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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/08/2020

05 de Agosto de 2020

‘Vemos que Deus tem aumentado a oportunidade para que os corações das pessoas possa ser transformado’

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05 de Agosto de 2020

‘Vemos que Deus tem aumentado a oportunidade para que os corações das pessoas possa ser transformado’

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24/04/2020 18:14
Por: Redação

‘Vemos que Deus tem aumentado a oportunidade para que os corações das pessoas possa ser transformado’ 0

Foi bem diferente e com novidades o almoço de Páscoa deste ano com os moradores em situação de rua, promovido pela Catedral de São Sebastião. Foi um almoço itinerante. As quentinhas e os ovos de Páscoa foram distribuídos na região central da cidade, no bairro da Glória e no Largo do Machado. 

“A pandemia nos impediu de realizar a tradicional confraternização de Páscoa no espaço físico da Catedral, que sempre é marcada com a presença do nosso Cardeal Orani João Tempesta, mas ele pediu que fosse feito de outra forma, não deixando de marcar a Páscoa como um dia de alegria, de esperança e de ressurreição, principalmente para aqueles que nada têm”, disse o pároco, cônego Cláudio dos Santos.

“Já que os moradores em situação de rua não podiam ficar reunidos na Catedral, pelo perigo da aglomeração, a Catedral foi até as ruas, sendo as mãos e o coração de uma ‘Igreja em saída’, na qual cada um dos nossos irmãos se encontrava”, acrescentou.

“Páscoa é vida que faz brotar a alegria, o amor e a esperança nos corações”, disse cônego Cláudio, na qual lembrou que esse foi o sentido da ação solidária com os moradores em situação de rua. “A experiência da ressurreição de Cristo faz renascer no coração todos esses sentimentos, e a certeza de que o Senhor que se deu por nós garante a vitória sobre todas as situações que aos olhos humanos parece ser impossível”.

Cônego Cláudio disse que ocorreram ainda no Domingo de Páscoa, graças à iniciativa do Ministério Público do Estado do Rio, a inauguração e a bênção de um contêiner com chuveiros, sanitários e pias, para oferecer um banho digno aos moradores em situação de rua. Também acrescentou que foi necessário, em vista da pandemia, solicitar que um restaurante fizesse as quentinhas. O proprietário, quando ficou sabendo para quem se destinava, ficou comovido, e fez uma campanha entre os amigos. Assim, a entrega de quentinhas será prolongada por mais domingos.

“A experiência de servir o Cristo na pessoa dos mais pobres é muito gratificante porque percebemos a manifestação da presença de Deus nos corações de quem partilha seus bens e dons. Sempre foi assim, mas principalmente neste tempo de pandemia, vemos que Deus tem aumentado a oportunidade para que o coração das pessoas possa ser transformado. A recriação de sentimentos que estavam escondidos no coração humano se manifesta e sobressai em forma de amor, na sua expressão máxima que é a caridade”, afirmou o pároco.

Multiplicação de dons
Ao contratar uma empresa para preparar as quentinhas, cônego Cláudio contou que os moradores de rua ganharam um novo benfeitor. Jorge Justino de Oliveira, que frequenta a Paróquia Santo Antônio Maria Zaccaria, no Tanque, em Jacarepaguá, além de fazer as quentinhas a preço de custo, teve a iniciativa de fazer uma campanha entre seus amigos para que a ação solidária pudesse ser estendida.

“Quando cheguei em casa depois da distribuição no Domingo de Páscoa, percebi que esses irmãos de rua precisavam de mais ajuda. Junto com minha esposa, criamos um grupo de amigos. Muitos são empresários, que se prontificaram em ajudar. No domingo seguinte, fizemos quase 500 quentinhas. Conseguimos quase uma tonelada de alimentos, e estamos também fazendo cestas. Neste tempo de pandemia, estou com pouco trabalho, mas vou usar minha cozinha industrial para preparar as quentinhas, pois tenho o dom de cozinhar. Vamos continuar a fazer e a entregar as quentinhas todos os domingos, até quando Deus quiser”, disse Jorge Justino.

Resgate da dignidade
Cônego Cláudio informou que, com a chegada do contêiner com chuveiros, sanitários e pias, oferecido pelo Ministério Público do Rio, o atendimento será ampliado. Até então, os moradores eram atendidos por um banheiro móvel, cedido pela Igreja de São José, no Centro.

“Com o auxílio do capelão, padre Marco Lázaro Mendes Dias, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro fez a doação do contêiner com o intuito de minimizar o sofrimento dessa população de nossa cidade. Agradecemos todo o empenho da doutora Rosane Cunha, da Assessoria Ambiental do Ministério Público, da parceria da Vigilância Sanitária, na pessoa da doutora Márcia Rolim e sua equipe, que fizeram a inspeção técnica do local e a assessoria para aquisição do banheiro, e também da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), por meio de seu presidente, Paulo Mangueira, com a colaboração de Justino Carvalho, responsável pelo protocolo da higienização que será feita nos dias de uso do equipamento de banho e sanitários”, disse o pároco.

Cônego Cláudio lembrou que a Catedral, a pedido de Dom Orani, ainda está empenhada nas instalações de banheiros para atender os moradores em situação de rua, mas devido ao alto custo, ainda não foi possível adquiri-los, embora a campanha financeira para o projeto continue.
“Estamos trabalhando para que se concretize o projeto do banheiro “Banho digno”, que queremos instalar no espaço da Catedral. É um projeto que tem a finalidade de resgatar a dignidade das pessoas que vivem em situação de rua”, lembrou.

Fazer a diferença
Segundo Wagner Ramos, responsável pelo projeto “Café que sustenta”, que faz parte da ação social da Catedral, embora fosse preciso fechar as portas e as atividades da Catedral, o trabalho com os moradores em situação de rua não pode parar.

“Neste tempo em que somos orientados a ficar em casa, torna-se perceptível a presença de um grande número de moradores em situação de rua. Eles não têm casa. Então, quando a rua está vazia eles se tornam visíveis para a sociedade”, afirmou.

Wagner acrescentou que houve a suspensão das atividades no início do período de distanciamento social, conforme foi pedido pelas autoridades sanitárias, mas foi por pouco tempo, quando começaram a surgir iniciativas.

“Os primeiros dias foram críticos, mas houve a mobilização de novas comunidades, de grupos paroquiais vinculados ao Ministério da Caridade Social que saíram às ruas para cuidar dos mais pobres. O grande desafio foi atender a todos. Muitas vezes dizemos que não é possível, porque são muitos pobres. Mesmo com o pouco, por meio da partilha, está sendo possível fazer muita coisa. Podemos ser uma gota d'água no meio do oceano e seremos se estivermos sozinhos, mas juntos podemos fazer a diferença”, afirmou Wagner.

Outra ação da Catedral, que agora foi ampliada, é a instalação do novo banheiro. Segundo Wagner, também responsável pelo seu funcionamento, o contêiner possui quatro unidades de chuveiro, sanitários e pias, e dará para atender, em média, 60 pessoas por dia.

“É um novo passo de assistência. Mais que uma ação social, o banho é um trabalho essencial de resgate da dignidade dessa população que tem a rua como casa”, disse.

Doações
Quem quiser ajudar as atividades do novo projeto poderá fazer doações de material higiênico em geral a serem entregues na Catedral. Mais informações pelos telefones: 2240-2669 ou 96402-3192 (Wagner).

Carlos Moioli


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