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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 05/06/2020

05 de Junho de 2020

‘A pior doença causada por um vírus é a indiferença com o próximo’

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05 de Junho de 2020

‘A pior doença causada por um vírus é a indiferença com o próximo’

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01/04/2020 00:00 - Atualizado em 07/04/2020 22:51
Por: Redação

‘A pior doença causada por um vírus é a indiferença com o próximo’ 0

“A orientação é para ficar em casa, mantendo o distanciamento social, mas não podemos ficar indiferentes diante das necessidades de quem mais sofre, entre eles, os moradores em situação de rua, que de uma certa maneira são invisíveis aos olhos da sociedade”, disse o fundador da Comunidade Pequena Nuvem, diácono Edilson Ezequiel de Lima.

Neste tempo de pandemia, parte dos membros da comunidade continua a realizar o trabalho nos locais de missão, que se situam numa área abrangente. Os locais mais visitados, por causa das necessidades, são as cracolândias de Del Castilho e Manguinhos. A maior concentração de pessoas fica na Dom Helder Câmara, de um lado e do outro da avenida, próxima à UPA e ao Buraco do Lacerda.

Por segurança, quem sai às ruas, usa máscaras, luvas e álcool em gel. Há todo um cuidado para não transmitir nem receber o contágio. Os encontros são mais rápidos, mas há tempo para a escuta, uma oração e o anúncio de uma palavra de esperança.

“Os mais sofridos, doentes, abandonados e vulneráveis precisam saber que a Igreja está presente e que se preocupam com eles. A Igreja os têm como filhos de Deus, e merecem todo carinho, porque Deus é amor. A pior doença causada por um vírus é a indiferença com o próximo. É triste quando as pessoas não se importam com as necessidades dos outros”, disse o diácono Edilson.

Ele contou que alguns membros da comunidade permanecem em suas casas. Não fazem missão, por estarem no grupo de risco. “Não saem pelas ruas, por causa da idade e de doenças, mas em unidade, fazem o que podem pelos irmãos, e somos gratos a Deus por isso”. São eles que preparam os alimentos e organizam as quentinhas.

“Nos momentos difíceis da História da Humanidade, a Igreja sempre foi próxima e solidária, levando consolo aos doentes, perseguidos e injustiçados. O que a Igreja realiza, seja o anúncio do Evangelho, ou o serviço aos irmãos mais pobres, faz pelo mandato de Cristo. Unidos a Igreja, Cristo nos envia e está presente entre nós. Acreditamos nisso. Vamos onde temos que ir, porque somos enviados em obediência ao Senhor que nos chama”, disse.

Por segurança, neste tempo de pandemia, foram suspensos o acolhimento de pessoas nas duas casas mantidas pela Comunidade Pequena Nuvem, situada no Complexo da Maré.

“Encontramos nas visitas pessoas doentes que careciam de acolhimento, mas tivemos que recusar, pensando nos que já cuidamos, para que não corram o risco de serem contaminados. Deixamos uma palavra de esperança em voltar e ajudar no que for preciso. Essa pandemia nos ajudou a abrir os olhos, e ver que todos somos vulneráveis. Apesar disso, temos que ir ao encontro de quem sofre, que não tem o necessário. Temos esperança em dias melhores, que tudo isso vai mudar. A esperança não decepciona, e a nossa esperança é e está em Deus”, destacou diácono Edilson.
"Eis que sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão" (1Rs 18,44).

A Comunidade Pequena Nuvem nasceu a partir da misericórdia de Deus na vida do diácono Edilson Ezequiel, que ao se ver sem dignidade, pelas drogas e álcool, recebeu o chamado do Senhor e se colocou a serviço tanto na fundação quanto no diaconato à Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Com três casas de missão, atualmente duas ativas, a Pequena Nuvem tem a missão de cuidar e muito amar aqueles que perderam a dignidade por conta das drogas e também aqueles que estão em situação de vulnerabilidade social, dando acolhida, e principalmente, reavivando a esperança a estes corações feridos profundamente, estando muitos até mesmo com desejo de morte.

O carisma é amar e cuidar, e levar a esperança, que jamais decepciona.
As casas de missão são de passagem. Os irmãos acolhidos ficam por um período (dois, três dias); os que estão doentes ficam por mais tempo para receberem os devidos cuidados médicos. Após o período, são encaminhados para casas terapêuticas, mas cada caso é tratado de forma particular, pois acolhemos também pessoas que estão em situação de vulnerabilidade e não são dependentes químicas.

Nas casas de acolhimento há momentos de espiritualidade, nos quais os irmãos acolhidos têm a oportunidade de fazer um encontro pessoal com Deus e, consequentemente, consigo mesmo. Momento de retorno ao primeiro Amor. Não há distinção de pessoas, e são acolhidas independentemente de religião, crença ou opção sexual. “Ao filho de Deus que pede ajuda, se realmente a quer, lhe será dada”, disse o fundador.

“Vivemos da Providência Divina. Contamos com a ajuda de amigos, e realizamos eventos ao longo do ano para arrecadar fundos, a fim de manter as obras das casas de missão, os remédios dos acolhidos, passagens para encaminhá-los às casas terapêuticas e providenciar documentos e combustível, além de procurar manter contas fixas, ou seja, despesas necessárias para dar dignidade aos irmãos que são acolhidos”, disse o diácono Edilson.

Semanalmente, são realizadas missões nas chamadas cracolândias, levando alimento físico e espiritual, e oferecendo ajuda para saírem das ruas e se libertarem da dependência química.

A Comunidade Pequena Nuvem faz parte da realidade das Novas Comunidades da Igreja Católica e é acompanhada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, por meio do Vicariato Episcopal da Vida Consagrada.

“A Pequena Nuvem é um sinal de Deus para os tempos atuais. Antes, a nuvem era sinal de uma grande chuva que viria molhar a terra que estava seca. Hoje, esta Pequena Nuvem vem para molhar os solos ressequidos de amor”, disse diácono Edison Ezequiel.

Faça sua doação
Quem puder, dê sua contribuição para que a Comunidade Pequena Nuvem possa continuar a desempenhar sua missão de servir os irmãos em situação de rua. Depósitos ou transferências: Caixa Econômica Federal, agência 3590, conta corrente 615-9, operação 003, CNPJ 19.012.710/0001-60. Ainda pelo banco Itaú, agência 6824, conta poupança 31085-500, em nome de Edison Ezequiel, CPF: 546.032.777-68. Mais informações pelos telefones: 98713-0118 (diácono Edilson) ou 99491-4948 (Geilza).

Carlos Moioli


 
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