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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/06/2020

06 de Junho de 2020

A arte como alternativa?

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22/05/2020 13:14
Por: Redação

A arte como alternativa? 0

No período excepcional em que vivemos, passando por um tempo de isolamento social não voluntário, muitas são as opções que são oferecidas de entretenimento para aliviar a tensão desta situação, mas que muitas das vezes não oferecem muito valor no seu conteúdo e acabam por agravar nossos ânimos.

Todas as civilizações do mundo desenvolveram linguagens próprias para externalizar suas angústias e alegrias, certezas e dúvidas, sonhos e realidade, através das mais variadas modalidades artísticas, que de algum modo sempre ajudaram a apaziguar essas questões. Para tanto, iremos tratar no presente artigo sobre uma dessas grandes modalidades que é o cinema.

No cristianismo esta relação não é diferente. Muito se fala da relação da Igreja e a promoção das artes plásticas no Renascimento, da arquitetura na Idade Média, mas pouco se trata da relação entre Igreja e as formas de produção artística contemporâneas, como é o caso do cinema.

Apesar de contar com menos tempo, a relação do mundo católico com o cinema deixou grandes marcas na produção dessa arte, seja na confecção de grandes obras, como as do diretor francês Robert Bresson, seja na crítica especializada, como é o caso do também francês André Bazin, um dos fundadores da renomada revista francesa “Cahiers du Cinéma”, e tantos outros que se utilizaram do patrimônio cultural e filosófico católico para ambientar suas obras.

Na década de 1920, já se falava institucionalmente do papel do cinema para a Igreja Católica, em um movimento que iniciou-se na Europa, mas que gerou frutos, inclusive no Brasil, dando origem a um movimento que ficou conhecido como “cineclubismo”, que consistia basicamente na análise de filmes em circulação a partir dos princípios doutrinários.

Não iremos nos aventurar aqui a falar sobre a história desta arte, que vai para muito além da invenção do cinematógrafo, pois a ilusão cinematográfica trata-se de uma das questões mais antigas da Humanidade. Percorreremos simplesmente uma proposta de revisão através de algumas obras não tão conhecidas, mas que talvez encarnem o melhor que a 7ª arte pode oferecer.

Neste ano de 2020, celebramos o centenário de nascimento do diretor italiano Federico Fellini, um cineasta com uma obra muito autoral, que não raramente tratava de questões muito próprias da existência humana, utilizando-se de uma estética muito particular. Fellini tem duas fases distintas em sua filmografia, que abordaremos en passant.

A primeira que inicia na década 1940, quando ainda trabalhava como roteirista de grandes nomes do neorrealismo, de modo especial Roberto Rossellini com quem Fellini assinou o roteiro de “Roma cidade aberta”, considerado o maior exemplar deste movimento. Em 1950, Fellini estreia como diretor, ainda muito ligado com o neorrealismo, mas já contando com uma estética própria, ainda que muito mais tímida do que viria a ser futuramente.
Do primeiro período de Fellini como diretor destacaria três obras, que compõem a chamada “trilogia da graça” que é composta por: “A estrada da vida”, de 1954 (foi elogiadíassima, recentemente, pelo Papa Francisco no “ La Civilittà cattolica” dos jesuítas), “A trapaça”, de 1955, e “As noites de Cabíria”, de 1957, todos três filmes que se apropriam de elementos da tradição cristã para desenvolver personagens que são colocados através de situações limites diante da questão da redenção pela dinâmica da graça.

A segunda fase inicia-se em 1960, com o escandaloso “A doce vida”, que rompe com todos os paradigmas do cinema até então. Fellini parece ali assinar definitivamente o divórcio com o neorrealismo e abandona as temáticas anteriores para aqui se ater, nesta que muitos consideram como a crítica mais mordaz a sociedade pós-moderna. Através de uma Roma cosmopolita e transviada, Fellini irá nos afirmar e reafirmar, ao longo de 173 minutos, a falência de um modelo de sociedade que surgia. E o mais incrível, isso tudo oito anos antes da revolução sexual.

Interessante notar que a recepção de “A doce vida” nos meios católicos foi muito acirrada, recebendo inclusive na época uma condenação severa do “L’osservatore romano” em sua coluna de cinema. A condenação foi retirada em 2010, quando o jornal fez uma retrospectiva pelos 50 anos da obra. Trata-se o filme de um endossamento à crítica da Igreja ao modelo de sociedade pós-moderna.

Muito mais poderia ser dito sobre este grande diretor e tantos outros, mas para não extenuar o prezado leitor, deixemos para nos prolongarmos em artigos futuros que nos ajudariam muito na compreensão não só da arte em si, como das questões que decorrem dessas obras.

Seminarista Filipe Freitas Machado



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