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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/06/2020

05 de Junho de 2020

A Igreja fazendo o que sempre fez: acolhimento e fé

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A Igreja fazendo o que sempre fez: acolhimento e fé

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03/05/2020 17:21
Por: Redação

A Igreja fazendo o que sempre fez: acolhimento e fé 0

Ambos transformam pandemia em ato de amor e esperança de um novo tempo

Qual é o sentido da vida humana e o valor das relações interpessoais? Essas são algumas das reflexões provocadas pela pandemia mundial, que alcança a todos, independentemente da raça, credo, nível de conhecimento ou condição social.

Para padre Rosivaldo Donizeti, que ministra a celebração eucarística na capela do Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF), na Tijuca, neste momento de travessia da Humanidade, é essencial lembrar do lema da Campanha da Fraternidade de 2020: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele".

"Fazer-se próximo e deixar-se mover pelo sentimento de compaixão que nasce do nosso ser, ver com o coração e cuidar da vida humana são atitudes e ações verdadeiramente cristãs. Jesus se compadecia com amor misericordioso dos irmãos em situação de dor, sofrimento, pecado e desesperança. Observemos os exemplos dos profissionais de saúde que estão na linha de frente, oferecendo a vida a serviço do cuidado, proteção e educação da população quanto aos cuidados indispensáveis à contenção da Covid-19", sublinhou o sacerdote.

No HSF, a palavra de conforto e esperança de Deus chega aos doentes durante a visita de enfermeiros e médicos, que além de ministrar os medicamentos, têm a missão de estimular a coragem e ressuscitar a fé nos enfermos. O apoio também vem dos agentes de saúde da pastoral, que passaram a contar com outro meio para levar a liturgia aos fiéis internados.

A coordenadora da Pastoral da Saúde do HSF e coordenadora de enfermagem da Psiquiatra, irmã Alcenia da Paz, contou como a rotina junto aos pacientes nas enfermarias e UTIs do hospital mudou com a pandemia. Antes, a visita aos enfermos fazia parte do cotidiano dos agentes da pastoral. Para evitar a disseminação da doença, hoje, as palavras de esperança chegam, na maioria das vezes, pelo telefone do quarto onde o paciente está internado.

"É uma doença nova, ainda sendo estudada, então a precaução é de extrema importância para evitar contágio tanto dos familiares quanto dos agentes da pastoral. Nós havíamos começado a preparar as irmãs da pastoral para as visitas aos enfermos com suspeita ou com diagnóstico confirmado do novo coronavírus. Hoje as visitas estão mais restritas. Seguimos todo o protocolo de segurança estabelecido, usando máscaras, luvas e capotes descartáveis, quando estamos nos dois andares reservados para pacientes com Covid-19. Por isso, na maioria das vezes, a palavra de conforto que alimenta o paciente de esperança e de coragem chega por uma ligação recebida no quarto onde ele está em tratamento", contou a irmã Alcenia.

A coordenadora da pastoral relatou, ainda, que a distância dos familiares traz uma solidão grande a esses pacientes, que se sentem acolhidos ao saber que têm alguém rezando por eles: "A mensagem que mais desejam é a de esperança. Quando conversamos com os pacientes, passamos confiança de que podem vencer a doença. A palavra divina também é dada aos familiares em encontros na recepção do hospital."

Para o padre Rosivaldo, que interrompeu as missas celebradas na capela e hoje reza todos os dias, em comunhão com toda a Igreja de Cristo pelas vítimas da Covid-19, por seus familiares, os irmãos falecidos, profissionais da saúde, autoridades políticas, sanitárias e outros, a oração faz renovar a esperança que sustenta e dá forças neste momento de deserto existencial, mas que também santifica e irmana a todos na fraternidade universal.

"Juntos caminhamos de mãos dadas, fé e corações unidos para banirmos do mundo este grande inimigo da sociedade. No entanto, sempre seguindo as orientações dos profissionais da saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde. Só atendo irmãos enfermos que solicitam os sacramentos da Igreja", relatou o padre camiliano, que antes da pandemia visitava diariamente pessoas internadas nos centros de terapia intensiva, quartos e enfermarias do HSF. Hoje, segue as medidas restritivas, porque elas preservam não somente ele, mas as pessoas de uma possível infecção pelo novo coronavírus.

Padre Rosivaldo lembra que o povo latino-americano é caloroso e tem o hábito de abraçar, beijar e apertar as mãos uns dos outros a cada encontro. "Isso já está em nossa cultura, mas, por ora, precisamos cumprir as recomendações sanitárias para que, em um futuro próximo, possamos nos relacionar com as pessoas saudáveis do nosso lado. A gente se cuidar e cuidar do próximo é um ato de amor e respeito pela vida", enfatizou.

Responsável pelo serviço de higienização e limpeza do HSF, irmã Maria Quirina de Moura ressaltou que os colaboradores do hospital estão cientes da importância da boa comunicação e da humanização em todos os contatos com pacientes e seus familiares.

"A Palavra de Deus dá força, conforta e leva esperança aos pacientes e aos seus familiares, que são avisados quando temos a confirmação do Covid-19. Nós os confortamos, explicamos que a função do isolamento é para proteger a família, os orientamos que liguem para os entes que estão internados e que também cuidem dos seus enquanto estiverem em quarentena em casa", orientou.

Servir com amor
A mensagem de conforto espiritual foi levada pelo diretor geral do HSF, frei Paulo Batista, para os pacientes internados no CTI com Covid-19. Com prudência e usando os equipamentos de proteção, ele visitou e deu bênção aos pacientes em isolamento, rezou por todos, conscientes e inconscientes, com lágrimas, porém com gratidão de continuar a servir, tendo o amor como única certeza.

"Após realizar a visita aos pacientes infectados com Covid-19, mergulhei em profunda reflexão sobre o que é essencial, e pude experimentar a sensação daqueles dias que a vida faz mais sentido quando a vocação pulsa dentro de nós e que as horas se tornam segundos de tanta intensidade. Vi, no olhar de cada um, o desespero de uma doença confirmada ou não, mas que causa medo, mas poder ser parte de uma obra que os acolhe e cuida, faz a diferença", disse frei Paulo, emocionado e esperançoso. Segundo ele, alguns pacientes relataram que esta doença, além de causar as consequências no corpo, provoca uma solidão que chega a doer.

"Neste momento em que todo o supérfluo dá lugar ao essencial e simples, a Igreja continua fazendo o que sempre fez: evangelizando por meio de sua ação espiritual e caritativa. Que Deus tenha pena de todos nós e nos dê forças para continuar a cuidar dos enfermos de nossos dias", suplicou.
Frei Paulo Batista ressaltou ainda que é preciso fazer uma homenagem a quem está na linha de frente da pandemia. "Os profissionais da saúde vivem um ministério sagrado, tocando diariamente Jesus em cada irmão doente; Deus sempre os abençoa e lembrará de cada gesto de carinho que dispensaram às pessoas no momento em que mais precisaram. São 'anjos' que se vestem de branco, colocam seus EPIs e manifestam a presença de um Deus amoroso e próximo, um milagre contínuo de Amor. Parabéns a todos os profissionais que atuam na área da saúde", diz agradecido o diretor do HSF.

Orações que vêm da clausura
Para além das paredes dos hospitais, os doentes, seus familiares e os profissionais de saúde não sabem, mas também contam com as graças de amor que vêm de Deus pelas orações das irmãs na clausura. Elas rezam por todas as enfermidades humanas e, especialmente, nesse momento de pandemia, dedicam suas preces à cura.

As monjas carmelitas do Convento de Santa Teresa vivem em oração e imolação, quando apresentam a Deus as necessidades mais urgentes da Igreja e da Humanidade, e que, iluminadas pelo testemunho de Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja, buscam o amor por meio da vida de oração e de santidade:

"Como o coração bombeia o sangue para todo o corpo humano, assim nossa intercessão pode impulsionar graça, salvação e vida em plenitude para todos os profissionais da área de saúde, seus pacientes e seus familiares para serem consolados na caridade, animados na esperança e fortalecidos pela fé", comparou a madre superiora do convento.

Em tempos de solidão provocada pela necessidade do isolamento social, uma das monjas carmelitas aconselhou:
"É importante compreender que não há motivo para nos sentirmos sós, pois não estamos. O amor e o carinho continuam, mesmo que o contato físico se tenha distanciado. Esta é uma oportunidade para conviver de forma mais íntima. Fale com quem está em casa com tranquilidade, sem pressa. Escute até que terminem, deixe que o diálogo faça crescer a confiança e as confidências construam cumplicidade. Diga aquilo que nunca teve tempo de dizer, conte o que sempre quis contar, fale de tudo e de nada, mas com carinho, que é o que chega à alma e nela faz ninho. Assim descobrirá que a distância não é ausência".

No Instituto Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento, a adoração eucarística se estende durante todo o dia e também até a madrugada, quando todas as irmãs da comunidade levam em seus corações os sofrimentos e as angústias de todos os homens e mulheres, e pedem intercessão por cada um.

Uma das filhas do instituto, a irmã Inês da Mãe de Deus, ressaltou que pedem a Deus para que cresça a fé nos corações, com a certeza de que o Senhor está conosco:

"Ele segura nossa mão, o sofrimento é habitado por seu amor, embora não compreendamos os seus mistérios. Pedimos ouvidos afinados para captarmos os apelos que Ele nos dirige nos convidando a rever o essencial em nossa vida, o conforto para os que mais sofrem e a graça de unirem-se a Cristo. Pedimos a fortaleza ao nosso Papa, bispos, sacerdotes e a todos os que estão à frente desta batalha, especialmente os governantes, médicos e agentes de saúde, para que, a exemplo de Jesus Bom Samaritano, possam ser alívio e esperança e, particularmente, suplicamos a Deus pelo fim desta pandemia".

Nos Mosteiros Clarianos, as súplicas seguem as intenções recomendadas pelo Santo Papa Francisco e o Cardeal Orani João Tempesta, por todos os atingidos pelo novo coronavírus. Segundo madre Pacífica de Jesus, da Ordem de Santa Clara, as irmãs rezam especialmente pelos irmãos enfermos, pelos médicos e profissionais de saúde que se dedicam arriscando a própria vida. E vão além: "Pedimos também em preces que os governantes sejam iluminados em suas decisões, em favor dos mais necessitados".

Colaboração: Cristina Miguez


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