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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/06/2020

06 de Junho de 2020

O Cristo Redentor: a conquista do Monte Corcovado

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O Cristo Redentor: a conquista do Monte Corcovado

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22/05/2020 13:07
Por: Redação

O Cristo Redentor: a conquista do Monte Corcovado 0

A vocação original da estátua do Cristo Redentor é a comunicação do Evangelho. Quando o padre Pierre Marie Boss concebeu o monumento, no século XIX, ele imaginava uma estátua de Jesus que pudesse anunciar sua mensagem em todas as línguas e linguagens, ao grande e ao pequeno, ao sábio e ao analfabeto: ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida’ (Jo 14,6). A ideia era erguer no alto do Monte Corcovado um símbolo universal. A palavra ‘símbolo’ vem do grego syn e ballo. Syn significa ‘estar junto’, ‘ao lado de’, e o verbo ballo ‘lançar’, ‘movimentar’. Símbolo é aquilo que une duas ou mais realidades, neste caso, Deus e a Hnumanidade. É o oposto de diaballo, aquilo que divide, que separa.

Em 1921, o 'Círculo Católico’ se reuniu para estudar a proposta da construção desta grande estátua de Cristo, abençoando o Brasil. Foi escolhido o projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa: uma imagem de Jesus segurando uma cruz com a mão esquerda e o globo com a mão direita. Um grupo de 20 mil mulheres apresentou um abaixo-assinado ao presidente Epitácio Pessoa, que autorizou a construção, cedendo o cume do Monte Corcovado à Arquidiocese do Rio de Janeiro. O projeto foi exposto no centro do Rio de Janeiro, e os cariocas o apelidaram de ‘Cristo da bola’. Em 1923, quando a Escola Nacional de Belas Artes reprovou a concepção artística do projeto, Dom Sebastião Leme solicitou um novo conceito que pudesse ser percebido de longe, com maior significado religioso.

Heitor da Silva Costa acolheu a solicitação com modéstia e humildade, e se pôs a trabalhar no novo projeto. Havia uma antena de radiotelefonia no alto do Corcovado. Esta antena serviu de inspiração para a mudança do projeto: a própria estátua seria uma cruz, com o tronco ereto e os braços abertos, com o mundo aos seus pés. O pintor Carlos Oswald fez um esboço do novo projeto, que foi prontamente aceito pelas autoridades. Heitor da Silva Costa compreendeu que a obra exigiria a perfeita harmonia entre a arte e a engenharia: a execução combinaria a cabeça e as mãos, como esculturas, e o corpo e os braços, como um edifício. Em 1924, Heitor da Silva Costa viajou a Paris para contratar um escultor capacitado.

A escolha recaiu sobre Paul Landowski, especialista em art déco. O engenheiro Albert Caquot ficou responsável pelos cálculos estruturais. Heitor da Silva Costa estudou o projeto com a preocupação de harmonizar a estabilidade e a parte artística. Entre 1924 e 1926, Paul Landowski executou uma maquete de quatro metros, além das esculturas em tamanho real da cabeça e das mãos do monumento. As mãos de Margarida Lopes de Almeida serviram de modelo para as mãos do Cristo Redentor. O rosto da estátua adquiriu a expressão de bondade autêntica, que é sua característica principal. Os modelos em gesso foram enviados ao Brasil em partes numeradas. O arquiteto Heitor Levy cedeu seu sítio na cidade de São Gonçalo, onde a partir dos moldes foram feitas as peças definitivas da cabeça e das mãos do monumento.

Antes de retornar ao Brasil, Heitor da Silva Costa se voltou para o revestimento da estátua, para dar à imagem do Cristo Redentor um verdadeiro cunho de obra de arte. Em 1927, ao entrar no Champs-Elysées, o engenheiro se deparou com uma bela fonte revestida de mosaico prateado. Ao ver como as peças se acomodavam às curvas da fonte, Heitor da Silva Costa teve a ideia de utilizá-las na imagem do Cristo Redentor. A cidade de Carandaí, em Minas Gerais, tinha uma jazida abundante de pedra-sabão, um material maleável, resistente e bonito, que reduz bastante o efeito do vento e da erosão. Depois de vários cálculos, chegou-se ao formato triangular, com três centímetros de diâmetro e sete milímetros de espessura. As pedras eram coladas uma a uma em faixas de pano por senhoras da sociedade, que aproveitavam para escrever no verso das peças os nomes de seus entes queridos. Depois, as pedras eram aplicadas à estátua pelos operários.

A construção do monumento aconteceu entre 1926 e 1931. O arquiteto Heitor Levy, mestre de obras de Heitor da Silva Costa, morou no alto do Corcovado durante os anos da construção. A estátua foi projetada para resistir a ventos de até 250 quilômetros por hora, uma pressão quatro vezes superior à média registrada no Rio de Janeiro, o que lhe daria um bom coeficiente de segurança. O monumento parecia abençoado por Deus: não houve nenhuma morte ou acidente grave durante toda a construção. Heitor Levy escapou ileso de sofrer uma queda que seria fatal: ele tropeçou nos andaimes e precisou ser salvo pelos operários. De credo judaico, Heitor Levy converteu-se ao catolicismo. Ele deixou uma carta num cilindro de vidro com os nomes de sua família na parte interna do coração da estátua, como prova de fé e devoção. Esta é a única parte interna revestida de pedra-sabão, onde o coração também é visível na altura do oitavo platô.

O dia 12 de outubro de 1931 amanheceu frio e chuvoso. Desde as oito horas, o trem do Corcovado trazia fotógrafos, jornalistas e convidados. Às 10h, já estavam reunidos os bispos e arcebispos aos pés do Cristo Redentor, além do presidente Getúlio Vargas, acompanhado de todo o seu ministério. Dom Sebastião Leme inaugurou a estátua com uma oração. Ele benzeu a base da estátua com água benta, dizendo: ‘Cristo vence! Cristo reina! Cristo impera! Cristo proteja o Brasil contra todos os males!’. O italiano Guglielmo Marconi, inventor do telégrafo sem fio, foi convidado para acionar a iluminação de Roma, mas por uma falha no sistema, o sinal foi enviado do Rio de Janeiro pelo militar Gustavo Corção. O resultado foi o mesmo: o Cristo Redentor brilhou naquela noite, como que flutuando na escuridão, para orgulho dos cariocas e de todo o povo brasileiro. Até hoje a iluminação do Cristo Redentor é um importante componente da sua comunicação com o mundo. Para toda a Humanidade, a estátua é um sinal do amor de Deus: ‘Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura’ (Mc 16,15).

Seminarista Alexandre Pinheiro


 
 
 
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