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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 29/10/2020

29 de Outubro de 2020

O que dizem as mensagens de Fátima?

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29 de Outubro de 2020

O que dizem as mensagens de Fátima?

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15/05/2020 02:22
Por: Redação

O que dizem as mensagens de Fátima? 0

Durante o ano, milhares de fiéis vão a Fátima para recorrer a Senhora do Rosário súplicas e agradecimentos, culminando com uma grande manifestação de devoção no dia 13 de maio. Porém, neste ano, o santuário esteve fechado para o povo, contando somente com a presença do Cardeal de Fátima, Dom Antonio Mato, de poucos sacerdotes e alguns fiéis que ajudaram na celebração da missa. Mas, mesmo fechado por causa da atual realidade que estamos vivendo, as mensagens de Fátima permanecem atuais e nos convidam a uma grande e profunda reflexão de vida e fé. Desta forma, separei algumas palavras centrais em Fátima que nos convida a fazer um percurso de peregrinação com Nossa Senhora, o Anjo e os pastorzinhos. Leiamos com um espírito de devoção e reflexão o sentido destas palavras nas mensagens de Fátima. 

Adoração
Durante sua primeira aparição, o Anjo se apresenta em um convite para adorar a Deus. Ajoelhado, curvado no chão, ele convida as três crianças à adoração, o que transforma a fé em esperança e amor: " Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. ". O espírito de adoração na fé, que se converte em espírito de reparação pela esperança e pelo amor, se cumpre através da oração que o Anjo ensina aos pastorzinhos em sua última aparição: "Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores".

Fátima recorda a centralidade da adoração como predisposição interior que nos coloca diante de Deus, o mistério da fé e da misericórdia. A gramática da adoração é a humilde submissão da própria existência nas mãos de Deus, o reconhecimento de Deus como Deus e de Si mesmo como um Filho amado. Através deste processo, o fiel se purifica, e com isso seu olhar sobre o mundo e suas ações, à luz do amor com o qual o próprio Deus o ama.
Os pastorzinhos eram prodígios no espírito da adoração. O talento contemplativo com o qual Francisco buscava recolhimento e silêncio para "pensar em Deus" e para consolá-lo é surpreendente.

Peregrinação
Fátima torna-se um lugar evocativo da presença de um Deus belo e misericordioso. O pedido da Senhora do Rosário para que ali seja erigida uma capela evoca a construção permanente da Igreja através do encontro com Deus. A peregrinação a Fátima é um chamado à viagem interior em direção a um Deus belo e bom. Cada passo dado em direção ao Santuário é chamado a ser um passo dado na intimidade com o Jesus escondido que tanto amou os três filhos de Fátima e que não deixará de cavar poços de intimidade capazes de converter a vida do peregrino.

O caminho exterior da peregrinação de Fátima é um convite a uma viagem interior na intimidade do peregrino, seguro na companhia de Maria, peregrina cheia de graça, que encoraja a busca de Deus - aquela que preciosamente guardou a vida de Jesus em seu coração (Lc 2,19) - e a atenção aos seus irmãos e irmãs - ela, mulher atenta às angústias dos outros (Jo 2,3). Porque peregrinar a Fátima é percorrer um caminho de transformação: voltar a ser crianças (Marcos 10:14-15), na confiança em Deus, na maturidade inocente da fé, na forma das primeiras testemunhas da beleza de Deus em Fátima, Francisco e Jacinta e sua prima Lúcia. Neste tempo em que não se pode realizar esta peregrinação fisicamente, fazemos com o coração e a mente, na certeza de que guiados pelo Espírito Santo realizamos um caminho a este “Altar do Mundo”.

Conversão
O drama da História humana, tocado pelo pecado, é apresentado com uma viva clareza na mensagem de Fátima. O drama do pecado é aqui denunciado profeticamente, traduzido de visões do Inferno, de cidades em ruínas e das muitas referências aos pecados, sobre os quais recai a atenção da misericórdia divina. O pecado resplandece como a gênese da tragédia humana, frente à qual surge a urgência da conversão. Do profundo desapego, a conversão é a adesão ao amor de Deus. A chamada à conversão é o núcleo da mensagem de Fátima e evoca o drama da redenção.
A dimensão pessoal da conversão é central para a mensagem de Fátima. Ao mesmo tempo, o chamado à conversão, presente na mensagem de Fátima, não se limita à sua dimensão pessoal: é também chamado a doar-se pela conversão dos outros e pela conversão dos acontecimentos históricos, na certeza de que a comunidade dos fiéis, através dos discípulos de Cristo, assumirá o ministério da conversão. Desde a primeira oração do Anjo, o drama do mal está presente: "Peço perdão para aqueles que não creem, não adoram, não esperam e não Te amam". Os sacrifícios feitos para a conversão dos pecadores serão a própria expressão da oferta que os pastorzinhos fazem de si mesmos em função de muitos.

Misericórdia
A compaixão torna-se um evento em Fátima. A epifania ali se resume no olhar compassivo de um Deus triste pelo drama da Humanidade, com todos os seus sofrimentos e choques, com suas trincheiras e seu egoísmo. Fátima irrompe no início do século XX como eco do Evangelho, da boa nova da misericórdia, palavra transformadora da História, testemunho profético de outra forma de ser, revelação da compaixão de Deus pelo sofrimento da Humanidade.

O próprio Anjo evocará esta "bondade misericordiosa do nosso Deus, assim um sol nascente virá visitar-nos do alto" (Lc 1, 78) na afirmação de que "os Corações de Jesus e Maria têm grandes planos de misericórdia para convosco". Na conclusão do evento Fátima, lá são duas palavras que ilustram a visão de Tui - Graça e Misericórdia -, que servem como um alpendre de entrada nos mistérios trinitários de Deus, no mistério de Deus como uma comunhão de amor que vai ao drama da História humana. Em um mundo carente de vida plena, mas longe de suas origens, e que visa construir "cisternas para si mesmo, cisternas rachadas que não retêm água" (Jer 2:13)", é a sua própria fonte que vai para quem tem sede. Pois o reino de Deus se torna próximo de um pastor que deixa tudo para buscar a ovelha perdida (Lc 15,3-7).

Coração Imaculado
Na aparição em junho, Nossa Senhora apresenta seu Imaculado Coração como "refúgio e caminho que (...) conduzirá a Deus". A devoção ao Coração de Maria torna-se, juntamente com o pedido de consagração da Rússia e tudo o que ela simboliza, a expressão da presença de Deus que acompanha o drama da História humana, convidando os fiéis à visão de outra história, projetada sobre uma dimensão escatológica.

No fundo do pedido da consagração do Coração de Maria está a centralidade de Deus. Como caminho que leva a Deus, o Coração de Maria é um coração moldado seguindo o próprio Coração de Deus - "Eu vos darei pastores segundo o meu coração" (Jr 3,15) -, e consagrar a Ele é aceitar a vontade de converter-se pela misericórdia divina. O Coração Imaculado é um ícone da vontade de misericórdia que Deus tem para com o seu povo. As orações oferecidas em reparação ao Imaculado Coração de Maria evocam em nós a centralidade da misericórdia de Deus e nos lembram como o coração imaculado revela Sua presença amorosa.

Terço
A Senhora do Rosário não se cansará de pedir aos pastorzinhos que "rezem o terço a cada dia". A razão desta insistência nesta oração indica o núcleo da mensagem de Fátima, evocada principalmente nos relatos do mistério do Rosário: Fátima recorda o rosto bíblico de Deus com sinais de misericórdia (Jr 4,19) que chega ao homem, desejoso de compensá-lo com plena alegria. Imerge na promessa definitiva de um triunfo de Misericórdia que o sacrifício de Cristo, evocado na oração do terço, inaugura.

Exigido em cada aparição de Nossa Senhora - como já é evidente nos primeiros interrogatórios dos pastorzinhos -, o Terço é a oração que se aprende na escola de Maria. Isso nos educa para a humildade da fé, no estilo que essa Mulher única, como de seu fiat, nos dá e que se preserva em cada gesto, cada palavra de Jesus, "meditando todas essas coisas em seu coração" (Lc 2:19). Meditar sobre os mistérios da vida de Cristo, à maneira de Maria, é deixar-se moldar pela presença de Deus, como ela mesma o fez. Começando pela exaltação da Santíssima Trindade - isto é, colocando-se no horizonte da adoração de Deus - a obra redentora de Cristo manifesta-se no Rosário.

Padre Arnaldo Rodrigues


 
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