Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 24º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 30/10/2020

30 de Outubro de 2020

A voz do pastor, que as ovelhas reconhecem e o seguem

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

30 de Outubro de 2020

A voz do pastor, que as ovelhas reconhecem e o seguem

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

03/05/2020 16:51
Por: Dom Antônio Augusto Duarte

A voz do pastor, que as ovelhas reconhecem e o seguem 0

Dom Antônio Augusto Dias Duarte
Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro
Reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no Recreio dos Bandeirantes

Hoje, como já foi lido na introdução dessa celebração eucarística, é o domingo do Bom Pastor, e por isso mesmo, é um domingo de oração pelas vocações, especialmente sacerdotais, porque o Bom Pastor, que por excelência é Jesus Cristo, se visibiliza pelos bons pastores que coloca à frente de sua Igreja.

Na Igreja Universal, o Papa, em cada diocese, o bispo; em cada paróquia, o pároco e seus vigários paroquiais. Então, hoje, estamos em um dia muito especial para rezar por todos esses pastores que nos conduzem "Pelos prados e campinas verdejantes" como diz o Salmo 22, que acabamos de ler; que nos ajudam a passar "pelo vale tenebroso" (Sl 22), como estamos passando nesse momento, sem temer o mal, porque eles estão conosco. De que modo o bom Pastor, Jesus Cristo, atua por meio dessas suas imagens visíveis, desde o Papa até um pároco, um vigário paroquial? Através da voz.

Na primeira leitura, o primeiro Papa, Pedro, diz-nos o Atos dos Apóstolos, levantou a voz e falou às multidões. Foi uma voz narrativa, porque lembrou aos que ali estavam presentes no dia de Pentecostes, o que havia acontecido com Jesus, como tinha sido crucificado, havia ressuscitado e perdoado os pecados. Jesus havia levantado sua voz também para dizer que convinha que Ele fosse para que pudesse vir o Espírito Santo. A voz de Pedro, que é a voz do Bom Pastor Jesus Cristo, chegou aos corações das pessoas, e, no final da leitura, nota-se que "mais ou menos três mil pessoas (At2,41)", foram batizadas. Era a voz de Pedro, mas a voz que ressoou no coração daquelas pessoas, era a voz de Cristo. Abriram suas mentes e sua liberdade para que Cristo pudesse entrar e, se converteram e foram batizadas.

Jesus, no Evangelho, também fala de uma voz: A voz do pastor, que as ovelhas reconhecem e o seguem. O que não fazem com a voz dos estranhos. A voz dos estranhos afugenta as ovelhas, porque não conhecem aquela voz, o tom da voz, o modo de se dirigir a elas. Aqui Jesus Cristo nos dá um ponto de reflexão, além do primeiro, que nos faz estar mais atentos à voz dos pastores que Deus coloca na nossa vida e rezar por eles para que cada vez mais levantem a voz para que as pessoas ouçam Cristo falar em seus corações; a Missa de hoje nos convida a refletir sobre o que é de verdade a voz de Deus para nós.

Jesus fala que é a Porta, além de ser o Pastor, Jesus também se autodenomina Porta, por onde as ovelhas passam. Essa Porta é figurativa, é a boca de Deus, porque a boca é a Porta através da qual a voz é emitida. Ouvimos com o ouvido, mas nós pronunciamos as palavras com toda a dinâmica que existe, através da boca. A Porta, que é Cristo, é aquela boca que a própria Bíblia diz: 'da abundância do coração, a boca fala'. As palavras emitidas por essa Porta, que é a boca de Cristo, chegam até nós e nos acalmam, nos fazem descansar, nos animam, nos orientam, nos chamam para tomar atitudes na vida, nos corrigem, mas também nos consolam. E como estamos precisando ouvir, através da boca de Cristo, essas palavras, essas vozes animadoras, que podem ser sintetizadas na frase, que São João Paulo II pronunciou na primeira vez que veio ao Brasil, em Porto Alegre, reunindo-se com religiosos, que ecoa até hoje: "Aquele Jesus que nos ama, é o mesmo Jesus que nos chama".

A voz, que sai pela boca de Cristo, é uma voz de amor. É o clamor de amor. Essa é a voz que precisamos ouvir nos tempos atuais, Jesus nos falando através dessa boca, dessa Porta que é a Igreja, mas a Igreja que ecoa a voz de Cristo e não a Igreja que ecoa a voz dos estranhos. Talvez, nesse momento, em que estamos passando por esse vale tenebroso, nós tememos o mal porque a voz que deveria ser o eco da voz de Cristo, a voz da Igreja que deveria ser o eco da voz de Cristo, não está sendo.

Ela está sendo uma voz estranha. São vozes que se levantam, para em vez de animar e dar esperança, trazer confusão; vozes que em vez de acalmar, afligem, em vez de unir, separam. Quais são essas vozes estranhas que podemos estar ouvindo dentro da Igreja? Não vou nem me referir ao mundo civil, ao mundo político, ao mundo midiático, vou falar da voz da Igreja, porque é a Porta, através da qual Cristo passa para chegar até nós, é a Igreja. As portas da Igreja têm que estar abertas, para que da abundância do coração de Cristo, chegue a voz Dele, não as vozes estranhas. Que vozes são essas? Às vezes, são vozes doutrinais demais. Paradoxalmente, são vozes que só falam da doutrina. É certa a doutrina, mas a aplicação da doutrina à vida das pessoas se faz por meio da voz da Igreja e não das vozes que são clamores de pavor porque criam medo, criam incertezas, criam críticas, criam separações, criam murmurações, criam fofocas. Todas são vozes estranhas. Nessa hora, não se trata de levantar a voz para colocar a doutrina apenas na sua formulação. É preciso ouvir a voz da Igreja, aplicando a doutrina às circunstâncias de cada pessoa, de cada época.
A voz da Igreja não está subordinada à voz política, à voz midiática, está simplesmente sendo o eco da voz de Deus: "Quem vos ouve, a Mim ouve". Mais claro do que isso, não podemos esperar de Jesus Cristo. Quem fala em nome de Jesus Cristo? A Igreja, por meio dos pastores, aqueles que estão realmente sendo conscientes da importância das vozes deles. Não é a voz do fulano de tal que é o pastor; é a voz de Cristo que ecoa através da voz da Igreja. Essa voz da Igreja é a voz dos pastores, é a voz do Papa, é a voz do bispo, é a voz do padre, que realmente têm consciência de que sua palavra não é sua opinião. Sua palavra tem que ser a Palavra de Deus, a voz de Deus, se não, até mesmo entre os pastores, pode haver os que emitem vozes de pavor, e não vozes de amor.

Num tempo de indefinição, de incerteza, de insegurança, tempo que podemos figura-lo como diz o Salmo 22, tenebroso - estamos passando por um vale tenebroso - nesse tempo, o que as ovelhas precisam ouvir, o que o povo precisa ouvir, são vozes de esperança, de ânimo, consolo, carinho, união. Todas as outras vozes que não emitem esse tom da voz de Cristo, são vozes estranhas, mesmo que procedam de pastores, que estão mais falando de suas palavras e não ecoando as Palavras de Deus. Por isso a responsabilidade que têm os pastores e daí a necessidade de rezar muito por eles, para que realmente em tempos de vales tenebrosos, as pessoas encontrem a voz de Cristo, porque Ele é a Porta, chama as ovelhas, conduz as ovelhas, conhece as ovelhas. Pode haver vozes de estranhos entre pessoas conhecidas, que mais do que a voz de Cristo, querem ecoar suas próprias vozes, suas próprias palavras.

É muita responsabilidade que temos como pastor, desde o Papa até um vigário paroquial. É muita responsabilidade que temos, porque não podemos, mesmo repetindo a doutrina, fazer com que as ovelhas ouçam as nossas opiniões. Nossas opiniões, temos que guarda-las para nós, porque não estamos na Igreja para dar nossa opinião, mas para sermos a porta através da qual Cristo fala. Todos os padres e bispos sabem, desde o dia de sua ordenação, que têm que emprestar sua pessoa, suas mãos, sua inteligência, sua liberdade e a sua voz para que as ovelhas ouçam a voz do Pastor e não vozes estranhas.

Peçamos a Nossa Senhora, Mãe do Sumo e Eterno Sacerdote, Mãe do Bom Pastor por excelência, que como Mãe, com sua forma muito delicada de ser, fale dentro da consciência dos pastores, aquilo que ela mais preza, a voz de seu Filho. Ela tem que falar muito suavemente, mas com muita clareza: 'Padre, Bispo, até o Papa, fale o que meu Filho mandou falar. Não fale o que é opinável, não fale o que você deduz da doutrina, fale aquilo que Cristo quis falar exatamente com sua doutrina, com suas palavras'. Desse modo, as ovelhas passarão pelo vale tenebroso, sem temer nenhum mal. As ovelhas caminharão, no meio das tribulações por prados e campinas verdejantes, e descansam, experimentam as águas repousantes e restauram as forças.

É muito importante o momento que estamos vivendo. Não podemos deixar que a voz de Cristo seja substituída por vozes estranhas. No mundo civil, no mundo midiático, pode haver vozes de fake news, vozes politicamente corretas, vozes ideológicas, mas na Igreja não pode haver essas vozes estranhas. Na Igreja, temos que ouvir a voz de Cristo. Só essa voz é reconhecível, só essa voz realmente orienta, anima, fortalece, consola e nos faz passar por momentos difíceis, mas com a certeza de que quem ouve a voz de Deus, sairá renovado. Sairá desse momento com a consciência que, se não fosse pela voz do pastor, talvez daríamos muita importância a vozes estranhas, mas não chegaríamos a esses prados e campinas verdejantes, nem às águas repousantes.

Que Nossa Senhora, nesse mês de maio, interceda por todas nossas intenções, atenda todos os nossos pedidos, mas sobretudo, nesse mês de maio, ajude seus filhos, bons pastores que refletem seu Filho, o Bom Pastor por excelência, a serem a voz de Cristo no meio do mundo. Assim seja.


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.