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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/08/2020

06 de Agosto de 2020

Dia Mundial das Comunicações: uma exortação de fé e esperança

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06 de Agosto de 2020

Dia Mundial das Comunicações: uma exortação de fé e esperança

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22/05/2020 12:15 - Atualizado em 22/05/2020 12:15
Por: Redação

Dia Mundial das Comunicações: uma exortação de fé e esperança 0

Era uma vez uma formiga que carregava com muita dificuldade uma folha que tinha, no mínimo, dez vezes o tamanho dela. Por vezes ela a arrastava e por outras a levava sobre a cabeça.

Quando o vento batia, a folha tombava, fazendo cair também a formiga. Mas, tantos tropeços e sacrifícios não a desanimaram de sua tarefa.
Ao chegarem próximos a um buraco, que deveria ser a porta da sua casa, os observadores da formiga sentiram um grande alívio, afinal ela chegou ao seu destino. Porém, a “porta de entrada” era infinitamente menor que a folha e foi preciso deixá-la do lado de fora.

O fato causou uma grande frustração em todos, afinal a coitada, depois de tanto sacrifício, não conseguiu cumprir a sua missão. E foi aí que a história da pequena formiga surpreendeu seus observadores.

Do buraco saíram outras formigas, que começaram a cortar a folha em pequenos pedaços. Em pouco tempo, a grande folha havia desaparecido, pois fora integralmente levada a seu destino final.

A fábula da pequena formiga não é muito diferente de tantas histórias que vemos por aí e, num contexto de uma pandemia, na simplicidade inerente às grandes histórias, ela nos serve de inspiração e encorajamento para ir além, também na comunicação da maior e melhor notícia de todos os tempos.

O Dia Mundial das Comunicações, tradicionalmente, tem sua mensagem divulgada por ocasião da memória de São Francisco de Sales, e, é celebrada na Solenidade da Ascensão do Senhor. Este ano, foi inspirada no Livro do Êxodo (10, 2), e chama à compreensão, como afirma o Papa Francisco, de que “da memória de Deus brota a libertação da opressão, que se verifica através de sinais e prodígios” e que, “a experiência do Êxodo ensina-nos que o conhecimento de Deus se transmite, sobretudo contando, de geração em geração, como Ele continua a tornar-Se presente”.

Todavia, para que se alcance tal compreensão e reconheçamos a singularidade da nossa missão como batizados - que na atual conjuntura nos eleva a um patamar mais alto de criatividade, disponibilidade e generosidade -, no anúncio da maior e melhor notícia de todos os tempos, importa começar refletindo, ainda que em linhas gerais, sobre nós mesmos e o nosso papel em todo processo da Salvação.

Para isso, nos socorre a narrativa do Livro de Gênesis, em que a Palavra afirma que homem e mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus (1,27).

Acolher essa verdade nos coloca além de uma relação dialogal com o Criador; ela nos obriga a reconhecer a nossa relação constitutiva com Ele, tecida como dom gratuito a partir do primeiro ato da criação, e perpetuada, em Jesus Cristo, com as fibras de um amor indelével.

E o que podemos entender sobre ter uma relação constitutiva com o Criador?
Sempre e em primeiro lugar devemos aceitar que a nossa história é marcada por esse amor, que nos tornou corresponsáveis por toda a criação, e que chegou ao seu ápice, no momento da encarnação do Filho, feito, por sua livre vontade, um conosco: “quem come da minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim, e eu n'Ele” (Jo 6,56), divinizando a nossa Humanidade.

O amor de Deus por nós, mesmo - e, por que não dizer, ainda mais -, a partir da entrada do pecado no mundo, e das constantes irrupções do pai da mentira na dinâmica social, trazendo divisão, medo, guerra e morte, jamais permitirá que estejamos abandonados à própria sorte e, o testemunho da Igreja, desde os seus primórdios, confirma que Ele age na História, pelo seu Espírito, através de cada homem e de cada mulher.

Guardadas a especificidade da história da Humanidade e daquela comunidade de formigas, é justamente a partir a ação solidária das outras formigas, na fábula contada, que a dimensão comunitária do desígnio salvífico da Humanidade pode ser retratada.

As primeiras comunidades cristãs que “eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações" (At 2,42), agiam em vista de um bem maior: o ideal da unidade espiritual inerente a sua condição de filhos adotivos do Senhor, por Jesus Cristo, no Espírito Santo. (Gl 4,5-7, 1Cor 12,13).

Reconhecer tal dinamismo torna compreensível o fato de que "a Igreja foi desejada e projetada pelo Pai, é criatura do Filho e constantemente vivificada pela ação do Espírito Santo. A dimensão comunitária é fundamental na Igreja, pois se inspira na própria Santíssima Trindade, a perfeita comunidade de amor. Sem comunidade não há como viver autenticamente a experiência cristã"

1
Neste sentido, a relação constitutiva do homem com o seu Criador, não poucas vezes rejeitada na História, revela, como afirmou Bento XVI, “de modo luminoso a grandeza e a dignidade suprema do homem, chamado à vida para entrar em relação com a própria Vida” 2.
Logo, podemos afirmar que é essa Vida, alcançável a partir da experiência cristã, que intervém na história de cada homem, de cada mulher, de cada um que clama a Deus e o faz recordar de sua aliança e da nossa peregrinação, tantas vezes marcada pela dor, pela dificuldade e pela falta de esperança e fé.

É ela também que nos resgata, purifica, transforma, nos põe de pé. Que se fez definitivamente História na nossa história, e que nos falou, e fala, também através dos acontecimentos do cotidiano, com a simplicidade e a singularidade que lhe é própria.

É, portanto, na história de cada homem e de cada mulher que “o Pai revê a história de seu Filho descido à terra”3, que o Seu Espírito imprime a infinitude de Seu amor pela Humanidade, entrelaçando vidas que se tornam Eucaristia, como mão prolongada do agir divino, para a salvação de todos. Como afirma o Papa Francisco na sua Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações de 2020: “Quando fazemos memória do amor que nos criou e salvou, quando metemos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, nesse momento estamos a mudar de página. Já não ficamos atados a lamentos e tristezas, ligados a uma memória doente que nos aprisiona o coração, mas, abrindo-nos aos outros, abrimo-nos à própria visão do Narrador (Deus).”4 E assim o fez o Sumo Pontífice, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, em 2013, que ao narrar a mais importante História da Humanidade disse: “Na Cruz de Cristo está todo o amor de Deus, a sua imensa misericórdia. E este é um amor em que podemos confiar, em que podemos crer. (...) Só em Cristo morto e ressuscitado encontramos salvação e redenção. Com Ele, o mal, o sofrimento e a morte não têm a última palavra, porque Ele nos dá a esperança e a vida: transformou a Cruz, de instrumento de ódio, de derrota, de morte, em sinal de amor, de vitória e de vida”. 5 Por isso que na qualidade de anunciadores da “Boa Nova” importa a todos narrar “histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos, ... , que nos fale de nós mesmos e da beleza que nos habita; ... que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, (que) conte a nossa participação num tecido vivo, (e) revele o entrançado dos fios pelos quais estamos ligados uns aos outros”. A fábula da pequena formiga, certamente, narra um pouco das nossas próprias experiências e de tantas outras, em que apesar das dificuldades e desafios, sempre contou com a ação de um Pai que tem por nós um amor compassivo. Um Pai que sempre nos restabelece após nossas quedas e não permite que desanimemos na caminhada; que nos dá a tenacidade ao carregar nossos fardos, com criatividade; nos permite ajudar com generosidade os mais necessitados; partilhar com humildade nosso êxito ao alcançar objetivos e, assim, com nossa história, testemunhar O Amor que transforma vidas.

Michelle Figueiredo Neves

Mestranda em teologia sistemático-pastoral pela PUC-Rio, membro da PascomRio, blogueira católica (blog Ministério do Acolhimento)

1 CNBB. Comunidade de comunidades: uma nova paróquia; Brasília: Edições CNBB, 2014. (Doc.100,nº 154)
2 Bento XVI, PP. Mensagem aos participantes do XXXIII Meeting para a amizade entre os povos. (Rímini, 19-25
de agosto de 2012) – Disponível em: http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/messages/pontmessages/2012/documents/hf_ben-xvi_mes_20120810_meeting-rimini.html – Acesso em 15 mai 2020
3 Id.
4 Id.
5 Francisco, PP. Discurso do Papa Francisco durante a Via Sacra com os jovens. Viagem Apostólica ao Brasil, 26
de julho de 2013 – Disponível em: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/july/documents/papafrancesco_20130726_gmg-via-crucis-rio.html – Acesso em 15 mai 2020.


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