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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 06/06/2020

06 de Junho de 2020

O Cristo Redentor: um projeto brasileiro

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15/05/2020 02:06
Por: Seminarista Alexandre Pinheiro

O Cristo Redentor: um projeto brasileiro 0

Muitas pessoas acreditam que o monumento ao Cristo Redentor foi um presente da França para o Brasil. Esta ideia não é verdadeira. O monumento é um projeto brasileiro, financiado por doações do povo brasileiro, para comemorar os cem anos da independência do Brasil. Houve uma etapa do projeto realizada na França, mas a equipe era coordenada pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa. Na verdade, a Estátua da Liberdade foi projetada e construída por franceses, como um presente da França ao povo dos Estados Unidos. Na sua origem, o Cristo Redentor é um símbolo dos sentimentos cristãos do Brasil, representando a fé e o nacionalismo do povo brasileiro.

A fé católica é uma das raízes do Brasil, na expressão de Sérgio Buarque de Holanda. A primeira missa foi celebrada quatro dias depois do descobrimento, num domingo, 26 de abril de 1500, no Ilhéu da Coroa Vermelha, hoje desaparecido. A segunda missa, já em terra firme, foi ornada por uma cruz de madeira retirada da mata local, abundante de pau brasil, que depois daria nome ao país. Ambas foram celebradas pelo frei franciscano Henrique Álvares de Coimbra, e serviram como marco de posse, registradas na carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal. A fé católica foi fundamental no processo de desenvolvimento da unidade e da cultura nacionais. Os sinais desta fé ainda estão presentes no nome de cidades como São Paulo e Salvador, ou de estados como Santa Catarina e Espírito Santo. O monumento ao Cristo Redentor seria mais um destes sinais.

O primeiro nome dado ao Monte Corcovado, presente nas cartas gráficas do século XVI, foi Pináculo da Tentação, talvez por iniciativa do cartógrafo florentino Américo Vespúcio. Era uma referência ao episódio bíblico da tentação de Cristo (cf. Mt 4,5). No século XVII, o monte passou a ser comumente chamado Corcovado, por sua forma, que se assemelha a uma corcova. Há os que percebem neste nome uma adaptação de uma frase em latim, cor quo vado, que significa ‘coração para onde vou?’. A ocupação definitiva do monte só aconteceu com a chegada da família imperial ao Brasil, em 1808, quando a abertura dos portos pôs fim a 300 anos de sistema colonial. Foi uma época de grandes melhoramentos para a antiga colônia, eventualmente levando à independência, em 1822. D. Pedro I conduziu a primeira expedição oficial ao Monte Corcovado em 1824, registrada nas telas de Debret. O monarca desejava estabelecer pontos de observação para defender a costa. O Monte Corcovado, a 709 metros de altura, era um local privilegiado, com ampla vista para o mar. Mais do que um ponto de observação militar, o cume do Corcovado logo se tornou um ponto privilegiado de lazer para cariocas e turistas.

Com tamanha beleza, o Monte Corcovado tornou-se uma atração cada vez mais popular, até que D. Pedro II decidiu construir uma estrada de ferro para o cume, inaugurada em 1884. Era a Estrada de Ferro do Corcovado, a primeira construída no Brasil por motivos turísticos. Sua estrutura foi fundamental para a construção da estátua do Cristo Redentor. A ideia partiu de um missionário francês, o padre Pierre Marie Boss, capelão da Igreja do Colégio da Imaculada Conceição, em Botafogo. A Princesa Isabel, filha de D. Pedro II, era uma de suas frequentadoras. O bairro de Botafogo tem uma vista privilegiada para o Monte Corcovado, que o padre Boss considerava "um pedestal único no mundo, à espera da imagem daquele que o criou". Quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em maio de 1888, os abolicionistas quiseram homenageá-la com uma estátua no alto do Corcovado. A princesa gentilmente declinou, ordenando que fosse construída uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, que para ela era o verdadeiro redentor dos homens. Mas este projeto não foi executado, pois a abolição da escravatura rompeu as últimas bases de sustentação da monarquia, precipitando a Proclamação da República, em 1889.

Em 1921, um grupo de leigos levantou novamente a ideia da construção do monumento. A iniciativa foi logo acolhida pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, sob a liderança de Dom Sebastião Leme. O projeto escolhido foi o do engenheiro carioca Heitor da Silva Costa: uma imagem de Jesus sobre um pedestal, segurando uma grande cruz com a mão esquerda, e o globo com a mão direita. Mais tarde, Dom Sebastião Leme solicitou a Heitor da Silva Costa um novo projeto, com maior significado religioso, que pudesse ser observado a grandes distâncias: a própria estátua seria uma cruz, com o tronco ereto e os braços abertos, e o Monte Corcovado um enorme pedestal, como imaginara o padre Boss. A pintura da ideia coube ao brasileiro Carlos Oswald. O escultor francês Paul Landowski foi escolhido para completar o projeto. Dom Sebastião Leme lançou uma grande campanha de arrecadação para a construção, e o monumento ao Cristo Redentor foi inaugurado em outubro de 1931. "Pois Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna" (Jo 3,16).

Seminarista Alexandre Pinheiro


 
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