fato, a oração da rainha, situada no ano 474/473 a.C. - época em que Assuero (486-468 a.C.), nome grego do persa Jshayar Shah (Xerxes I), neto de Ciro, O Grande, era o rei da Pérsia -, é uma oração confiante que parte de um coração humilde e inclinado a Deus. Oração que recorda as diversas maravilhas do Senhor em prol da salvação do povo escolhido, tal como se vê no Salmo 136(135). Ester fala com simplicidade, implorando o auxílio divino, na certeza de que Deus não irá desampará-la, muito menos a Seu povo.

O Livro de Ester narra como Deus ouve as súplicas do seu povo e o salva do grande perigo, surgido pela perseguição dos inimigos (império persa). Na obra fica claro como o modo de atuação de Deus é suave e discreto, Ele que por Sua providência continua a conduzir a história humana sem perder o controle de nada. Assim, também na suavidade é o agir de Ester junto do rei Assuero, assemelhando-se aqui também ao agir de Maria, na vida de Jesus e em nossa vida. O livro quer nos mostrar que, ainda que pareça que o Senhor está ausente em alguns momentos difíceis pelos quais passamos, Sua providência continua a atuar discretamente, protegendo-nos e cuidando-nos frente ao inimigo. Do mesmo modo, a suave intervenção de Nossa Mãe Amorosa e Imaculada sempre nos alcança da providência divina muitas graças, muitas vezes sem que nos demos conta. Assim como em nossa vida, na história do povo em tempos de Ester, Deus escuta a oração de seu povo e acude com presteza em seu auxílio, sem, contudo, retirar dele o esforço necessário que lhe corresponde.

A fé de Ester e de Mardoqueu, seu tio, é uma fé vigorosa que não se detém diante das adversidades. Por isso, recorrem ao Senhor para depositar n'Ele toda a sua confiança. Assim, fazem penitência e rezam incessantemente, ao mesmo tempo em que atuam com responsabilidade, tomando todas as iniciativas que estão a seu alcance. Todo o livro é, no fundo, um chamado à valentia e confiança no Senhor, que, de modo algum, pode servir de refúgio para a atitude covarde. Devemos ser valentes para tomar decisões difíceis e comprometedoras em prol da nossa salvação! Nesse sentido, Ester arrisca sua própria vida em favor de seu povo. À luz do N.T., os acontecimentos narrados no Livro de Ester são vistos como um modelo de como atua a providência divina, que nunca dispensa uma mínima participação dos homens.

Desse modo, o livro mostra um conjunto de virtudes que são necessárias para alcançar o favor de Deus: a humildade, a fidelidade aos mandamentos, a constância na oração, o jejum e demais penitências que acompanharam as súplicas dirigidas ao Senhor. Na oração de Ester (Est 14,3-19), comparada a de Maria, aprendemos a confiar em Deus plenamente. Ester, que é figura de Maria na Sagrada Escritura, também na liturgia da Igreja faz-nos lembrar da Poderosa Mãe de Deus e nossa: sua dignidade de rainha, a grandeza de sua alma, a eficácia de sua mediação (intercessão) diante do rei. Ester, assim como Rebeca, Míriam, Raquel, Débora, Ana, Judite fazem parte da lista de santas mulheres que conservaram a viva esperança na salvação de Israel. Delas, a figura mais pura e imaculada é Maria, a Mãe de Deus! Ester ao ficar sabendo que seu povo estava sofrendo, passa a interceder por ele com jejuns e penitências, clamando ao Senhor em favor de Israel. Após certo tempo, decide apresentar-se diante do rei. Maria, em muitas ocasiões de necessidade dos filhos de Deus, também se apresenta corajosamente diante do Rei Jesus, intercedendo, como nas Bodas de Caná, continuamente em favor dos mais necessitados e humildes.

Recebendo sua redação final no início do século I a.C., o livro foi escrito em ambiente pagão, pelo fato de não fazer nenhum referência à presença de Deus no Templo, nem a qualquer das instituições tradicionais do povo. Assim, está endereçado aos povos de todas as nações. Baseando todo o seu argumento no sonho de Mardoqueu, interpretado à conclusão, a narrativa histórica é acrescida pelo autor de uma contínua tensão, à medida que vão surgindo cada um dos personagens. O ponto auge é o momento no qual Amã (vice-rei) é desmascarado pela rainha Ester, ocasião em que o rei Assuero muda de ideia, permitindo assim que os judeus se defendam do ataque dos persas. A estrutura do livro é basicamente a seguinte: no prólogo encontramos a exposição do sonho de Mardoqueu. Na primeira parte, o rei Assuero decide repudiar sua esposa Vasti, e seu lugar é ocupado por Ester, uma jovem judia, órfã de pai e mãe que tinha sido criado por Mardoqueu, seu tio, e fora preparada por eunucos ao longo de toda a sua vida para ser esposa de rei. A segunda parte, mostra o confronto de Amã com Mardoqueu, que denunciou-lhe a conspiração contra o rei Assuero, ao mesmo tempo em que Amã ganhava a confiança do monarca e ia fazendo a sua cabeça contra o povo de Israel. Na terceira parte encontramos o decreto de extermínio dos judeus, anunciado pelo rei por influência de Amã. O documento previa que os judeus fossem exterminados, em todo o território do império no mesmo dia, o terceiro (14/15) do mês de Adar. Na quarta parte do livro vemos os judeus clamando a Deus, momento em que a obra destaca o pedido de seu tio a Ester, a fim de que interceda por seu povo; ocasião em que ambos se dirigem ao Senhor na oração. Na quinta parte, apoiando-se na oração de seu povo e em sua humilde súplica, Ester se dirige ao rei, convidando-lhe a um banquete que ela mesma o preparou. Naquela noite, o rei Assuero se lembrou do favor que lhe fora prestado por Mardoqueu e decide recompensá-lo. Na sexta parte vemos como Deus salvou o seu povo; Amã é desmascarado diante do rei, quando Ester lhe responde que seu povo foi vendido para o extermínio, a matança e a destruição. A partir da condenação imposta a Amã, Mardoqueu assume seu posto (vice-rei) e escreve aos judeus, autorizando que se defendam dos inimigos que, em breve, os atacarão. No dia previsto para o massacre, os judeus vencem a batalha. Eis a razão pela qual se institui a Festa Purim (Est 9,27), na qual se lê o livro. O epílogo mostra a interpretação do sonho de Mardoqueu, a pequena fonte que foi transformada em rio! Ester é esse rio, tomado pelo rei como esposa, tornando-a assim rainha. Amã e Mardoqueu, dois dragões, e as nações são as que se aliaram para apagar da história o nome dos judeus…

Caríssimos irmãos, imitemos com fé essas virtudes da rainha Ester, encontradas de modo sublime na Virgem Maria, e contemos com a intercessão permanente e amorosa de nossa Mãe. Desse modo, cresceremos na confiança ao Senhor e seremos capazes de agir sempre com responsabilidade e criatividade diante dos desafios que a vida nos apresenta.

Padre Igor Antônio Calgaro
Vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha, em Botafogo

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