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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 09/07/2020

09 de Julho de 2020

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22/05/2020 13:19
Por: Redação

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Antes do coronavírus:
- Padre: Hoje teremos reunião.
- Fiel: Onde será? No salão paroquial? Na sala de catequese? Na secretaria?
Depois do coronavírus:
-Padre: Hoje teremos reunião?
-Fiel: Onde será? No Zoom? No GoToMeeting? No Streamyard? No Whatsapp? No Duo? No Microsoft Meetings? No Skype?

Este cenário parece uma daquelas imagens futuristas das demonstrações de empresas de tecnologias, no qual as pessoas se encontram somente por meios virtuais. Porém, esta realidade que parecia tão distante ou desconhecida para tantas pessoas se tornou um meio fundamental no cotidiano das relações. Desde uma reunião de amigos para comemorar um aniversário e outras amenidades cotidianas a aulas em escolas e universidades, e reuniões para importantes decisões.

Neste contexto atual da pandemia da Covid-19, no qual o isolamento social é obrigatório e o único meio de controlar o aumento de contágio, as diversas instituições encontraram nas plataformas digitais o melhor caminho de continuar suas atividades. A Igreja Católica, como uma destas instituições, também adaptou-se de forma a permanecer o máximo possível com suas atividades por meio destes caminhos digitais. No Estado do Rio de Janeiro e também internamente na Arquidiocese do Rio, frequentemente os membros do clero se encontram para formações, partilhar a vida e reuniões nas quais podem discutir temas pertinentes à cotidianidade pastoral da Igreja e planejar outras ações sociais e de evangelização.

Olhando para esta nova realidade, creio que três pontos são importantes diante deste novo comportamento massivo dos encontros em grupos virtuais. Os encontros que temos nas plataformas digitais são reais ou virtuais? Quais são os benefícios que na cotidianidade poderiam proporcionar? Por fim, as interações virtuais poderiam causar as mesmas reações dos encontros “face a face”?

Quando pensamos nas palavras reais e virtuais, a tendência é classificar a palavra 'virtual' como algo negativo que não conteria algo sincero, mas uma oposição ao verdadeiro. Seria dizer que o virtual não teria o mesmo valor que o de duas pessoas que se encontram presencialmente. Isto é um grande equívoco. As relações com as pessoas, com as informações, produtos e instituições dentro dos ambientes virtuais são concretas. Porém, o que vai distinguir o real do virtual não é a alteridade do que temos acesso, mas a qualidade dos relacionamento que colocamos nestas duas realidades, presencial e virtual. Nossos relacionamentos nos ambientes digitais serão sempre reais, a nossa atitude dentro destes meios que definirão se serão íntegras e integrativas. Recordemos as palavras do próprio Papa Francisco em sua primeira carta para o Dia Mundial das Comunicações, quando disse que “particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus”.

Se nos perguntarmos que tipo de benefício tiramos dos encontros realizados nas plataformas digitais, poderíamos dizer que alguns deles são a possibilidade do aproveitamento do tempo e dos recursos econômicos. Pensemos, por exemplo, em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde a locomoção por vias terrestres podem fazer perder horas no trânsito e até mesmo impactar no bolso com combustível. Com alguns encontros (reuniões) realizados pelas plataformas digitais vemos que o tempo também pôde ser utilizado de forma mais flexível, gerando também um redirecionamento e reaproveitamento da economia doméstica ou institucional.

Por fim, um dos questionamentos deste tempo de pandemia, no qual as pessoas recorreram aos meios digitais para se conectar com os amigos, chefes e familiares, é se estes encontros poderiam ser considerados como também positivos. Uma pesquisadora na Finlândia, JonneHietanen da Tampere University, realizou um estudo sobre a interação pessoal durante uma chamada de vídeo. A ativação da musculatura facial e a resposta das alterações cutâneas resultantes da atividade elétrica nas glândulas sudoríparas de cada indivíduo foram testadas. Elas refletem a ativação do sistema nervoso autônomo, que é um indicador de afeto, enquanto a ativação da musculatura facial reflete a positividade ou negatividade do afeto. Percebia-se que os que participaram da pesquisa, estando imóveis, refletiam reações positivas, demonstrando que o contato visual entre as pessoas, sobretudo nas videoconferências, geraram estímulos. Desta forma a pesquisa concluiu que os encontros virtuais podem gerar um contato visual direto, sem a presença física de outra pessoa. Obviamente que nada substitui o encontro físico, porém nada pode se dizer que os encontros virtuais são ausentes de reações físicas e cargas de emoções verdadeiras e positivas.

Neste tempo no qual muitas atividades foram realizadas virtualmente – reuniões e encontros de amigos –, vimos que o grande desejo era de estar juntos, compartilhando momentos e experiências. E quando pensamos ainda mais nas celebrações litúrgicas, vemos também o quanto estamos unidos em torno do altar. Fomos reconfortados e animados a esperar o dia em que retornaremos e celebraremos, reunidos fisicamente em nossas paróquias, ainda com mais fervor e sentimento de ação de graças pelos meios de comunicação que nos possibilitaram estar sempre “conectados” e próximos. Os encontros virtuais serviram e servem para nos conduzir a sua destinação final que é o encontro presencial, o aperto de mão e o abraço. Não sabemos todos os benefícios e desafios dos meios de comunicação após este período de pandemia, mas este tempo importante e difícil da nossa história nos ajudou a redescobrir que “a cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes” .

Padre Arnaldo Rodrigues
 


 
 
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